Governo muda localização da Estação Ana Rosa da Linha 16-Violeta e cancela desapropriações

Nova solução deverá melhorar integração com as linhas 1-Azul e 2-Verde e reduzir riscos às edificações vizinhas

Linha 16-Violeta
Linha 16-Violeta (Imagem gerada por IA)

O governo de São Paulo decidiu mudar a localização prevista para a Estação Ana Rosa da Linha 16-Violeta do Metrô e revogou a desapropriação de uma área de 6.707 m² na Vila Mariana. A decisão foi publicada nesta quarta-feira, 4, no Diário Oficial do Estado.

Segundo a Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI), o avanço dos estudos técnicos apontou uma alternativa “mais vantajosa” para implantar a estação em uma área que não fazia parte da desapropriação anterior.

A nova solução, ainda não divulgada, permitiria um melhor arranjo geométrico da estação, uma integração mais eficiente com as linhas 1-Azul e 2-Verde e menores riscos às edificações vizinhas, de acordo com a resolução.

A área que deixou de ser necessária fica na Avenida Conselheiro Rodrigues Alves, junto ao Largo Dona Ana Rosa, a leste da atual estação. O terreno havia sido declarado de utilidade pública em setembro de 2025 para receber parte do complexo da Linha 16.

O projeto apresentado à consulta pública previa uma estação subterrânea, com plataformas laterais de 132 metros, grandes poços para circulação de passageiros e estruturas técnicas. A conexão com as linhas 1-Azul e 2-Verde seria feita por uma passagem subterrânea até a área paga da estação existente.

A escolha de Ana Rosa já havia sido resultado de uma alteração importante no projeto da Linha 16. Nos estudos anteriores do Metrô, a integração ocorreria na Estação Paraíso. A solução desenvolvida posteriormente pela Acciona deslocou o traçado para o sul e considerou Ana Rosa uma alternativa menos complexa e de menor risco construtivo.

A Linha 16-Violeta terá 19 km e 16 estações em sua 1ª fase (GESP)

Linha 16 mudou bastante desde os primeiros estudos

A Linha 16-Violeta é um projeto antigo, cuja existência foi revelada em primeira mão pelo MetrôCPTM em 2018. Na época, o ramal aparecia nos estudos do Metrô como uma alternativa para atender parte do eixo que seria percorrido pela extensão da Linha 6-Laranja na Zona Leste.

A companhia só tornaria a existência da nova linha pública posteriormente e passou a desenvolver um projeto próprio. A versão chegou a prever cerca de 33 km de extensão e 23 estações entre Oscar Freire e Cidade Tiradentes, além de soluções pouco usuais para reduzir o tamanho e a profundidade das estações.

A situação mudou em agosto de 2024, quando a Acciona, responsável pela construção da Linha 6-Laranja, apresentou ao governo uma Manifestação de Interesse Privado (MIP) propondo estudar a implantação da Linha 16.

A proposta modificou consideravelmente o projeto do Metrô. A primeira fase foi encurtada, o traçado passou a correr mais ao sul para ficar mais distante da futura extensão da Linha 6 e a conexão com as linhas Azul e Verde foi transferida de Paraíso para Ana Rosa.

O governo qualificou a Linha 16 no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) e posteriormente autorizou a Acciona a aprofundar os estudos, com ressarcimento previsto de até R$ 42,4 milhões. Os levantamentos foram entregues em junho de 2025 e serviram de base para a modelagem da parceria público-privada.

Linha 16-Violeta: investimentos por tipo (SPI)

Projeto perdeu velocidade

A primeira fase atualmente considerada pelo governo tem 19 km e 16 estações entre Teodoro Sampaio e Abel Ferreira. A SPI estima investimentos de R$ 37,5 bilhões e demanda média de 475 mil passageiros por dia em 2040.

Apesar da prioridade que recebeu a partir de 2024, a Linha 16 perdeu velocidade. Durante as audiências públicas realizadas em outubro de 2025, o governo ainda trabalhava com a publicação do edital no primeiro semestre de 2026. Atualmente, a SPI prevê o edital apenas para o primeiro semestre de 2027, enquanto leilão e assinatura do contrato não possuem data definida.

O projeto também passou a enfrentar questionamentos sobre algumas das áreas escolhidas para suas estruturas, incluindo estações e o pátio de manutenção, ao mesmo tempo em que o governo conduz uma carteira de expansões ferroviárias que inclui outros empreendimentos de grande porte.

A alteração de Ana Rosa mostra que a própria engenharia da Linha 16 continua sendo revista. A SPI ainda não publicou uma nova declaração de utilidade pública que permita identificar em qual área ficará a estação redesenhada.