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Linha 15-Prata retoma operação até a estação São Mateus

Monotrilho, que estava em operação branca nesta semana, passou a receber passageiros no final desde às 13 horas desta quinta-feira
IPT irá investigar causas da ruptura nos pneus do monotrilho (GESP)

Após 111 dias sem atender a região, a Linha 15-Prata retomou a operação nas estações Sapopemba, Fazenda da Juta e São Mateus nesta quinta-feira, 18 de junho. A informação foi divulgada pelo secretário Alexandre Baldy em seu perfil no Instagram horas atrás. O executivo da pasta dos Transportes Metropolitanos compartilhou um vídeo com a viagem pelo trecho, que continuava fechado neste mês após a volta ao funcionamento de outras sete estações.

A reabertura ocorre três dias após a previsão fornecida pelo próprio Baldy, que apontava o retorno do serviço para segunda-feira. No entanto, a Bombardier, responsável pelo monotrilho e seus sistemas, não entregou o laudo de segurança que permitia a operação no trecho, em mais um atraso e descaso acumulado pela empresa canadense.

As três estações que voltaram a operar nesta quinta-feira em horário normal haviam sido inauguradas em dezembro e passarem a operar em tempo integral no início de janeiro. Desde então, a Linha 15 passou a ver sua demanda crescer de forma acelerada e já transportava quase 120 mil pessoas no final de fevereiro, quando ocorreu o incidente com o run-flat, peça que é montada dentro das rodas do trem e que provocou o rompimento de um pneu no dia 27 de fevereiro.

O ramal até operou normalmente no dia seguinte, porém, à noite o Metrô anunciou o fechamento da Linha 15 no sábado, a princípio para a realização de testes. Mais tarde, soube-se do episódio e do pedido da Bombardier para que suspendesse a operação até identificar as causas do incidente.

Baldy na primeira viagem do monotrilho até São Mateus (STM)

Nesses quase quatro meses paralisada, a Linha 15 foi motivo de várias suspeitas, acusações e ameaças, incluindo até ação na Justiça para acelerar o retorno ao serviço. A situação só não foi mais grave do ponto de vista financeiro porque a pandemia do coronavírus reduziu significativamente a demanda, que foi atendida pelos ônibus do serviço PAESE.

A partir de agora, resta saber afinal qual foi a causa do problema, embora análises preliminares apontem para o próprio run-flat, que teve seu diâmetro reduzido para evitar contato com os pneus.

As sócias da Bombardier no consórcio CEML, OAS e Queiroz Galvão, também promoveram retificações na superfície das vigas-trilho, mas em tese esse não seria um dos fatores que contribuíram para o incidente. O Metrô contratou o IPT para produzir um laudo independente e que deverá ficar pronto em julho.

O trecho em operação, com 10 estações, tem demanda estimada em mais de 300 mil passageiros por dia útil, mas ainda sofria com oscilações de intervalos em fevereiro. Se não houver surpresas desagradáveis daqui em diante, será hora de provar que o monotrilho é mesmo capaz de transportar muitas pessoas com conforto e rapidez.

O conjunto de pneu e roda do monotrilho e o run-flat (Reprodução)
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About the author

Ricardo Meier

É um entusiasta do assunto mobilidade e sobretudo do impacto positivo que o transporte sobre trilhos pode promover nas grandes cidades brasileiras. Também escreve nos sites Airway (aviação) e AUTOO (automóveis).

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