Deputados propõem R$ 1,12 bilhão para Linha 20, mas Tarcísio ainda não definiu como obra será feita
Emendas ao Orçamento 2027 querem destinar mais recursos ao projeto, que teve dotação modesta do governo, mas chance de serem acatadas é mínima
Deputados estaduais apresentaram emendas ao Orçamento de 2027 que, somadas, propõem destinar R$ 1,12 bilhão à Linha 20-Rosa do Metrô. Os recursos, no entanto, estão longe de serem garantidos e dificilmente serão incorporados dessa forma ao planejamento do governo Tarcísio de Freitas, que ainda precisa definir como pretende implantar o ramal.
A maior das propostas é a Emenda 10.480, do deputado Luiz Fernando T. Ferreira, que prevê R$ 820 milhões para “estudos, projetos da rede básica, serviços preliminares e demais projetos” destinados a subsidiar a implantação da Linha 20.
Para chegar a esse montante, o parlamentar propõe remanejar quatro dotações do projeto de orçamento. Seriam retirados R$ 200 milhões de uma verba de R$ 287,2 milhões, R$ 400 milhões de outra dotação de R$ 442,5 milhões, além de R$ 150 milhões de uma previsão de R$ 152,5 milhões e R$ 70 milhões de outra de R$ 74,1 milhões.
A justificativa cita especificamente a futura linha entre a região da Lapa, na zona oeste de São Paulo, Santo André e São Bernardo do Campo, no ABC.
Projeção do Pátio da Linha 20-Rosa em São Bernardo (CMSP)
Outras três emendas apresentadas ao Projeto de Lei 863/2026 também propõem reforçar os recursos da Linha 20. Elas somam R$ 300 milhões, com valores de R$ 150 milhões, R$ 50 milhões e R$ 100 milhões.
Com isso, as propostas parlamentares relacionadas ao projeto chegam a pelo menos R$ 1,12 bilhão. A soma, porém, não significa que esse dinheiro estará disponível para a Linha 20. As emendas são propostas independentes de remanejamento do orçamento e ainda precisam passar pela tramitação da Lei Orçamentária na Assembleia Legislativa.
Além disso, cabe ao governo estadual definir o planejamento financeiro de um empreendimento desse porte. Por isso, é pequena a possibilidade de que alterações de tamanha magnitude sejam incorporadas ao orçamento nos moldes propostos pelos deputados.
Mapa atualizado com as estações da futura Linha 20-Rosa (Divulgação Metrô)
Governo reservou menos para novos projetos
As emendas chamam atenção também pelo contraste com a proposta orçamentária enviada pelo próprio governo Tarcísio.
Como o MetrôCPTM mostrou em outubro, o PLOA de 2027 prevê R$ 92,6 milhões para a ação “Elaboração de projetos para expansão da rede metroviária”, quase metade dos R$ 180,3 milhões inicialmente reservados para a mesma finalidade em 2026.
A dotação não é exclusiva da Linha 20 e precisa atender a carteira de projetos de expansão do Metrô. Durante 2026, ela também foi suplementada e já havia chegado a R$ 203,1 milhões em agosto, mostrando que o valor definido no orçamento inicial pode ser alterado conforme as necessidades da companhia.
Os R$ 1,12 bilhão sugeridos pelos deputados, portanto, não podem ser comparados diretamente com os R$ 92,6 milhões como se fossem recursos destinados à mesma finalidade. Ainda assim, a diferença de escala evidencia a tentativa dos parlamentares de dar prioridade orçamentária à Linha 20.
Linha 20-Rosa terá 33 km e 24 estações (Montagem feita com uso de IA)
Projeto básico atrasou para 2027
Mais do que as emendas parlamentares, o cronograma da Linha 20 depende agora da conclusão de uma etapa fundamental.
O projeto básico, que deveria ser finalizado neste ano, sofreu um atraso de oito meses e teve seu prazo estendido até 6 de junho de 2027. O trabalho é desenvolvido pelo consórcio formado por Maubertec, Nova Engevix, Pólux e Intertechne.
O aditivo assinado pelo Metrô prevê novos marcos para definição do traçado, estações, poços de ventilação e saídas de emergência e unidades dos pátios. Também deverão ser produzidos os quantitativos que servirão de base para estimar os custos das obras.
Apesar do atraso, o governo pretende lançar as licitações da Linha 20 em 2027, o que poderia permitir o início das obras em 2028. Recentemente, o Estado também avançou com as desapropriações necessárias em Santo André e São Bernardo do Campo.
Metrô ou PPP?
Há, no entanto, uma questão ainda sem resposta clara: qual será o modelo escolhido pelo governo Tarcísio para tirar a Linha 20 do papel.
A Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI) ainda mantém oficialmente as linhas 19-Celeste, 20-Rosa e 22-Marrom agrupadas em um projeto de parceria público-privada estimado em R$ 90 bilhões.
Sondagens no subsolo da Avenida Faria Lima para a Linha 20-Rosa (Metrô CPTM)
Segundo a própria SPI, a PPP envolveria expansão, operação e manutenção das três linhas, com estudos conduzidos pela International Finance Corporation (IFC), ligada ao Banco Mundial.
O discurso mais recente de Tarcísio, entretanto, apontou para outro caminho. O governador afirmou que, após a conclusão do projeto básico, a intenção é licitar a Linha 20, e declarações anteriores indicaram a contratação de projeto executivo e obras civis, modelo semelhante ao adotado pelo Metrô na Linha 19-Celeste.
Essa sinalização coincidiu com uma mudança no cronograma da própria SPI. Em junho, a secretaria deixou de apresentar datas para edital e leilão do pacote formado pelas linhas 19, 20 e 22. A previsão passou a ser apenas concluir os estudos em 2027, sem definir o que acontecerá depois.
Caso o Metrô permaneça responsável pela implantação da Linha 20, ainda será necessário definir como as obras serão contratadas e se a própria companhia operará o ramal depois de pronto ou se a operação será posteriormente concedida à iniciativa privada.
