Metrô de SP prevê rede com mais de 12 milhões de passageiros por dia em cenário futuro
Estudo da Linha 22-Marrom revela projeções de demanda para uma rede com 12 linhas de metrô e monotrilho em operação
O Estudo de Impacto Ambiental (EIA-RIMA) da futura Linha 22-Marrom trouxe um panorama inédito sobre como o Metrô de São Paulo projeta a demanda da rede metroviária nas próximas décadas.
Segundo a chamada “Tabela 7.3-1”, incluída no documento liberado pela Cetesb, a rede composta por 12 linhas de metrô e monotrilho poderia transportar mais de 12,1 milhões de passageiros por dia útil em um cenário futuro considerado pela companhia.
A projeção faz parte do chamado cenário 40910 do Plano de Investimentos do Metrô, elaborado em setembro de 2022, portanto, sujeito a várias mudanças recentes.
Ainda assim, é uma rara oportunidade de vislumbrar o potencial do transporte sobre trilhos na região metropolitana. Pelos cálculos apresentados, a rede alcançaria 12.163.254 passageiros diários e mais de 1,1 milhão de usuários na hora pico da manhã.
A Linha 2-Verde apareceria como a mais movimentada do sistema, com cerca de 1,66 milhão de passageiros por dia, ligeiramente acima da Linha 1-Azul, projetada com 1,60 milhão.
Cenário projetado pelo Metrô com 12 linhas em operação (CMSP)
Já a Linha 20-Rosa, ainda em fase de projeto, surge como uma das futuras linhas mais carregadas da rede, com previsão de 1,51 milhão de passageiros diários.
O estudo também revela os trechos críticos de carregamento de cada linha. Na Linha 1-Azul, o segmento mais carregado seria entre Paraíso e Vergueiro. Na Linha 2-Verde, Alto do Ipiranga-Santos Imigrantes. Já na Linha 4-Amarela, o trecho crítico previsto fica entre Fradique Coutinho e Oscar Freire.
Monotrilhos com demanda expressiva
Entre as curiosidades do cenário está a demanda prevista para os monotrilhos. Mesmo frequentemente tratados como sistemas de média capacidade, as linhas 15-Prata e 17-Ouro aparecem com movimento diário acima de 500 mil passageiros.
Trem da Linha 6-Laranja (GESP)
A Linha 15-Prata teria previsão de 532 mil usuários diários, enquanto a Linha 17-Ouro alcançaria 528 mil passageiros. Hoje o ramal da zona leste transporta cerca de 150 mil passageiros diariamente enquanto o monotrilho da zona sul está ainda em fase de operação transitória.
Os números praticamente se aproximam da demanda estimada para a Linha 6-Laranja, projetada no estudo com cerca de 534 mil passageiros por dia entre Brasilândia e São Joaquim.
O cenário analisado pelo Metrô, no entanto, não considera a futura expansão da Linha 6 além de São Joaquim, atualmente estudada pela concessionária Linha Uni.
A futura Linha 22-Marrom, entre Sumaré e Cotia, aparece com demanda diária prevista de 678 mil passageiros, sendo 58 mil usuários apenas na hora pico da manhã.
Mapa de estações da Linha 22-Marrom (CMSP)
Segundo o estudo, o trecho mais carregado da linha deverá ficar entre Hospital Universitário e USP-Praça do Relógio, no sentido Sumaré.
O documento aponta ainda forte característica pendular da Linha 22, concentrando grande parte dos embarques em Cotia e região oeste, enquanto os desembarques se intensificam nas proximidades da USP e do centro expandido.
A universidade aparece como um dos principais polos geradores de viagens do projeto. O estudo cita cerca de 49 mil matrículas e 24 mil postos de trabalho no campus, atualmente dependente principalmente de ônibus e transporte individual para acesso.
