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Trilhos de São Paulo versus Londres: acessibilidade

Infraestrutura para pessoas com dificuldade de locomoção é um ponto fraco da rede londrina
Metrô de Londres: acessibilidade pior que a de São Paulo

Após falarmos sobre o tamanho e também sobre tarifas e métodos de cobrança dos sistema sobre trilhos de São Paulo e Londres, agora é a vez de analisar a acessibilidade em ambos. Como é uma preocupação que só ganhou força nos últimos anos, redes de metrô e trens metropolitanos mais antigas oferecem menos infraestrutura para cadeirantes e pessoas com dificuldade de locomoção.

Nesse aspecto, Londres fica bem atrás de São Paulo. No “Tube”, o metrô, são apenas 78 estações equipadas com rampas e/elevadores de um total de 270 paradas, ou menos de 30% delas. No Overground, espécie de CPTM londrina, são 58 estações acessíveis de 81 em funcionamento enquanto o DLR, um metrô leve como nosso monotrilho, todas são “step-free”, como dizem em inglês, algo como livre de degraus.

Mesmo em estações acessíveis da capital londrina, algumas são simplórias nesse sentido. Em plataformas ao nível da rua muitas vezes o passageiro cadeirante acessa a estação por uma rua e deixa o local por outra rua devido à ausência de elevadores para que possa usar a mesma saída.

A TFL, empresa que controla o transporte público na Grande Londres, possui um plano de implantação de acessibilidade que deve elevar para 100 estações preparadas para esses usuários ou 38% do total até 2024. Enquanto isso, muitos passageiros com mobilidade reduzida são obrigados a usar outras estações mais distantes de seu destino para conseguirem sair com seus próprios recursos.

Metrô 100%

A realidade paulista é bem superior à de Londres. O metrô, por exemplo, tem 100% de estações acessíveis, um trabalho que começou anos atrás quando as linhas mais antigas receberam intervenções para a instalação de elevadores, rampas e outros equipamentos facilitadores. Nas novas linhas essa preocupação já estava prevista e hoje temos até estações como AACD-Servidor, com elevadores superdimensionados para facilitar o acesso.

A CPTM, por outro lado, sofre do mesmo problema do metrô londrino, a idade avançada de suas estações, muitas delas precárias. São cerca de 40 paradas que não contam com elevadores, embora parte delas tenha acesso ao nível da rua. Enquanto as linhas 9-Esmeralda e 13-Jade possuem elevadores em todas as estações, a Linha 10-Turquesa tem apenas duas estações equipadas com elevadores, Brás e Tamanduateí, esta uma nova construção feita pelo Metrô. As linhas 8-Diamante e 7-Rubi também têm um número alto de paradas sem infraestrutura.

A companhia de trens metropolitanos, no entanto, prometia oferecer o recurso em todas as suas estações até 2020.

Bloqueios ideais

Se o sistema sobre trilhos londrino tem piso tátil em boa parte das suas estações, os trens deixam a desejar quanto ao espaço necessário para cadeirantes. Muitos deles mal comportam uma cadeira de rodas sem falar no desnível apresentado em diversas estações que chega a pelo menos 25 cm. Mais uma vez, a rede paulista é melhor estruturada no geral com pisos táteis, sinalização em braile além de um serviço de apoio de funcionários. A CPTM, no entanto, compartilha algumas plataformas com imensos vãos, também vistos em algumas estações de Londres.

O ponto fraco do Metrô e da CPTM em grande parte de suas estações diz respeito aos bloqueios que não permitem que cadeirantes tenham autonomia para validar seus bilhetes. Em vez disso, o que se vê na maior parte dos casos são portinholas controladas por funcionários. Nesse sentido, os bloqueios londrinos se saem melhor por permitirem que não só cadeirantes, mas também idosos, obesos, pais com crianças, entre outros, possam acessar as estações sem dificuldade.

Bloqueio mais largo em Londres: independência para usuários

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Ricardo Meier

É um entusiasta do assunto mobilidade e sobretudo do impacto positivo que o transporte sobre trilhos pode promover nas grandes cidades brasileiras. Também escreve nos sites Airway (aviação) e AUTOO (automóveis).

Um comentário

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  • Vale lembrar que acessibilidade não é apenas rampas e pisos táteis. Todos os avisos sonoros do metrô também deveriam ser visuais para quem tem deficiência auditiva. Em Londres quase todos os trens têm um letreiro indicando qual estação você está e para qual dado do trem você sai. Em São Paulo alguns trens mais novos têm isso, mas muitos não. O mapa em cima da porta com luzinhas e a luzinha que indica que a porta vai fechar também são úteis para quem não escuta.

    Além disso, todos os guichês do metrô de Londres possuem um recurso chamado hearing loop, onde o deficiente auditivo pode conectar seu aparelho auditivo diretamente ao sistema de som do atendente.

    Londres também está testando um sistema que guia os cegos através a estação usando fones de ouvidos wireless. https://www.youtube.com/watch?v=mc3KmbfxuUQ

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