Milton Leite é alvo da Polícia em investigação contra o PCC e o transporte público de São Paulo
Operação conta com a participação do Ministério Público e 16 mandados de prisão estão sendo cumpridos
Teve início na manhã desta quinta-feira, 17, uma operação do Ministério Público e Polícia Civil para o cumprimento de mandados de prisão e busca, para núcleos de organização criminosa em São Paulo. Milton Leite, ex-vereador e líder da câmara da capital, é um dos procurados.
De acordo com a polícia, as ações são conduzidas pela Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Mogi das Cruzes que revelou diferentes núcleos estratégicos de uma organização criminosa envolvida com lavagem de dinheiro e infiltração de integrantes na política.
No curso da investigação, foi descoberto o uso de 12 empresas de ônibus da cidade de São Paulo e no interior, como participação ativa dos investigados, com indícios de lavagem de dinheiro.
Os mandados são cumpridos em São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão, mas o ex-vereador não foi localizado, sendo considerado foragido pelas autoridades.
Para a TV Globo, Milton Leite informou que não está foragido, mas sim viajando e ao retornar, vai se apresentar para as autoridades em até 24 horas.
Além de Milton, a Polícia realizou buscas contra o ex-presidente da SPTrans, Levi dos Santos Oliveira e Danilo Marco Morgado Silva, ex-candidato à prefeito de Praia Grande, prendendo os dois.
Essa operação é um desdobramento da Operação Dercúrio, realizada em agosto de 2024 contra um esquema de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas. Na ocasião foi descoberta uma complexa rede de comunicação usada pela facção para manter contato entre integrantes presos e em liberdade, com núcleos denominados “Sintonia Restrita” e “Sintonia dos Gravatas”, além de projetos para lançar integrantes como candidatos nas eleições municipais.
Vista de vários ônibus do transporte público de São Paulo, na Avenida Prestes Maia, centro. ((MetrôCPTM))
Em nota, a Prefeitura de São Paulo informou que atua em conjunto com o Ministério Público e Polícia Civil desde 2024 e a operação de hoje reforça a gravidade dos fatos que motivaram a administração da cidade a intervir na TransWolff, empresa de ônibus.
“A intervenção determinada pela Prefeitura de São Paulo na Transwolff, em abril de 2024, foi uma medida firme e decisiva para proteger o sistema municipal de transporte. Na mesma ocasião, a administração municipal também determinou, por iniciativa própria, a intervenção na UPBus, mesmo sem qualquer solicitação da Justiça. Desde o início das investigações, a Prefeitura agiu com rigor, inclusive encerrando contrato a fim de preservar o interesse público e garantir que a população não fosse prejudicada.
A Prefeitura reforça que, na ocasião, também foi aberto um processo pela Controladoria Geral do Município contra a Transwolff e a UPBus e, desde então, atua em conjunto com o Ministério Público e a Polícia Civil no processo investigatório.
A operação realizada nesta quinta-feira (17) reforça a gravidade dos fatos que motivaram as providências adotadas pela Prefeitura. A administração colabora integralmente com o Ministério Público, fornecendo todos os documentos e esclarecimentos necessários.”
