Favela começa a desaparecer para dar lugar à estação Gabriela Mistral da Linha 2-Verde

Imagens aéreas mostram remoção de imóveis no núcleo Nova Kampala, etapa necessária para liberar terreno do complexo que reunirá metrô, trens metropolitanos e terminal de ônibus

Nova Kampala, ao lado da Linha 12-Safira
Nova Kampala, ao lado da Linha 12-Safira (iTechdrones)

As demolições de imóveis já ocorreu na Favela Nova Kampala, que são necessários para a futura estação Gabriela Mistral, da Linha 2-Verde. Imagens aéreas feitas nos últimos dias pelo canal iTechdrones, parceiro do MetrôCPTM, mostram que diversas construções já foram removidas do lado da ferrovia que até recentemente permanecia ocupado.

O trabalho já está num estágio mais adiantado do que se imaginava. Até então apenas o outro lado das vias da Linha 12-Safira, as desapropriações de imóveis regulares avançaram e deixaram livre uma enorme área destinada ao complexo. Já a liberação do terreno ocupado pela comunidade dependia de uma solução para o reassentamento das famílias.

Em junho, como mostrou o MetrôCPTM, o Metrô e a CDHU firmaram um convênio para viabilizar esse processo. O acordo prevê R$ 155,3 milhões para atendimento habitacional e reassentamento de moradores considerados vulneráveis.

O plano elaborado pela CDHU identificou mais de 2.100 edificações e uma população estimada em mais de 3 mil pessoas no núcleo Nova Kampala. Entretanto, a primeira área considerada prioritária pelo Metrô é menor e concentra 467 construções em uma faixa necessária para o avanço das intervenções ferroviárias.

Área já limpa da estação Gabriea Mistral (iTechdrones)

As novas imagens revelam que o processo de desocupação dessa área já produz efeitos bastante visíveis. Há grandes clareiras onde antes existiam construções e vários imóveis aparecem em diferentes estágios de demolição.

Terreno de grandes dimensões

A extensão das áreas que estão sendo liberadas ajuda a mostrar a escala da futura Gabriela Mistral. Diferentemente de uma estação convencional da Linha 2-Verde, o local será um complexo de integração entre diferentes meios de transporte.

A estação do metrô será subterrânea, mas o projeto também prevê uma nova estação ferroviária em superfície, com plataformas para as linhas 12-Safira e 13-Jade. Os dois serviços são operados atualmente pela CPTM, mas estarão sob responsabilidade da Trivia Trens quando o complexo entrar em funcionamento.

Também está prevista a implantação de um terminal de ônibus. O contrato de obras do Lote 6, que inclui Gabriela Mistral e Aricanduva, contempla ainda desapropriações, sondagens e outras intervenções necessárias para o empreendimento. Em julho, o Metrô prorrogou esse contrato até dezembro de 2027.

Imóveis já começaram a ser demolidos (iTechdrones)

A liberação da área junto à comunidade não será necessária apenas para os edifícios definitivos. Documentos do convênio com a CDHU apontam que o terreno também será utilizado para o remanejamento provisório dos trilhos ferroviários, além de um acesso secundário da estação e intervenções viárias.

Tatuzão vai atravessar Gabriela Mistral entre 2027 e 2028

Existe ainda uma razão para que a preparação do terreno avance antes mesmo de a estação começar a ganhar sua forma definitiva. Gabriela Mistral está logo no início do caminho da tuneladora Hebe Camargo, responsável pela escavação do trecho da Linha 2-Verde que seguirá da Penha em direção a Guarulhos.

Depois de partir da estação Penha, o tatuzão atravessará primeiro Penha de França e, na sequência, Gabriela Mistral. Ela será, portanto, a segunda estação encontrada pela máquina em seu percurso rumo à futura estação Dutra. Isso deve ocorrer entre 2027 e 2028, na opinião deste site.

CDHU firmou convênio com o Metrô para oferecer moradia (iTechdrones)

Para permitir a passagem da tuneladora, será necessário que ao menos a estrutura necessária para atravessar o local esteja preparada quando a máquina chegar. Em condições normais, o equipamento é arrastado através da vala da futura estação antes de voltar a escavar no extremo oposto.

Caso a escavação da estação não esteja suficientemente avançada, existe a possibilidade de a tuneladora atravessar o trecho construindo anéis provisórios, posteriormente retirados durante a execução da estrutura definitiva.

O Metrô já começou inclusive a monitorar as condições do subsolo em Gabriela Mistral. O relatório de obras de julho mostrou a instalação de piezômetros na área, equipamentos utilizados para acompanhar a pressão da água no terreno e o comportamento do lençol freático antes e durante as escavações.

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