Mesmo com apenas R$ 11,5 milhões no orçamento, Metrô cita 2027 como início das obras da Linha 19
Companhia mantém previsão para a Linha Celeste, mas início dos trabalhos ainda depende de procedimentos administrativos e contratação das obras
O Metrô de São Paulo continua trabalhando com 2027 como referência para o início das obras da Linha 19-Celeste, mesmo com apenas R$ 11,5 milhões reservados para o projeto na proposta de Orçamento do Estado para o próximo ano.
A informação foi divulgada pela revista O Empreiteiro nesta terça-feira (6), em reportagem sobre o andamento da contratação das obras civis e dos sistemas da futura linha entre o centro de São Paulo e Guarulhos.
Segundo a publicação, o Metrô informou que a programação prevê o início das atividades em 2027, mas condicionou esse cronograma à conclusão dos procedimentos administrativos ainda em andamento.
A declaração mantém a perspectiva adotada pela companhia nos últimos anos, mas surge poucos dias depois de o MetrôCPTM revelar que o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027 prevê somente R$ 11.475.314 para a Linha 19.
O valor chama atenção diante da dimensão dos contratos que estão em processo de contratação. Somadas, as propostas vencedoras dos três lotes de projeto executivo e obras civis chegam a aproximadamente R$ 18,61 bilhões.
Resultado final do Lote 01 da Linha 19-Celeste (CMSP)
Contratos ainda não foram assinados
As obras civis da Linha 19 foram divididas em três grandes lotes, cada um responsável por cinco estações e seu respectivo trecho de túneis.
O Lote 1, que abrange as cinco estações em Guarulhos, teve como vencedor o Consórcio AGIS-OHLA-Cetenco, com proposta de cerca de R$ 5,01 bilhões.
Os lotes 2 e 3 foram vencidos pelos consórcios Via Celeste 2 e Via Celeste 3, formados por Odebrecht (OEC), Álya e Ghella, com propostas de R$ 6,705 bilhões e R$ 6,896 bilhões, respectivamente.
O Lote 2 compreende o trecho entre Jardim Julieta e Vila Maria, incluindo o Pátio Vila Medeiros, enquanto o Lote 3 segue de Vila Maria até Anhangabaú.
Dados da Linha 19-Celeste (CMSP)
Nenhum dos três contratos havia sido assinado no início de outubro. As concorrências foram marcadas por recursos administrativos e disputas judiciais durante 2026, embora os processos tenham continuado a avançar.
Segundo a reportagem, os lotes encontram-se atualmente em diferentes etapas administrativas. O Metrô condicionou justamente à conclusão desses procedimentos a programação para iniciar as atividades em 2027.
Orçamento destina valor muito inferior ao porte das obras
Como mostrou o MetrôCPTM na semana passada, os R$ 11,5 milhões previstos no PLOA correspondem a cerca de 0,06% dos R$ 18,61 bilhões somados pelos três contratos de obras civis.
A comparação não significa que todo o valor dos contratos tenha de estar disponível no primeiro ano. Os lotes 2 e 3, por exemplo, possuem prazo de execução de 75 meses, ou seis anos e três meses, e os pagamentos ocorrerão conforme a evolução dos serviços.
Também é possível que o governo amplie os recursos para a Linha 19 durante 2027 por meio de suplementações ou remanejamentos orçamentários.
Pátio da Linha 19-Celeste (CMSP)
Ainda assim, a dotação inicial contrasta com os valores destinados a projetos que já estão em construção. A expansão da Linha 2-Verde possui R$ 3,178 bilhões previstos para 2027, enquanto a Linha 15-Prata terá R$ 1,021 bilhão.
O próprio governo, ao divulgar os investimentos metroferroviários previstos no Orçamento de 2027, destacou individualmente recursos para diversos projetos em execução, mas não mencionou a Linha 19.
Previsão de obras já mudou
O cronograma da Linha 19 vem sendo alterado à medida que o projeto passa pelas etapas anteriores à implantação. Em 2024, quando o Metrô lançou a licitação dos três lotes, a perspectiva era iniciar os trabalhos em 2026.
Em julho de 2025, no entanto, o governador Tarcísio de Freitas afirmou ao MetrôCPTM que o cronograma já apontava para 2027. Segundo ele, o período anterior seria necessário para concluir etapas como contratação, licenciamento e desenvolvimento dos projetos.
Divisão de lotes da Linha 19-Celeste (Jean Carlos)
A nova informação atribuída ao Metrô mantém 2027 como referência, embora sem estabelecer uma data para assinatura dos contratos ou para o início efetivo dos canteiros.
Linha terá três tuneladoras
A Linha 19-Celeste terá 17,6 km de extensão e 15 estações entre Anhangabaú, no centro de São Paulo, e Bosque Maia, em Guarulhos.
O projeto prevê uma linha inteiramente subterrânea e a utilização simultânea de três tuneladoras, uma em cada lote, além de 18 poços de ventilação e saídas de emergência e do Pátio Vila Medeiros. A demanda projetada é de aproximadamente 630 mil passageiros por dia.
Além dos R$ 18,61 bilhões referentes aos três grandes contratos de projeto executivo e obras civis, serão necessários investimentos em sistemas, material rodante, desapropriações e outros itens para colocar a linha em operação.
