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People Mover do Aeroporto de Guarulhos segue indefinido e sem prazo de início

Concessionária GRU Airport organiza nesta semana nova consulta com empresas interessadas para ajudar a formatar implantação
People Mover de Guarulhos terá outra consulta pública nesta semana

Previsto para ter suas obras iniciadas no mês que vem, o “People Mover” que fará a ligação do Aeroporto de Guarulhos à estação da Linha 13-Jade, da CPTM, ainda parece distante de se tornar realidade. Anunciado pelo governador João Doria em maio após acordo costurado com o governo federal e a concessionária GRU Airport, o serviço de transporte entre os terminais e a linha de trens metropolinos passará por mais uma rodada de consultas públicas nesta quinta-feira (21).

A GRU Airport, que será responsável por implantar a solução no lugar dos ônibus usados atualmente, voltará a ouvir fabricantes interessados em participar do projeto. Em junho, na primeira consulta mais de 10 empresas participaram das discussões, segundo a operadora. As inscrições para essa nova rodada se encerram nesta quarta-feira à meia-noite.

Questionada sobre o cronograma de implantação, a GRU Airport respondeu que “o projeto de conexão rápida entre a estação da CPTM e os terminais de passageiros aguarda aprovação formal por parte da Secretaria Nacional de Aviação Civil para a definição da empresa que implantará o sistema de transporte. Tão logo a aprovação seja oficializada, será estabelecida a data de
início da implantação”.

O site também perguntou à Secretaria de Aviação Civil, órgão ligado ao Ministério da Infraestrutura, sobre as perspectivas do projeto e recebeu a seguinte resposta: “A construção e operação de uma conexão rápida entre a estação da CPTM e os terminais de passageiros (T1, T2 e T3) do Aeroporto de Guarulhos, no formato people mover, é resultado de uma decisão conjunta de política pública dos governos estadual e federal, com o intuito exclusivo de oferecer serviços públicos de qualidade à população brasileira, a exemplo do que já acontece nas metrópoles mais desenvolvidas do mundo. Tal iniciativa exigirá o aditamento do contrato de concessão do referido aeroporto de modo a viabilizar a inclusão de nova obrigação de investimento para a concessionária GRU Airport. Nesse sentido, as equipes técnicas da SAC, ANAC e da concessionária estão trabalhando para construir em conjunto o modelo de contratação mais adequado a essa solução de mobilidade urbana”.

Ainda de acordo com a GRU Airport, a nova consulta pública será realizada baseada nos pontos da viabilidade do projeto. Os potenciais fornecedores poderão enviar suas propostas à concessionária a partir das informações apresentadas.

O traçado é o mesmo do projeto original da GRU Airport

Previsão revista

Em julho, durante inauguração do segundo acesso da estação Oscar Freire, o governador revelou um novo prazo de entrega para o “people mover”, dezembro de 2021, ou seja, sete meses após a data estimada em maio que previa que o sistema levaria 18 meses para ser construído com início das obras em setembro deste ano. No mês passado, no entanto, Doria disse apenas que as obras teriam início no segundo semestre deste ano.

Com custo estimado em R$ 175 milhões, o sistema “people mover”, não necessariamente um monotrilho, terá recursos oriundos da outorga paga pela concessionária GRU Airport ao governo federal. A empresa assinou contrato de 20 anos de concessão em que se compromete a repassar cerca de R$ 1 bilhão para a União a cada ano, mas em vários momentos atrasou o pagamento diante de receitas frustradas que previam um movimento muito acima do real no aeroporto, o maior do país.

A solução discutida pela gestão Doria e o governo federal para resolver a ligação entre os trens e o aeroporto foi promover um “desconto” na outorga para que valor fosse investido no terminal. Como diz a nota do Ministério da Infraestrutura, isso depende de um aditamento do contrato para que a concessionária possa direcionar os valores para o projeto.

Quando assumiu a administração do Aeroporto de Guarulhos, a GRU Airport impediu que a Linha 13-Jade seguisse até uma área próxima ao Terminal 2 onde os passageiros poderiam chegar com uma breve caminhada. Na visão da empresa, o local seria usado para a construção de um shopping e um centro de convenções, porém, sete anos depois, não há um tijolo sequer na área. Como alternativa, a concessionária prometeu construir o “people mover” a tempo de ser usado com o ramal de trem, mas o plano não passou disso já que não fazia parte do escopo do contrato.

 

About the author

Ricardo Meier

É um entusiasta do assunto mobilidade e sobretudo do impacto positivo que o transporte sobre trilhos pode promover nas grandes cidades brasileiras. Também escreve nos sites Airway (aviação) e AUTOO (automóveis).

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