Linha 4 do Metrô do Rio completa dez anos com demanda aquém do esperado
Mesmo integrada às linhas 1 e 2, ramal transporta cerca de 101 mil passageiros por dia útil, menos que o monotrilho da Linha 15-Prata de São Paulo
No mês em que completa dez anos de operação, a Linha 4 do Metrô do Rio de Janeiro continua transportando um número de passageiros muito inferior ao previsto quando foi inaugurada para os Jogos Olímpicos de 2016.
Segundo reportagem publicada pelo jornal Extra, o ramal atende atualmente cerca de 101 mil passageiros por dia útil, aproximadamente um terço da demanda projetada durante o planejamento da obra e com ocupação média de apenas 50% da capacidade disponível.
Os números chamam atenção quando comparados a sistemas paulistas. A Linha 15-Prata do Metrô de São Paulo, um monotrilho de média capacidade com extensão ligeiramente menor, já registra cerca de 150 mil passageiros por dia útil, mesmo atendendo apenas parte do traçado originalmente planejado.
Especialistas atribuem o desempenho da Linha 4 não apenas aos efeitos da pandemia, mas principalmente à falta de integração com o restante do sistema de transportes da cidade.
Linha 4 do Rio começou a operar em 2016
Quando a linha foi concebida, estava prevista uma reorganização das linhas municipais de ônibus que atendem a Barra da Tijuca e a Zona Sul, transformando parte delas em alimentadoras do metrô. A medida nunca foi implementada e muitos passageiros continuam utilizando serviços paralelos ao ramal.
Outro fator apontado é a política tarifária. Enquanto São Paulo permite ao usuário integrar metrô, trens metropolitanos e ônibus municipais pagando uma tarifa integrada em diversas viagens e com preço menor, o Rio de Janeiro mantém um modelo menos abrangente, no qual a combinação entre diferentes modais frequentemente eleva o custo do deslocamento – além disso, a tarifa é uma das mais caras do país.
Esse cenário ajuda a explicar por que a Linha 4, considerada a mais moderna do sistema carioca e elogiada pela rapidez e conforto, ainda opera abaixo do potencial previsto há uma década.
A expansão também permanece incompleta. O projeto original previa a construção da estação Gávea como elo entre São Conrado e Leblon, mas a obra foi interrompida durante a crise financeira do Estado. Após um novo acordo entre governo e concessionária, a estação voltou a ser construída e deverá entrar em operação parcialmente até 2028, embora a ligação direta com Antero de Quental tenha sido novamente adiada.
Assim como ocorreu em outras cidades brasileiras, a experiência da Linha 4 mostra que a construção de uma nova ferrovia, por si só, não garante alta demanda. A integração física e tarifária com o restante da rede de transporte continua sendo um dos principais fatores para atrair passageiros e aproveitar plenamente a capacidade instalada.
