Governo Doria tenta liberar delegado da PF para o cargo de presidente do Metrô, diz jornal

Segundo jornal, o delegado Joaquim Mesquita só não assumiu o cargo porque o Ministério da Justiça ainda não aceitou pedido de cessão. Experiência do goiano com a gestão de empresa de transporte é uma incógnita
Joaquim Mesquita (Eduardo Ferreira/GEGO)

O governo Doria pretende de fato substituir o presidente do Metrô de São Paulo, Silvani Pereira, pelo delegado da Polícia Federal, Joaquim Mesquita. A informação foi revelada pelo jornal Folha de São Paulo nesta segunda-feira, 26, citando um ofício enviado pelo secretário Alexandre Baldy ao Ministério da Justiça – e checada pelo site horas depois.

No documento, o chefe da pasta dos Transportes Metropolitanos tenta a liberação de Mesquita após o Ministério negar a cessão por conta de a função no Metrô não guardar relação com a atividade de segurança pública.

Baldy, no entanto, contestou a referência do MJ em uma portaria de 2013 afirmando que outra portaria, de 2019, prevê esse tipo de cessão sem obrigar que o servidor siga na mesma área de atuação.

É a primeira vez que a troca na presidência do Metrô aparece em um documento oficial da gestão atual. Quando a informação foi revelada pela mesma Folha, em fevereiro, a STM não se pronunciou. Silvani, por sua vez, seguiu participando de eventos e outras atividades relativas ao cargo.

A escolha de Joaquim Mesquita, no entanto, continua a causar estranheza. O delegado, que já ocupou o cargo de secretário de segurança pública de Goiás, estado de origem de Baldy, não demonstra ter qualquer experiência relativa ao transporte público, quanto mais na área metroviária, um atividade especializada cujos profissionais estão mais concentrados no Sudeste.

O secretário Baldy e o atual presidente do Metrô, Silvani Pereira (CMSP)

O delegado, por outro lado, é acusado de improbidade administrativa pelo Ministério Público de Goiás em processo sobre contratação de obra em penitenciária sem licitação.

Oriundo do serviço federal onde foi secretário executivo do Ministério das Cidades quando Baldy ocupava sua chefia, Silvani Pereira assumiu o cargo de presidente do Metrô em janeiro de 2019, início da gestão Doria. Ele ocupou vários cargos estaduais além de presidir os conselhos de administração da CBTU e Trensurb.

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  1. O bom senso indica ser fundamental e imprescindível que a escolha de um dirigente que tenha sólida formação técnica e experiência comprovada no cargo ou função que se proponha a comandar, preferencialmente algum profissional de carreira, porém não é isto que ocorre freqüentemente em SP.
    Quando se conhece o “Modus Operandi” do PSDB que está em prática em São Paulo a mais de 28 anos não deveria se surpreender com estas bravatas, o sr. Baldy que foi reconduzido a Secretaria dos Transportes após acusação de improbidade enquanto era Secretário da Saúde em Goiás, agora quer indicar o delegado da Polícia Federal, Joaquim Mesquita, que não possui experiência alguma, sem perfil técnico algum e ligação com a companhia em seu currículo relativa ao transporte público e que é acusado de improbidade administrativa pelo Ministério Público de Goiás em razão de um processo sobre contratação de obra em uma penitenciaria sem licitação assim com o sr. Paulo Vieira de Souza, vulgo Paulo Preto afastados por corrupção, sendo que este último foram encontrados mais de cem milhões de reais em cédulas em um apartamento em SP.
    Os gestores vem colecionando fracassos com sucessivos erros de planejamento ignorando o “Plano diretor”, divulgando e iniciando novas linhas de Metrô em detrimento da CPTM de forma concomitante sem concluir as que estão iniciadas, invertendo prioridades, fazendo politicagem com os projetos, desperdiçando o dinheiro público.

  2. Dória é um pilantra de quinta categoria que se fez de puritano, junto com Bolsonaro em 2018. Não é à toa terem criado o BolsoDória, dois lixos que se merecem.

    No leilão da CPTM ocorrido semana passada, fiquei assustado com tamanha frieza e egoísmo em dizer na frente do presidente da CPTM que o privado faz melhor que o público. Claramente mostrando sua incapacidade de gerir um empresa pública quando governador.

    O povo paulista precisa tirar o PSDB do governo pra ontem. A cada ano o estado padece.

    1. Quando ele afirma que o gestão pública é ineficiente, ele só esquece de dizer que o gestor público é justamente ele. Logo, o ineficiente da história é ele próprio. Se o eleitor tivesse um pouco mais de consciência na hora do voto, não colocaria em cargos públicos pessoas que pregam ódio ao serviço público (mas que não largam o osso do dinheiro público) e ao próprio povo. Seria como um presidente de un clube de futebol ser contra aquele time e seus torcedores. Acredito que no futebol oa torcedores e a imprensa iria pedir a cabeça de alguém assim, mas na eleição ninguém liga .

  3. Mais um do Estado de Goiás que o Doria quer acobertar e esconder seus crimes de improbidade administrativa. Ele que falou que não colocaria corruptos ou suspeitos no seu governo. Diga-se Baldy é Gilberto Kassab. Ele repete o esquema Bolsonaro de colocar Milico no comando.

  4. Olá Sr. Ricardo e amigos participantes.
    Isso é uma das mazelas do sistema politico deste “Pais” e isso vem há décadas, independente do partido que governa, meu finado pai, sempre me falou dos absurdos que aconteceram na era Vargas e por ser uma pessoa com muita instrução sempre me citou um ditado ” Na politica inimigos ferrenhos tornam-se amigos estranhos de acordo com os interesses “. Mudar essa estrutura com esses atores que ai estão levará muito tempo, isso se houver interesse dos mesmos. Só a título de curiosidade vou contar um causo passado quando eu era uma criança, nos anos sessenta. Diante das dificuldades em resolver os problemas de trânsito de SP importamos diretamente do Rio de Janeiro o Coronel Fontenele pra nos salvar, e foi uma das maiores lambanças já feita com ruas fechadas e bolsões por todo o centro, e ele conseguiu até ser multado na Xavier de Toledo por estacionamento proibido debaixo da placa.. Como todos sabem não deu certo essa ideia. Riam meninos, mas a nossa geração não vai conseguir mudar esse modus operandi. Abraços e cuidem-se
    Gilberto JV-TS

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