Desde a segunda-feira (05), os passageiros da Linha 10-Turquesa que embarcam na estação Brás no sentido do ABC Paulista estão convivendo com uma situação nova. Em vez de aguardar que o trem manobre após a estação e volte vazio, os usuários agora precisam aguardar na mesma plataforma de desembarque.

A medida, que teve apenas avisos discretos da CPTM, tem como objetivo dar agilidade ao chamado “carrossel” de trens, o fluxo de composições que trafegma na linha. Sem a necessidade de manobrar, as composições retornam de forma mais rápida sentido Rio Grande da Serra, tornando a espera dos passageiros menor e, sobretudo, reduzindo a necessidade de trens.

Embora não detalhe essa intenção, sabe-se que a companhia passou a utilizar um trem a menos em horário de pico sem perda de capacidade. Em horários menos movimentados, o ramal tem conseguido dar conta da demanda com menos composições que nos sábados em tempos anteriores.

Segundo afirmou a CPTM ao site G1, a alteração reduziu o tempo de viagem total de 56 para 52 minutos, alegando que o trem passou a ficar menos tempo na plataforma. A explicação, no entanto, é conflitante já que a parada na estação não tem relação com a plataforma em que ele está. Seria possível fazer o mesmo manobrando após a estação desde que existissem trens suficientes para isso e a sinalização fosse adequada.

Por isso, a alteração parece ser uma forma de remediar um problema surgido com a recente troca da frota principal da Linha 10-Turquesa que agora conta com os trens da Série 7000 e 7500, mais velozes e modernos que os antigos Série 2100 espanhois. Mas como não há unidades suficientes, as composições antigas ainda são usadas em alguns momentos. Ao retirar ao menos um trem de circulação, a CPTM reduz a necessidade de acioná-los em tese.

Estação Brás: CPTM consegue dar conta da demanda da Linha 10 com um trem a menos

Operação comum

No entanto, ao colocar passageiros desembarcando e embarcando na mesma plataforma, a CPTM tem recebido reclamações dos usuários por conta da confusão de fluxos, especialmente nos horários de pico. Esse tipo de estratégia é comum em outras linhas metroferroviárias como a 4-Amarela, que muitas vezes opera em apenas uma plataforma na estação Luz, por exemplo.

Mas, apesar de ganhar em agilidade, as mudanças implementadas pela companhia no ramal tem gerado críticas dos passageiros que preferem o conforto à velocidade. Mesmo após colocar os trens mais recentes em uso, houve quem lamentasse a saída dos velhos Série 2100, que possuem mais assentos e portas mais largas, mesmo sendo lentos e desgastados.

Não se sabe agora o que a CPTM pretende fazer com a chamada plataforma 2, que deixou de ser usada com a mudança. Como a chegada de mais trens ao ramal deve demorar será difícil voltar a utilizar as duas plataformas para a Linha 10. Ao mesmo tempo há quem aposte que a empresa pode aproveitar o espaço para levar a Linha 7-Rubi até Brás, por exemplo. Ou então utilizá-la para algum serviço expresso, mas até aqui são apenas suposições. Melhor os passageiros se acostumarem ao empurra-empurra.

A ViaQuatro utiliza apenas uma plataforma na estação Luz em certas estratégias (ViaQuatro)