Tarcísio defende capacidade técnica da Trivia após início conturbado nas linhas 11, 12 e 13

Governador afirmou em sabatina que concessionária cumpriu requisitos da licitação e reconheceu que resposta aos problemas nos primeiros dias foi ruim

Trem com a pintura da Trivia Trens, estacionado na estação Brás da Linha 12-Safira
Trem com a pintura da Trivia Trens, estacionado na estação Brás da Linha 12-Safira ((MetrôCPTM))

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), defendeu a capacidade técnica da Trivia Trens para operar as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, apesar da sequência de falhas que levou o governo estadual a devolver temporariamente a operação dos três ramais à CPTM.

A declaração foi dada durante sabatina promovida pela rádio CBN e pelos jornais O Globo e Valor Econômico. Segundo Tarcísio, a concessionária cumpriu os requisitos técnicos operacionais e profissionais exigidos na licitação do Lote Alto Tietê e teria sido desclassificada da concorrência caso não atendesse às condições estabelecidas.

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A Trivia Trens faz parte do mesmo grupo que controla a TIC Trens, concessionária da Linha 7-Rubi e responsável pela futura implantação do Trem Intercidades (TIC) Eixo Norte e do Trem Intermetropolitano (TIM). O grupo também participa de concessões de transporte sobre trilhos em outros estados.

A estreia da Trivia, entretanto, tornou-se um dos episódios mais problemáticos do processo de concessão da malha da CPTM.

Transição começou dois meses antes

A preparação para a troca de operadores não ocorreu de forma imediata. A Trivia iniciou ainda em fevereiro intervenções em 23 estações das três linhas, durante a fase pré-operacional do contrato.

Em 21 de maio começou a prática operacional supervisionada. Mais de mil funcionários haviam passado por treinamento e profissionais da concessionária passaram a executar atividades de operação, atendimento, tráfego e controle operacional nas próprias linhas, acompanhados pela CPTM.

Esse período serviu para familiarizar as equipes com a infraestrutura, sinalização, procedimentos de circulação e funcionamento do Centro de Controle Operacional antes da transferência efetiva das atividades.

Trem da Trivia Trens na estação Palmeiras-Barra Funda da Linha 11-Coral ((MetrôCPTM))

A mudança ocorreu em 21 de julho. A Trivia passou a responder pela operação e manutenção das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade, além do Serviço Expresso Aeroporto, ainda dentro de uma fase de operação que contaria com acompanhamento da CPTM.

A concessão tem duração de 25 anos e prevê R$ 14,3 bilhões em investimentos, incluindo modernização da infraestrutura, novas estações e expansões da rede.

Três dias foram suficientes para governo recuar

Logo nos primeiros dias sob comando da nova concessionária, uma sucessão de ocorrências atingiu os ramais. O episódio mais grave ocorreu em 23 de julho, quando uma falha de energia afetou as três linhas e um trem sofreu um incêndio na região do Brás. Passageiros chegaram a desembarcar e caminhar pelas vias.

A sequência levou a Artesp a determinar que a CPTM reassumisse a operação por um período inicialmente previsto em até 90 dias. A estatal voltou ao comando dos três ramais na madrugada de 24 de julho, apenas três dias depois da transferência para a Trivia.

Na sabatina, Tarcísio reconheceu a gravidade da situação e criticou a atuação da própria concessionária. “Foram três dias seguidos de problema e esses problemas eram muito graves e a resposta da empresa foi ruim”, afirmou.

Interior do trem pertencente as Trivia Trens, atingido por incêndio na manhã desta quinta (23) (Reprodução Redes Sociais)

O governador destacou que a possibilidade de recuo estava prevista no contrato de concessão e que a agência reguladora tinha poderes para determinar o retorno da CPTM. Segundo ele, a experiência também deverá ser utilizada para rever os protocolos adotados em futuras transições.

O Ministério Público de São Paulo abriu posteriormente um inquérito civil para investigar as falhas ocorridas nas linhas e também a atuação da Artesp e da Secretaria de Transportes Metropolitanos na fiscalização do processo de transferência da operação.

Concessão não significa melhora imediata, diz Tarcísio

Durante a entrevista, Tarcísio também rejeitou a ideia de que a transferência de serviços para empresas privadas resulte automaticamente em melhora da qualidade.

Segundo o governador, o objetivo das concessões ferroviárias é principalmente mobilizar investimentos privados e antecipar intervenções que demorariam mais para serem realizadas apenas com recursos públicos.

Governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, durante coletiva no Metrô de São Paulo. (MetrôCPTM)

Ele reconheceu, porém, que a melhoria do serviço ocorre em ritmo inferior ao esperado pelos passageiros e afirmou não considerar a concessão uma solução que necessariamente torna uma operação melhor apenas por transferi-la à iniciativa privada.

Enquanto esse processo continua, a situação das três linhas permanece atípica: a Trivia é a concessionária responsável pelo Lote Alto Tietê, mas a CPTM segue diretamente envolvida na operação após a intervenção determinada em julho.