Moradores dos Jardins se mobilizam contra Linha 20-Rosa no bairro
Coletivo questiona ramal metroviário que, segundo ele, motivará “especulação imobiliária” e trará “impactos ambientais e sociais”
Com o avanço do projeto para a nova Linha 20-Rosa do Metrô na cidade de São Paulo, grupos da sociedade civil começam a se manifestar sobre a implantação do ramal, geralmente com posições contrárias à chegada do transporte na sua região.
A mais recente manifestação veio do “Coletivo Jardins SP”, que afirma que a Linha 20-Rosa pode intensificar a “especulação imobiliária”, trazer “impactos ambientais” com a retirada de vegetação e também causar “problemas sociais”.
O perfil publicou um post no fim de semana em que cobra que a “mobilidade e sustentabilidade precisam andar juntas”.
Gentrificação e verticalização
Um dos pontos levantados pelo coletivo alega que o traçado atravessa “bairros consolidados e áreas sensíveis do ponto de vista ambiental”.
Segundo ele, essas características podem induzir à gentrificação e verticalização do bairro, formado por residências de médio e alto padrão.
As possíveis intervenções da Linha 20-Rosa nos Jardins
O post recebeu comentários criticando sua posição. Em uma resposta, os organizadores do perfil afirmam defender “a retirada de estações dentro de bairros de baixa densidade, exclusivamente residenciais, sejam eles quais forem. Traçado tem que atender a demanda, e não outros interesses”.
No entanto, não há estação dentro dos Jardins já que o Metrô decidiu alterar o trajeto da Linha 20, afastando o ramal do eixo da Avenida Faria Lima.
Em vez disso, a Linha 20 agora cruza o bairro, porém, terá dois poços de Ventilação e Saída de Emergência (VSE) e não a presença de estações de fato. Essas estruturas não têm acesso ou função ativa na prática, exceto em situações de evacuação.
A estação mais próxima do bairro de alto poder aquisitivo é Fradique Coutinho que estará localizada no espaço entre a Avenida Rebouças e a Rua Sampaio Vidal.
Entretanto, um ponto negativo do traçado escolhido pelo Metrô é optar pela integração entre as linhas 20 e 4 em Fradique Coutinho e não na Faria Lima, deixando uma região importante da cidade a cerca de um quilômetro de distância da rede sobre trilhos.
A Linha 20-Rosa quando o plano era cruzar a Avenida Faria Lima (CMSP)
A companhia alegou anteriormente que o trecho não possui demanda que justifique uma estação, a despeito de escritórios e um shopping center.
Gente diferenciada
O coletivo pede que a obra respeite o planejamento participativo, portanto, ouvindo os habitantes locais para a tomada das decisões, embora o pleito esteja claro, que a Linha 20 seja alterada para longe do bairro.
A iniciativa encontra paralelo em outros protestos pela chegada do metrô, um transporte conhecido por requalificar seu entorno para melhor.
A situação mais clássica envolveu uma estação da Linha 6-Laranja próxima à Avenida Angélica. Na ocasião, a declaração de uma moradora tornou-se clássica ao reclamar que a estação traria “gente diferenciada” ao bairro – o Metrô acabou alterando a localização, mais próxima da FAAP.
Antes disso, a futura estação Três Poderes, próxima ao Butantã, foi riscada do projeto após queixas sobre um terminal de ônibus que seria construído ao seu lado.
Canteiro de obras da estação 14 Bis-Saracura (Linha Uni)
Preocupações com especulação imobiliária não são exclusivas da classe média/alta. Organizações do Bixiga, por exemplo, também reclamaram quanto à implantação da estação 14 Bis-Saracura, da Linha 6-Laranja. Além da questão arqueológica, esses movimentos exigiram que o poder público garanta a moradia de minorias na região, temendo a valorização trazida pelo ramal de metrô.
Sobre a Linha 20-Rosa
A Linha 20-Rosa está projetada para ter 33 km de extensão e 25 estações, atravessando principalmente o município de São Paulo e seguindo em direção ao ABC Paulista. O projeto prevê início do trajeto na região da Lapa, com passagem por diferentes bairros até a Zona Sul.
