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Movimento de passageiros na Linha 13-Jade cresce, mas está bem distante da capacidade

Dez meses após iniciar operação comercial, novo ramal da CPTM ainda mantém intervalos altos e atrai poucos passageiros
Movimento na Linha 13-Jade durante greve de ônibus em Guarulhos | Foto: Gustavo Bonfate

Mais comentada estação da Linha 13-Jade, “Aeroporto Guarulhos” praticamente dobrou seu movimento de passageiros desde junho de 2018, quando a operação do novo ramal da CPTM começou. Soa como algo a celebrar, mas não é. A linha de trens metropolitanos segue operando com intervalos altos e velocidade abaixo da prevista um ano após ser inaugurada.

Primeira ligação moderna sobre trilhos a chegar ao município de Guarulhos, a Linha 13 tem bons motivos para se transformar em um dos ramais mais importantes da CPTM, porém, diante das prioridades da gestão do ex-governador Geraldo Alckmin que desejava inaugurá-la como uma das vitrines de sua campanha eleitoral para a presidência da República, o resultado foi pífio.

Hoje o trecho de cerca de 12 km de vias próprias (incluindo áreas não usadas comercialmente) não chega a lugares relevantes: a estação mais próxima da região central é Engenheiro Goulart, distante exatos 13 km do marco zero de São Paulo. Na outra ponta, a linha para a cerca de 2 km do Aeroporto de Guarulhos, o maior do país e do qual deveria ter se transformado em alternativa rápida e barata de transporte.

Na prática, no entanto, nada disso ocorreu e pior, por ter sido entregue às pressas a Linha 13 nem foi devidamente testada. O sistema de sinalização, por exemplo, teve problemas com a fornecedora, a Siemens. Com isso, os trens têm de manter intervalos altos e velocidades mais baixas por segurança. De quebra, o ramal ainda não tem trens próprios já que a licitação atrasou ainda mais que a própria construção, ela também entregue bem depois do planejado.

Enquanto isso não ocorre, a linha Jade aos poucos têm angariado passageiros que certamente têm precisado se programar para usá-la, afinal perder um trem significa um acréscimo significativo no tempo de viagem. Até aqui, no entanto, o que tem tornado o ramal viável para muita gente é o serviço Connect, que estende a viagem até a estação Brás em alguns horários de pico. Este ano o Connect ganhou novos horários que refletiram no aumento da demanda – ao ir até Brás o usuário consegue se conectar ao Metrô, Linha 10 e 11 da CPTM além de estar bem perto da região central.

O efeito “Connect” fez da estação Aeroporto Guarulhos a mais movimentada das três paradas, superando Engenheiro Goulart, ponto de conexão com a Linha 12-Safira. Em abril passavam por ela 6.489 passageiros por dia contra 6.419 da parada localizada na avenida Doutor Assis Ribeiro. Já Guarulhos-CECAP, cotada para receber um bom fluxo de passageiros, ainda está bem distante das outras duas, com 3.206 usuários por dia, mas o maior aumento percentual nesse período, de 115% (veja gráfico na página). Um sinal do potencial da linha ocorreu no dia em que os os funcionários de ônibus de Guarulhos entraram em greve e a CPTM lançou uma operação especial no ramal, reduzindo o intervalo e ampliando as viagens.

O movimento de passageiros embarcados nas três estações da Linha 13-Jade

Correção de rota

O sucesso do serviço Connect demonstra que a Linha 13 pode sim tornar-se uma das mais importantes da rede desde que facilite a viagem de seus usuários. Da forma como foi pensada em sua primeira fase ela tem falhado por obrigar diversas baldeações para chegar a locais mais relevantes. O problema é que o planejamento original do ramal prevê que isso ocorra num horizonte muito distante quando sua extensão chegaria à região da Mooca ou, segundo alguns estudos, até a Linha 5-Lilás em Chácara Klabin. Esse cenário, no entanto, exigiria um investimento alto por ser feito em vias subterrâneas e exigir desapropriações significativas.

Já seu traçado após o aeroporto indica que a linha deve atrair um público enorme de regiões carentes de Guarulhos e imediações. Se isso de fato ocorrer a alcunha de “trem do aeroporto” pode ser esquecida. Além de contornar o terminal aeroportuário, o ramal chegaria extremamente lotado, desestimulando seu uso por passageiros de companhias aéreas. A não ser que no futuro tenhamos serviços separados e intervalos baixos.

Em meio às confusas afirmações da gestão Doria, surgiram propostas de alterar o projeto original e fazer da Linha 13 um ramal mais útil, entre eles ampliar o serviço Connect para que ocorra em todos os horários, dividindo os trilhos com a Linha 12. É uma atitude sensata visto que os intervalos ali são altos e perfeitamente comportariam dois serviços ao mesmo tempo.

Traçado do People Mover de Guarulhos: sem dinheiro, ignora-se como a GRU Airport pode tirar projeto do papel (ARUP)

Já sobre o dilema de ir ou não até o aeroporto, permanece a dúvida. Oficialmente, o governo fala em convencer a operadora GRU Airport a implantar o prometido “people mover”, o trenzinho que ligaria os terminais à estação Aeroporto Guarulhos, mas a concessionária está em sérias dificuldades financeiras, inclusive já prevendo não pagar a outorga de cerca de R$ 1 bilhão deste ano. De onde ela tirará dinheiro para construir o trenzinho não se sabe.

Se optar pelo suposto estudo que vazou da Secretaria dos Transportes Metropolitanos e que mostra o retorno da estação “Aeroporto Terminal 2”, em frente aos principais terminais do aeroporto, o governo pode acertar na mão ao manter o caráter social da Linha 13, mas também ser uma alternativa viável para os usuários do transporte aéreo. As estatísticas da CPTM agradecem.

Investimento de R$ 1,66 bilhão para levar a Linha 13 até Bonsucesso

About the author

Ricardo Meier

É um entusiasta do assunto mobilidade e sobretudo do impacto positivo que o transporte sobre trilhos pode promover nas grandes cidades brasileiras. Também escreve nos sites Airway (aviação) e AUTOO (automóveis).

5 Comentários

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  • Não havia um projeto de estação entre Engenheiro Goulart e CECAP? Agora não me recordo o nome.

  • O fato da linha futuramente atender a bairros de Guarulhos e chegar lotada no Aeroporto, não devetá ser um desetimulo para quem chega de viagem. Quem opta por usar a Linha 13, assim como os ônibus do serviço comum para Tatuapé, são pessoas dispostas a economizar. O ônibus do Tatuapé anda lotado, mesmo fora do rush. Eu creio que a chegada na L2 em Tiquatira será o ponto alto da Linha 13. Mas assim como a L5 ela nasceu sem ter uma ligação mais eficiente a rede de trilhos. Futuramente ela será um importante ramal da CPTM. Quem viver verá.

  • Vergonha! linha 13 jade a menor do Brasil, demoraram muito para fazer e quando fizeram deixaram muito a desejar, como querem que a quantidade de pessoas aumentem se vcs não investem na linha?
    Precisa o quanto antes diminuir os intervalos do serviço conectar e fazer logo a segunda etapa dessa linha, nós da periferia de Guarulhos sofremos muito por não ter uma condução decente…chegando até o Bonsucesso irá triplicar os usuários.

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