NEXT Mobilidade poderá pagar R$ 130 milhões por atrasos do BRT-ABC

Concessionária alegou que atrasos de licenças foram culpa de CETESB. Deliberação da ARTESP indica que a empresa é a responsável pela postergação da obra

Ônibus elétrico do futuro Corredor BRT ABC em testes pelas vias em construção.
Ônibus elétrico do futuro Corredor BRT ABC em testes pelas vias em construção. (Divulgação Next Mobilidade)

Em decisão publicada no Diário Oficial desta segunda-feira, 23, o Governo de São Paulo deu mais um passo na direção dos processos que podem levar à caducidade do contrato do BRT-ABC.

Segundo a Deliberação 201 da Agência de Transportes do Estado de São Paulo (ARTESP), a obra de um corredor de ônibus elétricos para ligar São Bernardo do Campo até a Capital passando por São Caetano do Sul, está atrasada e a concessionária Next Mobilidade pode vir a ter de pagar R$ 130,9 milhões ao Poder Público.

A decisão ocorreu após o órgão da gestão de Tarcísio negar pleito da empresa de ônibus que procurou responsabilizar a Companhia Ambiental do Estado (CETESB) por não cumprir o cronograma de construção definido em contrato. A Next ainda tentou cobrar do governo algum tipo de ressarcimento ao culpar a companhia ambiental.

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A ARTESP informou, no entanto, ter apurado junto ao setor ambiental que a demora na emissão das licenças foi causada pela própria Next, que promoveu “diversas Requisições de Informações Complementares (RIC) decorrentes das informações apresentadas em seus estudos”. Além disso, o contrato firmado entre a operadora de transporte e Governo define que o prazo de obtenção da documentação necessária para a obra é de responsabilidade exclusiva da concessionária.

“O risco pelo prazo de obtenção das licenças ambientais de instalação é exclusivo da Concessionária, nos termos das Cláusulas 43.3(v) e 43.3.1 do TAM nº 13/2021”, cita parte do documento.

Placa da obra do BRT-ABC (Jean Carlos)
Placa da obra do BRT-ABC registrada em 2023 que previa a entrega do serviço em 2024, o que não aconteceu (Jean Carlos)

Não bastasse o atraso e ação da concessionária em empurrar a terceiros a culpa pelo atraso na obra, ainda existe a possibilidade de um pagamento financeiro em favor do Estado ser aprovado. Na mesma deliberação a ARTESP reconheceu um desequilíbrio financeiro de contrato em favor do Governo no valor de R$ 130.941.568,29 (cento e trinta milhões, novecentos e quarenta e um mil, quinhentos e sessenta e oito reais e vinte e nove centavos) em razão da “postergação dos investimentos”, ou seja, alteração no prazo para conclusão da construção.

A ata foi aprovada por unanimidade e determinou a adoção das medidas pertinentes em relação ao caso.

Obra de 18 meses

A determinação da Artesp ocorre em meio a seguidos atrasos na implantação do corredor de ônibus que foi proposto com uma alternativa barata e rápida para o lugar da Linha 18-Bronze de metrô. Na época, a gestão Doria prometeu tirar o BRT-ABC do papel em apenas 18 meses. No entanto, o projeto se arrasta há quase sete anos, tempo mais do que suficiente para construir uma linha de metrô do zero.

Dias atrás, a empresa divulgou um vídeo sobre o andamento das obras mostrando apenas metade do traçado, de São Bernardo até a futura estação Vila Império, ignorando partes onde não há nenhuma ou quase nula movimentação de trabalhos como na região da estação Goiás e o trecho compartilhado com a CPTM, em Tamanduateí já na capital.

A antiga Metra alega que a obra atingiu 58% do cronograma, mas é notória a ausência de atividades em vários pontos enquanto a promessa de facilitar o acesso à malha metroferroviária não tem prazo claro de ser cumprida.

Recentemente, o governador Tarcísio de Freitas chegou a alegar que neste ano de 2026 a Next Mobilidade sequer conseguirá levar o serviço de ônibus até o local de integração com a Linha 2-Verde, um dos pilares principais para tornar o corredor de ônibus minimamente atrativo no quesito de conexão intermodal.