Metrô de SP quer usar estações Belém e Bresser para gerar energia solar
Companhia lançou licitação para equipar paradas da Linha 3-Vermelha com usinas fotovoltaicas. Elas poderão gerar energia equivalente ao consumo de mais de 300 residências durante um ano
As grandes coberturas das estações Belém e Bresser-Mooca, da Linha 3-Vermelha, poderão passar a produzir parte da energia consumida pelas próprias instalações. O Metrô de São Paulo abriu uma licitação para contratar duas usinas fotovoltaicas, uma em cada parada.
Os projetos terão potência instalada de aproximadamente 274 kWp por estação, ou cerca de 548 kWp somadas. A energia produzida será conectada à rede elétrica interna e destinada ao consumo das estações, reduzindo a quantidade retirada da rede de distribuição.
Embora o projeto executivo ainda tenha de definir a geração efetiva dos sistemas, a potência prevista permite estimar uma produção anual na faixa de 700 a 800 MWh. Em ordem de grandeza, seria energia suficiente para atender ao consumo anual de mais de 300 residências, considerando o consumo residencial médio no estado de São Paulo.
A comparação, no entanto, serve apenas para dimensionar a capacidade das usinas. No Metrô, a eletricidade será usada nas próprias estações e não para movimentar os trens. Os sistemas serão ligados às subestações auxiliares, responsáveis pela alimentação de equipamentos e instalações como iluminação, ventilação e escadas rolantes.
Estação Belém (Jean Carlos)
Mais de 9 mil m² de coberturas
Belém e Bresser-Mooca foram inauguradas em 1975 e têm características arquitetônicas semelhantes, com extensas áreas de cobertura em concreto que podem receber os painéis solares. A documentação técnica da licitação aponta aproximadamente 4.700 m² disponíveis em Belém e 5.100 m² em Bresser-Mooca.
Parte dessas áreas possui cobertura de cimento-amianto. A implantação das usinas prevê a retirada desse material, que deverá receber tratamento e destinação específicos, além de serviços de impermeabilização e drenagem necessários para a instalação dos novos sistemas.
O Metrô prevê a mesma quantidade de módulos fotovoltaicos nas duas estações. A especificação técnica adota como referência painéis monocristalinos, bifaciais e com tecnologia half-cell, mas caberá à futura contratada elaborar o projeto executivo e definir a solução final dentro dos requisitos estabelecidos.
É nessa etapa que também deverão ser apresentados os cálculos de geração mensal e anual de energia, considerando fatores como orientação dos módulos, incidência solar, sombreamento e perdas do sistema.
Placas solares sobre a plataforma de Vila Olímpia (GESP)
Linha 3 tem outras estações a céu aberto
A escolha de Belém e Bresser-Mooca aproveita uma característica da Linha 3-Vermelha. Das 18 estações do ramal, 13 são classificadas pelo Metrô como estações a céu aberto, condição que oferece grandes superfícies expostas à incidência solar.
A licitação, entretanto, contempla apenas Belém e Bresser-Mooca e não indica que o projeto será posteriormente estendido às demais estações. Duas delas, inclusive, tiveram uma licitação de reformas estruturais da cobertura metálica – Pedro II e Brás – lançada dias atrás e cujo escopo não envolve paineis solares mas sugere que elas poderão ficar melhor condicionadas a receber esses equipamentos.
O certame será realizado pelo critério de menor preço, com orçamento mantido sob sigilo pelo Metrô. A sessão para recebimento e disputa das propostas está marcada para 12 de janeiro de 2027.
O futuro contrato terá prazo de 44 meses para execução dos serviços. O escopo não se limita à colocação dos painéis: inclui elaboração dos projetos executivos, intervenções nas coberturas, instalações elétricas, conexão das usinas, testes, comissionamento, documentação técnica, treinamento e manutenção dos sistemas.
