Mesmo diante de crise, setor metroferroviário recupera passageiros e mantem investimentos de expansão

Balanço realizado pela ANPTrilhos indica que houve aumento do número de passageiros transportados. Apesar da crise, ainda houve novas estações entregues e investimentos sendo realizados na ampliação da rede
Sistema sobre trilhos em estabilidade (Jean Carlos)

A mobilidade sobre trilhos é essencial para o deslocamento de milhões de pessoas nas cidades e regiões metropolitanas de todo o país. Diante da mais grave crise que o setor já enfrentou na história, ainda foram registrados crescimentos, mesmo que tímidos, no número de passageiros transportados e na expansão da rede sobre trilhos, o que demonstra a resiliência por parte dos operadores e dos governos em sustentar uma solução de transporte limpa e eficaz.

Segundo o Balanço do Setor Metroferroviário realizado pela Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros Sobre Trilhos (ANPTrilhos) foram transportados cerca de 1,8 bilhão de passageiros nos diversos sistemas metroferroviários espalhados pelo Brasil.

A malha atualmente possui 1.105 km de extensão divididos em 47 linhas com 619 estações ao todo. Para atender todo esse sistema de mobilidade estão disponíveis para as operadoras mais de 5 mil carros de passageiros. Mesmo confrontado pela pandemia, o setor foi responsável por R$ 31,3 bilhões em benefícios econômicos e sociais. Esses benefícios são mensurados com métricas como a redução do tempo de viagem e a diminuição do uso de combustíveis fósseis.

Dados do setor metroferroviário nacional (ANPTrilhos)

O crescimento do número de passageiros transportados foi de 4,8% se comparado com o ano de 2020. Em média são transportados cerca de 6,1 milhões de passageiros nos diversos sistemas sobre trilhos em todo o país. O perfil do passageiro é composto por 50,4% de mulheres e 49,6% de homens. Deste total, quase 40% possui idade entre 25 e 34 anos, sendo que mais de 70% utilizam os trilhos para os deslocamentos ao trabalho.

Passageiros e perfil (ANPTrilhos)

No ano de 2021, segundo a segundo os dados da ANPTrilhos, foram acrescentados mais 2 km de novos trechos na rede metroferroviária com mais duas novas estações, Mendes-Vila Natal e João Dias na Linha 9-Esmeralda. O levantamento não levou em consideração as inaugurações das estações Vila Sônia e Jardim Colonial das Linhas 4-Amarela e 15-Prata respectivamente.

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Em âmbito regional destaca-se o aumento do número de passageiros transportados na região Nordeste. Foi registrado um aumento de 12,7% de deslocamentos, número mais expressivo dentre aqueles expostos no relatório. O Rio de Janeiro amarga uma queda de 1,5% do número de passageiros transportados, evidenciando uma série de problemas que necessitam de rápida solução como, por exemplo, o alto valor da tarifa praticada, o que afasta o passageiro do sistema.

Analise por região (ANPTrilhos)

Em termos de obras, São Paulo lidera com a construção de seis tramos diferentes, a maioria deles na própria capital paulista. Destacam-se a expansão da Linha 2-Verde até Penha, a construção da Linha 6-Laranja que ligará Brasilandia até São Joaquim, e expansão da Linha 15-Prata até Jacú-Pessego, a finalização da Linha 17-Ouro, a extensão da Linha 9-Esmeralda e as obras do VLT na Baixada Santista.

Investimentos no Brasil (ANPTrilhos)

Na região Nordeste destaca-se a construção do tramo 3 da Linha 1 do Metrô de Salvador, bem como o monotrilho que substituiu o trem de subúrbio. No Rio Grande do Norte temos a construção da Linha Branca e da Linha Roxa.  No Ceará os investimentos ficam para a construção da Linha Leste e do Ramal Aeroporto do VLT Parangaba-Mucuripe.

As concessões no setor se tornaram uma política pública que vem ganhando cada vez mais força. A concessão para operação ou construção tem sido uma ferramenta que visa desonerar o investimento estatal enquanto promove melhorias no serviço. Em São Paulo destaca-se a PPP do Trem Intercidades. Em âmbito federal, a concessão dos sistemas operados pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) tem atraído o olhar de investidores.

Concessões no Brasil (ANPTrilhos)
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  1. A última função de uma concessão é melhoria de serviço. Desonerar o estado muito menos, basta ver o valor que está sendo investido na CBTU em Belo Horizonte pra torná-la “atrativa”, assim como a tarifa de remuneração da Linha Amarela em SP.

  2. A concessão para operação ou construção tem sido uma ferramenta que visa desonerar o investimento estatal enquanto (supostamente) promove melhorias no serviço.

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