Grupo Comporte se tornará maior operadora de trilhos em São Paulo após assumir linhas da zona leste

Em poucos meses, empresa superou a CCR que precisou de 15 anos para formar seu “império” sobre trilhos. Tendência é de expansão em novos leilões

Grupo Comporte (Jean Carlos)
Grupo Comporte (Jean Carlos)

O Grupo Comporte se tornará o maior operador de sistemas sobre trilhos em São Paulo, pelo menos no que se refere ao tamanho de rede. Com a vitória no leilão do Lote Alto Tietê, o grupo terá sob sua responsabilidade mais de 160 quilômetros de trilhos.

Com a vitória, a Comporte terá sob seu controle as operações das linhas 7-Rubi, 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade. Além disso, todas as linhas em questão deverão ter expansão de seus serviços, aumentando sua área de influencia.

O Grupo CCR carregava a hegemonia no setor privado de mobilidade sobre trilhos. Apesar de sua participação, a empresa não conseguiu atingir seu objetivo final. Ao longo de 15 anos o grupo obteve a concessão de 113 quilômetros de trilhos nas linhas 4 e 5 de metrô, além das 8 e 9 de trens metropolitanos.

Esta marca foi superada em praticamente um ano por sua principal concorrente no setor de mobilidade, o Grupo Comporte, que se compromete a concretizar uma carteira de investimentos da ordem de quase R$ 30 bilhões com a implantação do TIC Campinas e revitalização das linhas recém adquiridas.

Orçamento da concessão das linhas 11, 12 e 13 (SPI)
Orçamento da concessão das linhas 11, 12 e 13 (SPI)

A CPTM, operadora estatal de trens metropolitanos, vê sua malha cair drasticamente. A empresa, que tinha a maior malha sobre trilhos em São Paulo, agora terá a menor, com apenas 34,9 quilômetros correspondentes a Linha 10-Turquesa, também alvo de um futuro leilão.

O Metrô de São Paulo por enquanto mantém uma malha de 71,5 quilômetros de extensão. A estatal é a maior empresa do setor quando se diz respeito à quantidade de passageiros transportados, com 2,2 milhões de usuários ao dia.

Perspectivas

O tabuleiro das concessões foi radicalmente modificado. Há alguns anos, esperava-se um monopólio do Grupo CCR nas linhas de trens metropolitanos. Foi a CCR que incentivou todo o processo de concessão através de Manifestação de Interesse Privado (MIP).

Concessão das Linha 11, 12 e 13 (CCR)

A operação das linhas 8 e 9 pode ter não só ter puxado um freio no viés expansionista do grupo como pode ter influenciado ideias como venda de participação nos negócios fosse considerada.

Os próximos leilões possivelmente devem ser pouco atraentes para o grupo, pois envolvem a construção de ativos. Atualmente este tem sido um problema já que as concessionárias encontram dificuldades em efetivar CAPEX dentro dos prazos estabelecidos em contrato.

Francisco Pierrini da CCR (esquerda) e Guilherme Martins da TIC Trens (direita) (Jean Carlos)
Francisco Pierrini da CCR (esquerda) e Guilherme Martins da TIC Trens (direita) (Jean Carlos)

Por sua vez, uma espécie de céu azul se abre para o Grupo Comporte. Concessões que envolvem grandes parcelas de investimento se tornaram foco para o grupo. A parceria com a gigante chinesa CRRC deve ser mais vista nas concessões cujo investimento em material rodante seja significativo.

A possibilidade de participação em leilões de Trens Intercidades poderá ser o foco principal da Comporte nos próximos anos. Caso a experiência com o TIC Campinas seja bem sucedida, tudo leva a crer que as próximas concessões sejam alvo do grupo.

As empresas estrangeiras poderiam também entrar no páreo com mais intensidade. O governo do estado está focado em disseminar seu pacote de investimentos para empresas europeias e asiáticas.

Algumas delas se mostraram interessadas nos projetos, mas ainda sem uma participação ativa nas concessões recentes.

O trajeto do Trem Intercidades Eixo Norte

Conclusão

O leilão do dia 28 de março foi significativo. A partir desse dia muitas coisas deverão mudar no que se refere ao setor sobre trilhos. A CPTM, empresa responsável pela modernização da rede ferroviária, deverá ser extinta eventualmente, uma vez que sua “razão de ser” seria eliminada.

A mudança de paradigmas com a ascensão meteórica da Comporte mostra que nem tudo são cartas marcadas. Cabe saber se o grupo iniciará sua operação sem cometer os mesmos erros da CCR nas linhas 8 e 9.

Linhas concedidas para a iniciativa privada (Jean Carlos)
Linhas concedidas para a iniciativa privada (Jean Carlos)

Os próximos leilões previstos para ocorrer serão das linhas 10-Turquesa com a 14-Ônix e do TIC Sorocaba. Grupos já estudam os projetos o que mostra que muito em breve esses ramais também serão geridos por empresas privadas.