Enquanto aguarda desfecho da Linha 19-Celeste, Andrade Gutierrez entra em recuperação extrajudicial
Construtora disputa judicialmente dois lotes das obras civis do novo ramal do Metrô de São Paulo, mas decisões recentes têm favorecido a Odebrecht
A construtora Andrade Gutierrez entrou com pedido de recuperação extrajudicial nesta quarta-feira, 20, para reestruturar uma dívida de R$ 3,4 bilhões. O movimento surge enquanto a empresa aguarda o desfecho de disputas judiciais envolvendo as licitações das obras civis da Linha 19-Celeste do Metrô de São Paulo.
O grupo afirma que a crise foi agravada pela paralisação ou adiamento de quase metade de suas obras, além dos impactos da alta dos juros, do dólar e de problemas em projetos internacionais. Segundo a empresa, cerca de 47% dos contratos sofreram interrupções ou atrasos, afetando o fluxo de caixa.
O pedido foi protocolado na 1ª Vara Empresarial de Belo Horizonte e inclui dois planos de reestruturação, um voltado às dívidas nacionais e outro aos títulos emitidos no exterior. A Andrade Gutierrez afirma já contar com apoio de mais de 70% dos credores, percentual necessário para homologação judicial.
A tradicional construtora, que passou por uma crise após a operação Lava Jato, disputa os três lotes de obras civis da Linha 19-Celeste, ramal do Metrô de São Paulo que ligará Guarulhos ao centro da capital.
Pilares incompletos sentido o bairro do Morumbi: Andrade Gutierrez foi afastada das obras da Linha 17 (GESP)
A construtora tenta reverter judicialmente a vitória da Odebrecht Engenharia & Construção Internacional (OECI) nos lotes 2 e 3 da futura linha metroviária. Decisões recentes da Justiça paulista, no entanto, passaram a favorecer as posições adotadas pelo Metrô no processo licitatório.
No lote 2, avaliado em cerca de R$ 6,7 bilhões, a Andrade Gutierrez perdeu tanto o pedido liminar em primeira instância quanto o recurso no Tribunal de Justiça de São Paulo, mantendo o Consórcio Via Celeste 2, liderado pela Odebrecht, como vencedor provisório.
Já no lote 3, estimado em R$ 6,9 bilhões, a construtora chegou a obter uma liminar suspendendo temporariamente os efeitos da homologação, mas a decisão perdeu validade após sentença posterior negar o mandado de segurança. Apesar disso, recursos seguem em tramitação.
Vencer um desses lotes significaria uma injeção significativa de recursos em uma empresa em crise, por isso não surpreende ela ter questionado a decisão da companhia paulista.
A Andrade Gutierrez operou tatuzões que escavaram parte da extensão da Linha 5, como no trecho da Estação Alto da Boa Vista
No passado, a Andrade Gutierrez participou de várias obras metroviárias, mas foi acusada de conluio com outros participantes, como na extensão da Linha 5-Lilás, que teria sido ‘decidida’ em comum acordo entre os concorrentes, segundo acusações da época. A empresa também fazia parte do consórcio original que tinha o maior volume de contratos na Linha 17-Ouro, mas que acabou afastado após não cumprir o cronograma.
Metrô espera desfechos judiciais e já prevê atrasos
O Metrô ainda não assinou os contratos definitivos dos três lotes da Linha 19-Celeste por conta da sequência de questionamentos judiciais e administrativos envolvendo concorrentes como PowerChina, Agis, Odebrecht e Andrade Gutierrez.
Ao site, a companhia admitiu que a demora em esclarecer os aspectos legais deverá impactar o cronograma da obra, cuja previsão de entrega é do começo da próxima década. Vários terrenos necessários para o projeto estão em vias de serem desapropriados, mas a primeira etapa de trabalho será o desenvolvimento do projeto executivo. Canteiros de obras deverão surgir apenas no ano que vem.
A futura Linha 19 terá 17,6 km de extensão e 15 estações entre Bosque Maia, em Guarulhos, e Anhangabaú, no centro da capital. O projeto prevê o uso de tatuzões para escavação dos túneis e é considerado uma das principais expansões metroviárias planejadas pelo governo paulista.
