Linha 17-Ouro vai simular falha nas alturas e evacuação com ajuda do Corpo de Bombeiros
Ensaios ocorrerão nesta terça-feira, 22, e também nos dias 24 e 25. Eles fazem parte de requerimentos de segurança normais e antecedem a operação por carrossel no ramal de monotrilho
Uma cena que pode assustar os desavisados: haverá uma ‘falha’ nos trens do monotrilho da Linha 17-Ouro nesta tarde de terça-feira, 22, mas trata-se apenas de ‘teatro’, um exercício necessário para avaliar a segurança implementada no ramal metroviário.
Uma série de simulados de emergência será realizada pelo Metrô de São Paulo e o Corpo de Bombeiros para esse fim, algo que já ocorreu na Linha 15 na Zona Leste.
O primeiro exercício está previsto para ocorrer entre 17h e 19h, portanto, fora do horário de operação assistida. Ele será feito em um trecho próximo à Estação Morumbi. ‘Passageiros’ serão retirados da composição e encaminhados pela passarela de emergência instalada ao longo da via elevada – na verdade, pessoas convocadas para ajudar no exercício.
O procedimento é especialmente importante em um sistema como a Linha 17, cujos trens circulam sobre vigas a vários metros do solo e com espaço restrito nas laterais. A passarela permite que os ocupantes deixem uma composição impossibilitada de prosseguir e caminhem até um ponto seguro.
Durante o exercício serão avaliados a comunicação com os passageiros, o acionamento e a integração com o Corpo de Bombeiros, o acesso ao local da ocorrência e os equipamentos empregados na transferência das pessoas do trem para a passarela.
Trem da Linha 17-Ouro e ao fundo a estação Brooklin Paulista (CMSP)
Baterias podem levar trem até estação
A evacuação pela passarela é uma alternativa para situações nas quais não seja possível retirar a composição do local. Em caso de interrupção do fornecimento elétrico, os trens fabricados pela BYD contam com baterias próprias que permitem continuar o deslocamento – algo inexistente nas unidades fabricadas pela Alstom/Bombardier na Linha 15.
Segundo o Metrô, o sistema oferece autonomia de até 8 km e foi projetado justamente para permitir que uma composição alcance um local onde os passageiros possam desembarcar com segurança caso falte alimentação elétrica externa. Outra alternativa prevista em determinadas ocorrências é o reboque do trem por outra composição.
A passarela torna-se necessária em uma situação mais complexa, na qual o trem não possa ser movimentado. Esse tipo de estrutura também existe na Linha 15-Prata.
A realização e divulgação antecipada do exercício também evita que imagens de pessoas caminhando pela passarela sejam confundidas com uma ocorrência real. Simulados semelhantes na Linha 15 já provocaram relatos equivocados nas redes sociais de que passageiros estariam deixando um trem após uma pane.
Passarelas de emergência serão testadas ITechDrones
Resgate em altura será testado
Outros dois exercícios estão programados para sexta-feira, 25, e segunda-feira, 28, também a partir das 17h. Nesse caso, Metrô e Bombeiros trabalharão com uma situação em que seja necessário retirar pessoas da estrutura elevada por outros meios.
Os treinamentos incluirão técnicas de rapel e a utilização do veículo Auto Escada do Corpo de Bombeiros. No dia 25 haverá reconhecimento das áreas e aplicação dos equipamentos, incluindo a escada Magirus. O exercício prático de resgate ocorrerá no dia 28, preferencialmente nas proximidades da Estação Washington Luís e do Pátio Água Espraiada.
Trem da Linha 17-Ouro circula em estrutura elevada (BYD)
Vários trens passarão a circular simultaneamente
Os simulados antecedem outra mudança importante nos testes da Linha 17. No início de outubro, o Metrô pretende avançar para a chamada operação em carrossel, na qual vários trens passam a circular simultaneamente e de forma coordenada pelo ramal.
Atualmente, a Linha 17 está em operação transitória, de segunda a sexta-feira, das 9h às 16h. Os testes ainda utilizam composições em trechos delimitados, uma condição que restringe a quantidade de trens que podem circular ao mesmo tempo.
Com o carrossel, será possível reproduzir de forma mais próxima a dinâmica de uma linha em operação regular, incluindo a interação entre vários trens, a sinalização CBTC e os demais sistemas de controle. A frota da Linha 17 é formada por 14 composições de cinco carros fabricadas pela BYD, todas já entregues ao Metrô.
