Movimento foi intenso após a abertura

Você certamente leu e ouviu várias referências ao tempo em que se espera pela estação Higienópolis-Mackenzie, da Linha 4-Amarela, e que foi entregue finalmente nesta terça-feira (23). O próprio blog ressaltava no mês passado os “13 anos” que se passaram desde que a linha começou a ser construída, mas outras manchetes da imprensa falaram também dos quatro anos de atraso, desde que o governo do estado previu entregá-la em 2014. Mas a abertura da estação tem uma data muito mais significativa.

Trata-se da primeira estação inaugurada na região central de São Paulo desde 10 de dezembro de 1983 quando foi aberta Santa Cecília, da Linha 3-Vermelha. Sim, há pouco mais de 34 anos a cidade não ganhava uma parada de metrô num raio de até dois quilômetros do marco zero, ou seja, a Praça da Sé. Um fato curioso e ao mesmo tempo triste, um sinal da decadência dessa região nos últimos anos. É verdade que a capital paulista se expandiu e novas regiões tomaram parte do protagonismo do “centro velho” assim como há de se reconhecer que a própria Linha 4 abriu as portas tanto em República quanto Luz. No entanto, eram pontos já atingidos pela rede metroviária há muito tempo.

Talvez por isso o blog tenha testemunhado durante a abertura de Higienópolis-Mackenzie um fenômeno: o fluxo de passageiros foi intenso já a partir do momento em que os trens começaram a parar na estação. Como que houvesse um represamento natural da demanda em todo esse tempo.

Não é à toa que são esperadas nada menos que 42 mil pessoas diariamente na estação, a oitava a ser aberta na Linha 4. Significa dizer que ela disputará com sua vizinha, a estação Paulista, o posto de parada mais movimentada do ramal, à frente de Luz, Pinheiros ou República.

Passageiros distraídos

A cerimônia de inauguração da estação contou com tudo o que se espera desses momentos: claque de apoiadores do governador Geraldo Alckmin, postulante à candidatura à presidente da República pelo PSDB, integrantes do movimento Passe Livre reclamando da tarifa de R$ 4,00, políticos, trabalhadores da obra e vários estudantes do Mackenzie, faculdade que fica ao lado da estação e que leva seu nome. Todo esse contingente “simulando” os futuros dias de movimento intenso que a estação deverá ter.

Para quem pôde contemplar a nova parada viu que ela se assemelha à estação Paulista e Pinheiros. Vários lances de escadas rolantes para chegar até o mezanino, uma plataforma de forma circular e um mezanino metálico quase de uma ponta a outra. Isso porque ela se ligará futuramente à estação homônima da Linha 6-Laranja, que deve ter suas obras retomadas este ano. Na ponta sul do mezanino é possível notar um imenso espaço destinado a receber um túnel de ligação com a nova linha.

As poucas diferenças de Higienópolis-Mackenzie estão nas escadas fixas metálicas que ficam num dos cantos do poço de acesso principal e um elevador para pessoas com dificuldade de locomoção que leva do térreo até o mezanino. Neste estão as bilheterias e os bloqueios – os passageiros que entrarem pelo acesso secundário “Ouro Preto” se conectam por um túnel no piso superior ao mezanino. Também as paredes da plataforma exibem pastilhas em tom verde, um dos poucos aspectos que diferem de outras estações.

Por falar nisso, a semelhança com a estação Paulista deve ter causado confusão em vários usuários. Com o trem parando na nova estação, gente distraída certamente desceu no lugar errado e só se deu conta depois que percebeu que não existe ligação com a Linha 2-Verde.

Outra novidade da estação é quase ausência de escadas fixas na plataforma. São apenas duas, nas pontas de ambos os lados. Segundo o Metrô, a estação tem nada menos que 25 escadas rolantes além de cinco elevadores.

Estação Higienópolis-Mackenzie está a 2 km do marco zero de São Paulo

Como está no meio do trecho operacional da Linha 4, a estação não acrescentou nenhum metro à extensão de metrô da cidade, mas ela passa a ser a 72ª parada entregue nas seis linhas que compõem o sistema (sem contar a CPTM). O governo segue apostando que entregará Oscar Freire em março e São Paulo-Morumbi em julho – Vila Sônia, a última do projeto inicial, deve abrir em dezembro de 2019. A previsão parece otimista como sempre, mas as duas primeiras devem integrar a linha em 2018, sem dúvida.

Agora, as próximas estações a serem construídas na região central devem demorar bem menos que os referidos 34 anos. Caso o novo consórcio responsável pela Linha 6-Laranja consiga assumi-la este ano é provável que as futuras estações 14 Bis (na avenida Nove de Julho) e Bela Vista (na avenida Brigadeiro Luiz Antonio) fiquem prontas por volta de 2023 e acrescentarão mais opções de destino para quem precisa chegar ao um dia glorioso centro de São Paulo.