Linha 15 Linha 17

Monotrilhos da Linha 15 e 17 devem ser concedidos à iniciativa privada

Privatização das linhas pelo Metrô seria uma forma de garantir recursos para sua conclusão, diz o jornal Folha de São Paulo
Estação Oratório (foto) será o único destino de quem chega da Linha 2
Estação Oratório (foto) será o único destino de quem chega da Linha 2
Estação Oratório (foto) será o único destino de quem chega da Linha 2
Estação Oratório (foto) será o único destino de quem chega da Linha 2

O jornal Folha de São Paulo revela nesta terça-feira (13) que o governo do Estado de São Paulo pretende conceder à iniciativa privada as linhas 15 e 17 do Metrô. Ambas foram projetadas como monotrilhos, modal que tem recebido diversas críticas da imprensa nos últimos meses.

A ideia já havia sido aventada pelo governador Geraldo Alckmin meses atrás quando do anúncio da concessão da Linha 5-Lilás. A estratégia do governo tucano é evitar que as obras percam velocidade à medida que a arrecadação com impostos cai com a crise que o país atravessa. Ao mesmo tempo, com as linhas nas mãos de empresas, o Metrô deixa de ter de contratar mais funcionários que são sindicalizados a uma entidade considerada “a favor de greves”.

A Folha apurou também que o governo paulista pensa em passar a tarefa de terminar a extensão dessas duas linhas para o vencedor da concessão – hoje tanto a Linha 15 quanto a Linha 17 só têm parte do trajeto em construção e a conclusão está postergada por falta de recursos.

A Linha 15 encontra-se em operação comercial, porém, das 7 às 19 horas apenas, e somente entre duas estações. As próximas paradas estão atrasadas devido a um problema com o desvio de um córrego na avenida Anhaia Mello. Nenhuma delas teve as fundações realizadas ainda, inviabilizando a ampliação do ramal em curto prazo. A expectativa é que a linha chegue em São Mateus até 2018.

Já a Linha 17 já possui quase toda a via entre a Marginal Pinheiros e o Aeroporto de Congonhas pronta, porém, o pátio de manobras está atrasado, impedindo que possam ser iniciados testes com o monotrilho. Enquanto isso, as oito estações da primeira fase encontram-se em estágios diferenciados: as paradas Vereador José Diniz e Vila Cordeiro estão mais adiantadas enquanto a estação Morumbi nem teve início.

Críticas ao modal

A Folha, novamente, coloca em dúvida a viabilidade do monotrilho, porém, apontando problemas que não se restringem ao modal. O atraso e o aumento de custo não são causados pelo tipo do transporte e sim pela burocracia da gestão pública no país. O jornal é ambíguo ao colocar como desvantagem o fato de as desapropriações não poderem ser revertidas, mas ao mesmo tempo diz que o monotrilho exige menos desapropriações que o metrô convencional.

No artigo, a Folha também opta em valorizar o fato de os monotrilhos nos EUA e Europa serem turísticos e menosprezar o fato de a China e o Japão, países com cidades muito mais populosas e sem planejamento, usarem com sucesso o modal.

Os reais problemas do monotrilho no Brasil tem a ver com a divulgação pelo governo paulista de prazos irreais para um projeto 100% novo. Não há como iniciar a operação de uma linha cujas vias, sinalização, material rodante e outros sistemas são completamente novos num curto espaço de tempo. É preciso um período para assimilar a tecnologia. Basta ver que a construção das vias e estações da Linha 17 está bem mais rápida que na Linha 15. A Linha 18, uma PPP, pode servir como termômetro da viabilidade ou não do monotrilho desde que o governo consiga financiá-la.

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Ricardo Meier

É um entusiasta do assunto mobilidade e sobretudo do impacto positivo que o transporte sobre trilhos pode promover nas grandes cidades brasileiras. Também escreve nos sites Airway (aviação) e AUTOO (automóveis).

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