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Linhas “privadas” do Metrô fecham mais acessos que as “públicas”

Quase um terço dos acessos das linhas 4-Amarela e 5-Lilás estão sem funcionar por conta da “operação monitorada” no transporte público
Acesso secundário da estação Oscar Freire, que está fechado por conta da redução na operação (GESP)

A crise do coronavírus (Covid-19) está afetando mais do que os passageiros das linhas metroferroviárias de São Paulo. Também os acessos das estações das linhas 4-Amarela e 5-Lilás estão “sofrendo” mais que os dos ramais operados pelo Metrô. Segundo balanço divulgado pelo governo do estado nesta terça-feira, 31, há 28 acessos fechados por conta da redução na demanda e também de funcionários. Destes, 15 são de estações das duas linhas concedidas à iniciativa privada.

A diferença chama ainda mais a atenção porque as linhas Amarela e Lilás somam apenas 27 estações contra o dobro das linhas 1-Azul, 2-Verde e 3-Vermelha. De cerca de 170 acessos que os três ramais possuem, somente 13 estão fechados, ou 8% deles. Já na Linha 5 são oito entradas desativadas e que representam cerca de 22% de todos os acessos gerenciados pela ViaMobilidade.

A situação da Linha 4, no entanto, é a mais contrastante: sete dos 17 acessos existentes nas 10 estações operadas pela ViaQuatro não estavam abertos nesta terça-feira, segundo mapeamento da Secretaria dos Transportes Metropolitanos. Somadas, as duas linhas têm 28% dos acessos fechados por conta da pandemia.

Embora seja evidente que algumas estações estejam com movimento praticamente inexistente, como Alto da Boa Vista, na Linha 5, a redução na demanda atinge o Metrô como um todo – segundo dados recentes, as linhas apresentam uma queda de mais de 80% no número de usuários nos últimos dias. A Linha 4-Amarela é uma das mais movimentadas da capital, atrás apenas das linhas 1 e 3 e com números semelhantes aos da Linha 2 que, ao contrário dela, só possui dois acessos fechados.

Estações menos acessíveis

Apesar de não divulgarem números, as operadoras das linhas de trem e metrô estão desfalcadas de funcionários, muitos afastados por conta da idade enquanto outros sob suspeita de alguma enfermidade. A CPTM, por exemplo, deslocou empregados administrativos para ajudar em algumas estações. No caso das concessionárias, no entanto, as restrições de acesso são estranhas porque as linhas 4 e 5 têm menos entradas no geral, fruto de projetos mais enxutos.

Estação Anhangabaú, da Linha 3: mesmo com mais acessos, Metrô manteve a grande maioria aberta (Itala.assayag)

Como são conectadas à antigas estações, os dois ramais também possuem algumas paradas sem acesso direto à rua como Chácara Klabin (feito pela Linha 2) e República (todos oriundos da Linha 3). É uma situação bem diferente da vivida pelo Metrô com estações como São Bento ou Paraíso e que foram construídas com várias entradas distantes entre elas, ou seja, mais complexas de serem monitoradas.

Essa situação preocupa pelo fato de as linhas concedidas gerarem sua receita sobretudo do transporte dos passageiros, pelo qual o governo paga uma tarifa de remuneração. Diante do atual cenário certamente esse faturamento despencou, mas os custos permaneceram. Espera-se que isso não esteja afetando a operação nesses ramais que em tese deveriam oferecer a mesma qualidade de serviço das linhas do Metrô.

Em contato com o site, a assessoria da ViaQuatro e da ViaMobilidade afirmou que as medidas de fechamento dos acessos foram causadas pela “redução do quadro efetivo e análise da queda significativa na demanda de passageiros”. As concessionárias, assim como o Metrô e a CPTM, também liberaram os colaboradores com idade acima de 60 anos.

Atualizado às 14h00 de 31 de março.

 

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About the author

Ricardo Meier

É um entusiasta do assunto mobilidade e sobretudo do impacto positivo que o transporte sobre trilhos pode promover nas grandes cidades brasileiras. Também escreve nos sites Airway (aviação) e AUTOO (automóveis).

2 Comentários

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  • alguma surpresa? caberia ao GESP obriga-los a operar com menos restriçoes, mas o GESP é uma mae, ou melhor, uma avó ….

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