Linha 3 do Metrô do Rio pode abrigar vários serviços em seus 50 km de extensão

Estudo da Coppe avalia ajustar oferta à demanda de cada trecho, com reforço de trens em Niterói e operação mais leve no extremo de Itaboraí

Linha 3 do Metrô do Rio deve ligar Niterói, São Gonçalo e Itaboraí à capital
Linha 3 do Metrô do Rio deve ligar Niterói, São Gonçalo e Itaboraí à capital (Imagem gerada por IA para fins ilustrativos)

Os cerca de 50 km previstos para a Linha 3 do Metrô do Rio de Janeiro poderão ser atendidos por diferentes serviços, em vez de uma única operação ligando Itaboraí ao centro da capital. A possibilidade está sendo avaliada pela Coppe/UFRJ no Projeto Prisma-RJ, que desenvolve os estudos para o futuro corredor metroviário.

A concepção foi detalhada pelo coordenador-geral do projeto, Rômulo Orrico Filho, durante debate realizado na Câmara Municipal do Rio na terça-feira (15). Ao ser questionado sobre a possibilidade de implantar a Linha 3 em etapas, o professor explicou que extensão da proposta também exige uma discussão sobre como os trens deverão operar.

“Eu não imagino uma linha de metrô de 50 km”, afirmou Orrico. Segundo ele, manter a mesma oferta ao longo de todo o percurso poderia resultar em capacidade excessiva nos trechos com menor demanda.

O professor também citou uma velocidade comercial de cerca de 36 km/h para sistemas metroviários. Isso torna pouco eficiente pensar uma linha dessa extensão apenas como uma ligação rápida entre suas extremidades, sobretudo porque a demanda se distribui de maneira bastante diferente ao longo do corredor.

Imagem do traçado da Linha 3 do Metrô do Rio (Reprodução/Coppe)

85% das viagens permanecem na região

Os estudos de demanda ajudam a explicar a possibilidade de operar serviços distintos. Dados de telefonia analisados pelo Prisma indicam que Niterói, São Gonçalo e Itaboraí concentram, juntas, cerca de 15% das viagens realizadas na Região Metropolitana do Rio.

Desse conjunto, aproximadamente 85% dos deslocamentos ocorrem dentro da própria região formada pelos três municípios. Apenas 15% correspondem a viagens que entram ou saem desse território.

Para Orrico, os números mostram que a Linha 3 precisa cumprir simultaneamente duas funções: melhorar os deslocamentos internos no eixo Niterói-São Gonçalo-Itaboraí e oferecer uma ligação eficiente com a cidade do Rio.

A importância dos movimentos locais já aparecia em levantamentos anteriores. Segundo dado do IBGE citado pelo coordenador do Prisma, em 2010 eram realizadas cerca de 120 mil viagens por dia entre Niterói e São Gonçalo, então o segundo maior fluxo intermunicipal do país, atrás apenas da ligação entre São Paulo e Guarulhos.

Trens poderiam iniciar viagens em diferentes pontos

Uma das possibilidades mencionadas por Orrico é que parte dos serviços tenha origem na região de Alcântara, importante centralidade de São Gonçalo. Outros trens poderiam ser inseridos na operação na altura de Neves ou Barreto, já na aproximação de Niterói.

A estratégia permitiria aumentar a oferta onde a demanda fosse maior. Dessa forma, passageiros que embarcassem em Niterói não dependeriam apenas de composições que chegassem ocupadas após percorrer São Gonçalo.

Projeção da Estação Alcântara do Metrô do Rio (Reprodução)

Nem todos os trens precisariam necessariamente atravessar a Baía de Guanabara e seguir até a região da Carioca. Orrico afirmou que alguns serviços poderiam chegar ao centro do Rio e outros terminar antes, com a oferta também variando de acordo com os horários de maior movimento.

No extremo oposto, Itaboraí poderia receber uma operação de menor capacidade ou frequência. O coordenador citou a população de aproximadamente 200 mil habitantes do município ao explicar por que não seria necessário manter ali a mesma oferta prevista para os trechos mais carregados.

A configuração ainda poderá exigir baldeações entre serviços. Segundo Orrico, o objetivo seria dimensioná-las de forma a não impor percursos excessivamente inconvenientes aos passageiros.

Construção dependerá dos recursos disponíveis

Apesar de a discussão sobre diferentes serviços ter surgido durante uma pergunta sobre o faseamento da Linha 3, a Coppe ainda não definiu uma sequência de implantação para os cerca de 50 km.

Orrico afirmou que o número de frentes de construção dependerá da disponibilidade de recursos. Com maior capacidade de investimento, diferentes trechos poderiam ser executados simultaneamente, reduzindo o prazo necessário para colocar o sistema em funcionamento.

O desenho operacional também permanece em estudo. As alternativas mencionadas durante o debate foram apresentadas pelo coordenador como hipóteses, e não como uma configuração já escolhida para a futura Linha 3.

Para dimensionar a demanda, o Prisma realizou pesquisas em 86 pontos e passou a utilizar dados de telefonia para identificar os deslocamentos. A equipe considera insuficiente depender apenas da pesquisa Origem-Destino realizada em 2003 e de sua atualização de 2012, diante das mudanças ocorridas na Região Metropolitana e nos padrões de viagem desde então.