Primeiro trem Série 8500 da CPTM

Primeiro trem Série 8500 da CPTM

Julho de 2015: a CPTM recebe o primeiro dos 35 trens da nova Série 8500 produzidos pela CAF em São Paulo. Mais modernos e capazes, eles fazem parte de uma encomenda de 65 unidades que deve tirar de serviço dezenas de trens velhos, alguns com várias décadas de uso e desconforto para os passageiros.

Dezembro de 2015: a CCR Metrô Bahia recebe o primeiro de 34 trens da Rotem que farão parte da frota do metrô de Salvador, recentemente inaugurado. No domingo passado (15), cinco deles passaram a ser utilizados na linha 1, juntando-se a outros sete trens da primeira encomenda.

E os trens da CPTM? Continuam em testes sem previsão de entrada em serviço.

A grande questão é entender porque uma empresa leva apenas cinco meses para liberar novos trens para operação e outra, após 10 meses, continua testando suas novas composições.

Algumas explicações são óbvias: a CCR é uma empresa privada e por isso não quer trens parados causando prejuízos. Já a CPTM é uma estatal que dá prejuízo todos os anos por vários motivos, a maior parte, é verdade, fora da sua alçada.

Novos trens do metrô da Bahia: em operação em cinco meses

Novos trens do metrô da Bahia: em operação em cinco meses

A questão é que a situação extrema entre os dois exemplos gera dúvidas se, cada uma a seu modo, exagera em seus objetivos. Será que a CCR não colocou os trens em serviço sem que estejam testados por completo? Será que os testes da CPTM não poderiam ser feitos com mais celeridade sem perder a qualidade?

Outro ponto a se relevar é que a missão do trem da Rotem no Metrô de Salvador é mais “leve”: a linha 1 ainda opera transportando pouca gente e com intervalos que em São Paulo seriam “eternos” – apenas agora serão reduzidos para 6 minutos no pico.

Já a Série 8500 deverá ser usada em linhas sobrecarregadas, em processo de modernização (ou seja, com problemas de alimentação elétrica e de velocidade) e não pode falhar, caso contrário veremos o costumeiro caos no sistema.

Transparência

A situação só demonstra como falta transparência nas ações da CPTM e do Metrô. A modernização das vias, por exemplo, só tem seu andamento conhecido em relatórios anuais ou se requisitamos os dados pelo SIC (Serviço de Informação ao Cidadão). Não era para ser assim. Esse tipo de informação deveria ser atualizado no site da empresa mensalmente como forma de prestação de contas ao público que suporta atrasos, desconforto e problemas nas seis linhas atuais.

Quanto à entrada em serviço da Série 8500? A última previsão havia sido dada no ano passado pelo secretário Clodoaldo Pelissioni, que prometia início de operação em outubro de 2015. Desde então, apenas silêncio e vários trens novos parados nos pátios.