Linhas de trem, metrô e VLT da Motiva receberão energia de usina solar

Contrato com a EDP inclui as linhas 4-Amarela, 5-Lilás, 8-Diamante e 9-Esmeralda, em São Paulo, além do VLT Carioca, no Rio

Trens da Linha 4-Amarela
Trens da Linha 4-Amarela (Willian Moreira)

As linhas 4-Amarela, 5-Lilás, 8-Diamante e 9-Esmeralda passarão a receber energia proveniente de uma usina solar localizada no interior de São Paulo. O fornecimento faz parte de um contrato de 15 anos firmado entre a Motiva e a EDP, que também atenderá o VLT Carioca e concessões rodoviárias do grupo.

O acordo prevê 9,3 MW médios de energia, volume equivalente a cerca de 15% de toda a demanda da Motiva. A eletricidade será produzida em uma das usinas do Complexo Solar Novo Oriente, da EDP, localizado em Ilha Solteira, próximo à divisa com Mato Grosso do Sul.

Isso não significa que as estações ou os trens das quatro linhas paulistas receberão painéis solares. O contrato foi estruturado na modalidade de autoprodução por arrendamento, na qual a Motiva recebe uma parcela da outorga de geração e passa a compartilhar o ativo com a EDP por meio de um consórcio.

Na prática, a geração ocorre no complexo de Ilha Solteira e a energia é disponibilizada através do sistema elétrico. O modelo é diferente de um contrato convencional de compra de energia, já que a Motiva passa a ser considerada autoprodutora na parcela correspondente à sua participação.

Receba notícias quentes sobre mobilidade sobre trilhos em seu WhatsApp! Clique no link e siga o Canal do MetrôCPTM.

O Complexo Solar Novo Oriente possui 254 MW de capacidade instalada, 82 inversores e mais de 558 mil painéis fotovoltaicos. Segundo a EDP, sua produção mensal equivale ao consumo de cerca de 375 mil residências.

Paineis solares em Ilha Solteira (EDP)

Energia é um dos principais custos da Motiva

A dimensão do contrato está relacionada ao elevado consumo elétrico das operações sobre trilhos. Segundo a EDP, a Motiva está entre as 30 maiores consumidoras de energia do Brasil e é a segunda maior da Região Metropolitana de São Paulo.

A companhia já utiliza outro modelo de autoprodução para atender seus sistemas ferroviários. Há dois anos, tornou-se sócia de três parques eólicos do Complexo Eólico Otis, localizado entre Piauí e Bahia, cuja energia é destinada atualmente às operações de trens e metrôs em São Paulo.

Com o novo contrato, a autoprodução deverá passar de 60% para 85% da demanda total da Motiva. A empresa afirma ainda que, desde o final de 2024, suas operações de rodovias e trilhos são abastecidas apenas com eletricidade proveniente de fontes renováveis.

O contrato solar contempla 154 unidades consumidoras de média e alta tensão. Além das cinco operações sobre trilhos, estão incluídas nove concessões rodoviárias administradas pelo grupo em diferentes estados.

VLT Carioca (Alstom)

Metrô seguirá caminho diferente

A estratégia adotada pela Motiva é diferente daquela que o Metrô de São Paulo começou a preparar para algumas de suas estações.

A companhia lançou recentemente uma licitação para instalar usinas fotovoltaicas nas estações Belém e Bresser-Mooca, da Linha 3-Vermelha. Nesse caso, a eletricidade será efetivamente produzida no local onde será consumida, com painéis instalados sobre as grandes coberturas das duas paradas.

Cada estação deverá receber aproximadamente 274 kWp de potência instalada, somando cerca de 548 kWp. A energia será conectada à rede elétrica interna das estações para atender equipamentos como iluminação, ventilação e escadas rolantes. Ela não será utilizada diretamente para a tração dos trens.

A geração anual dos dois sistemas poderá ficar na faixa de 700 a 800 MWh, embora o valor definitivo ainda dependa dos projetos executivos. As coberturas de Belém e Bresser-Mooca oferecem juntas quase 10 mil m² de área para a instalação dos equipamentos.

O Metrô já vinha preparando esse caminho. Em 2024, a empresa alterou seu estatuto para permitir a participação em empreendimentos de geração ou autoprodução de energia destinados principalmente ao próprio consumo. Projetos fotovoltaicos também já foram considerados para a Estação Brás, da Linha 3-Vermelha, e Ipiranga, da Linha 15-Prata.