Trem-bala Rio-SP revê cronograma e espera concluir projeto básico em 2027

Apresentação da empresa TAV Brasil coloca financiamento do novo ciclo e licenciamento ambiental entre as prioridades atuais do projeto

Projeto do trem-bala Rio-São Paulo anda lentamente
Projeto do trem-bala Rio-São Paulo anda lentamente (Imagem gerada por IA)

O projeto do Trem de Alta Velocidade entre São Paulo e Rio de Janeiro passou por uma nova revisão de cronograma. Em apresentação realizada durante a 32ª Semana de Tecnologia Metroferroviária, a empresa TAV Brasil indicou que pretende concluir o projeto básico e entregar o Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA-RIMA) em 2027.

A informação ajuda a dimensionar o estágio atual do empreendimento, autorizado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) em 2023. Apesar das sucessivas previsões para o início das obras, a ferrovia ainda se encontra na fase de desenvolvimento dos projetos, estruturação financeira e licenciamento ambiental.

O material obtido pelo MetrôCPTM mostra novembro de 2026 como o próximo marco do cronograma, quando a empresa pretende iniciar um “diálogo com mercado para financiamento do 2º ciclo de projeto e licenciamento”. A apresentação define o momento atual como um novo ciclo de maturação do projeto e do licenciamento ambiental.

O planejamento é diferente daquele divulgado quando a TAV Brasil obteve a autorização federal. Em 2023, a expectativa era concluir estudos e projetos até dezembro de 2024, obter as licenças prévias entre 2024 e 2025 e desenvolver o projeto executivo entre o segundo semestre de 2024 e o primeiro semestre de 2026. As obras começariam no segundo semestre de 2026.

Receba notícias quentes sobre mobilidade sobre trilhos em seu WhatsApp! Clique no link e siga o Canal do MetrôCPTM.

Cronograma atualizado do Trem de Alta Velocidade Rio-SP (Reprodução)

Essas datas não se concretizaram. Em março de 2025, o CEO da TAV Brasil, Bernardo Figueiredo, trabalhava com início da construção em 2027 e operação comercial em 2032. Posteriormente, a previsão para as obras passou a 2028, em meio às dificuldades para cumprir o calendário do licenciamento ambiental.

Novo cronograma

A defasagem foi reconhecida novamente neste ano. Em fevereiro, Figueiredo afirmou que o processo de licenciamento acumulava atraso de cerca de um ano e meio e passou a projetar o começo das obras até 2029 e a operação comercial em 2033, um ano depois da meta inicialmente divulgada.

Estação Água Branca (TIC Trens)

A apresentação feita agora não mostra, ao menos no material ao qual o MetrôCPTM teve acesso, novas datas para início da construção ou da operação. Por isso, não é possível afirmar se esses dois marcos também foram novamente modificados.

O que o novo cronograma estabelece é uma etapa anterior: a conclusão do projeto básico e a entrega do EIA-RIMA estão previstas para 2027. Além disso, a captação mencionada para novembro deste ano não corresponde ao financiamento dos cerca de R$ 60 bilhões estimados para construir a ferrovia, mas ao segundo ciclo de desenvolvimento do projeto e ao licenciamento.

A TAV Brasil recebeu em 2023 autorização da ANTT para construir e explorar a ligação ferroviária por 99 anos. Diferentemente de uma concessão tradicional promovida pelo governo, a autorização transfere à empresa a responsabilidade pela estruturação e implantação do empreendimento, sem assegurar os recursos necessários para tirá-lo do papel.

Estação Barão de Mauá (Leopoldina): terminal do TAV no Rio (Tomas Silva/Agência Brasil)

Busca por investidor

O financiamento permanece como uma das questões centrais do projeto. Figueiredo afirmou em junho que a TAV Brasil mantinha conversas com um possível investidor europeu, depois de contatos também com grupos chineses. A companhia busca parceiros com capacidade financeira e técnica para participar de uma obra cuja dimensão está muito acima dos recursos próprios da atual estrutura da empresa.

O material apresentado na Semana de Tecnologia Metroferroviária volta a mencionar o “interesse de Consórcio Europeu em participar da SPE TAV Brasil”. O slide, entretanto, não identifica o grupo nem informa a existência de acordo ou compromisso de investimento.

A proposta atualmente apresentada pela empresa considera uma ferrovia de aproximadamente 417 km entre São Paulo e Rio de Janeiro.