A prometida Linha 19-Celeste do Metrô de São Paulo ganhou um status de prioridade no atual governo, embora venha sofrendo alguns reveses recentes, como no caso da licitação de projeto básico, anulada pelo Tribunal de Contas do Estado. Mas não há dúvida que o futuro ramal de 17,6 km e 15 estações em sua primeira fase, deve aos poucos se transformar em realidade nos próximos anos.

Um sinal disso é que o Metrô solicitou à Prefeitura de São Paulo uma autorização para uso e ocupação do solo, um tipo de aval para iniciar estudos do impacto dessas intervenções nas regiões onde serão instaladas as estações e poços de ventilação, além do pátio de manutenção.

O site teve acesso a um documento que detalha as estações dentro da capital paulista e que é baseado no projeto funcional realizado anos atrás. Entre as principais mudanças que a Linha 19 provocará em São Paulo está justamente sua implantação na região central da cidade. Além de duas estações conectadas com outros ramais do Metrô, a linha também criará um novo ponto de conexão na futura estação Pari, onde haverá também uma parada da CPTM.

São novidades bastante impactantes para os usuários, que assim terão novas possibilidades de trajetos no chamado centro velho da capital. Embora essas paradas utilizem a mesma denominação das estações originais, elas serão na verdade separadas fisicamente e exigirão uma certa caminhada nos moldes do que ocorre hoje na ligação entre as linhas 2-Verde e 4-Amarela (Consolação-Paulista).

Entenda a seguir como deverão ser essas três novas estações:

Estação Pari da Linha 19

Estação Pari

A futura estação Pari será construída no subsolo da região onde hoje funciona a Feira da Madrugada. O centro comercial, aliás, está de mudança para uma estrutura maior e mais moderna que estão construção do outro lado das vias da CPTM. Nesse local, a intenção é que seja criada uma parada para as linhas 11-Coral e 12-Safira, de onde os passageiros poderão acessar a Linha 19 e vice-versa.

É uma região que hoje depende de transporte público e só possui a estação Brás nas proximidades, a cerca de 1 km de distância. Também conhecida pela Zona Cerealista, o entorno também possui vários equipamentos públicos como o Museu Catavento, o Mercado Municipal e o futuro SESC Brás, entre outros. Ao contrário de outros ramais ferroviários nas proximidades que utilizam  pontes, a Linha 19 cruzará o Rio Tamanduateí a uma profundidade de 29 metros.

Estação São Bento da Linha 19

Estação São Bento

A estação da Linha 1-Azul é uma das mais originais da rede metroferroviária, com inúmeros acessos e um pioneiro centro comercial, com ramificações na Ladeira Porto Geral e o Vale do Anhangabaú. Pois a Linha 19 deve ampliar ainda mais a área de influência da estação São Bento já que o Metrô planeja implantá-la no mesmo eixo da avenida Prestes Maia e sob o túnel viário que a liga a avenida 23 de Maio.

Ou seja, haverá cerca de 200 metros de distância entre as plataformas das linhas Azul e Celeste. Além disso, a futura parada ficará a quase 33 metros de profundidade, o que significa um grande desnível e que exigirá deslocamentos verticais significativos.

Por outro lado, caso a estação seja construída dessa forma, passará a ser um novo atrativo na região, somada à recente reforma do Vale do Anhangabaú, que pretende requalificar o local. Não faltam, inclusive, imóveis tomados em seu entorno: são cerca de 29 equipamentos, entre eles o Centro Cultural Correios, a Praça das Artes e o Viaduto Santa Efigênia. Segundo o Metrô, um dos acessos ficará ao lado do antigo prédios dos Correios.

Estação Anhangabaú da Linha 19

Estação Anhangabaú

A estação da Linha 3-Vermelha corte hoje o Vale da Anhangabaú, com acessos em ambos os lados. Sua homônina da Linha 19, no entanto, ficará um pouco distante desse ponto e no eixo longitudinal. Segundo a proposta inicial da companhia, a parada deverá ser construída justamente embaixo do terminal de ônibus da Praça da Bandeira, com profundidade de 30 metros. Assim como São Bento, os passageiros terão de andar um bom percurso, de cerca de 120 metros entre as duas estações, para realizar uma baldeação.

Ou seja, sua localização mais ao sul facilitará o acesso à rede metroferroviária para quem frequenta a região da rua Dona Maria Paula ou avenida Nove de Julho, para citar dois exemplos. A Câmara Municipal de São Paulo é um dos mais importantes equipamentos públicos na área também.

Redistribuição de passageiros

Quando estiverem funcionando, as três estações deverão contribuir para melhorar a conectividade da rede sobre trilhos de São Paulo. Além de atrair uma grande quantidade de pessoas que hoje moram em Guarulhos e na Zona Norte de São Paulo, a Linha 19-Celeste poderá adensar regiões que hoje possuem poucas residências, contribuindo para a redução do tempo desperdiçado no trânsito e também nas emissões de poluentes de automóveis e ônibus.

A lamentar apenas o fato de que a Linha 19-Celeste ainda está bastante distante de tornar-se realidade. Mesmo que consiga destravar o projeto básico, necessário para modelar a licitação de concessão para a iniciativa privada, o governo do estado terá ainda um longo caminho para contratar uma empresa. As obras, um tanto complexas, exigirão ao menos cinco anos para serem concluídas, o que coloca o novo ramal num horizonte a partir do final década de 2020.

O novo centro comercial da Feira da Madrugada ficará ao lado da futura estação Pari (FM)