Trilhos de São Paulo versus Londres: bilhetes e tarifas

No segundo artigo da série que compara os dois sistemas de transporte sobre trilhos, mostramos as diferenças nas formas de pagamento e cobrança

Linha de bloqueio do metrô de Londres

Se a rede de linhas e estações de Londres é bem superior à de São Paulo, quando falamos sobre a forma de pagamento da passagem e também sobre o sistema de cobrança, as duas cidades têm situações bastante distintas. A primeira grande diferença do transporte sobre trilhos de Londres é ter sua área de atuação dividida por zonas, algo compartilhado por outros metrôs no mundo.

São hoje nove zonas, da mais central (1) até a mais distante (9) e que definem os valores de tarifas. Quanto mais se roda, mais caro é a passagem cobrada e se o usuário passa pela região central o custo é maior. Horários de pico também influenciam o custo da viagem para incentivar os passageiros a evitar esses períodos mais lotados – caso possam, é evidente.

Ou seja, São Paulo faz justamente o oposto: cobra a mesma tarifa em qualquer horário e percurso. Em tese é possível passar o dia andando centenas de quilômetros sem que isso implique num valor maior do que os R$ 4,30 (claro, sem passar pelos bloqueios). Esse critério de cobrança tem caráter social, é claro, ao não inviabilizar o uso do transporte público para quem mora distante, porém, acaba tornando o sistema cheio e pendular, em outras palavras, atrai mais gente que usa os trens por distâncias imensas.

Em Londres, pelo contrário, longos trajetos, embora mais rápidos do que se realizados por automóvel, por exemplo, só são viáveis caso a viagem seja realmente necessária. Empregos distantes tornam-se pouco atrativos por conta disso já que não há um vale-transporte como no Brasil. Por outro lado, com a cobrança por zonas muitas vezes o transporte público se torna mais em conta em trajetos de média distância. Por exemplo, é possível andar por 5 ou 6 km e pagar 1,50 libra esterlina enquanto uma ida até o centro saía por 3,10 libras – cerca de R$ 7,60 contra R$ 15,75.

O cálculo da tarifa nos trens londrinos é feita por zonas (TFL)

Há que se levar em conta que o custo de vida na Inglaterra é maior em algumas áreas do que no Brasil o que torna uma comparação direta inviável. Mas é possível imaginar que se a tarifa do Metrô e da CPTM fosse metade da cobrada em trechos curtos (algo como R$ 2,15 por exemplo) o potencial de atração para quem usa o carro nos seus deslocamentos diários seria enorme. Hoje um veículo compacto roda cerca de 10 km com um litro de gasolina e que custa cerca de R$ 4,00. Com a tarifa a R$ 4,30, ir e vir do trabalho é mais caro no transporte público caso essa pessoa tenha estacionamento no local.

Máquina de autoatendimento em Londres

Bilheterias e bloqueios

Eis aí um dos aspectos que mais diferenciam as duas redes de trens. A capital britânica possui um sistema de bilhetagem automático feito por máquinas que aceitam várias formas de pagamento, de cartões a dinheiro. Há bilhetes avulsos, passes diários ou semanais para turistas, mas o principal recurso é o chamado cartão Oyster. Com ele, é possível armazenar valores de forma semelhante a um Bilhete Único ou BOM.

Mas não é só: a TFL (Transport For London, que controla todo o transporte público na cidade) também aceita cartões de crédito com sistema”Contactless” e também aplicativos de pagamento em celulares, relógios e outros equipamentos como o Apple Pay. O débito é feito por aproximação nas superfícies de pagamento dos bloqueios.

Máquinas de autoatendimento do Metrô: experiência não durou um ano (CMSP)

O funcionamento é bastante simples seja ele o tipo de bilhete ou cartão. Basta encostar no círculo amarelo dos bloqueios para que seja feita a leitura. Há um pequeno visor que informa o saldo na entrada, inclusive. Para calcular o trajeto percorrido, é preciso passar pelo círculo amarelo também na saída da estação. Além disso, caso o passageiro faça um percurso longo em que passe pelo centro e siga para outra área periférica é preciso passar o cartão num círculo lilás para que não seja cobrada a taxa por desembarcar na região central.

O metrô e trens de Londres não usam o bilhete Edmonson nem têm bilheterias em suas estações. Como as máquinas não são tão fáceis de manusear é comum ver funcionários assistindo os passageiros em regiões turísticas.

Nesse aspecto, o Metrô e a CPTM estão bem atrás de Londres. Além do custo de manter centenas de funcionários em bilheterias, o governo do estado só aceita pagamento em dinheiro nos bilhetes avulsos. Como a grande maioria dos passageiros utiliza os cartões de transporte elas poderiam ser complementadas senão substituídas pelas máquinas de autoatendimento. No entanto, a experiência recente do Metrô não foi bem sucedida. Após investir milhões no equipamento e ligar apenas poucos deles, a companhia cancelou o contrato. Pagamento com cartões ou por aplicativos, então, é algo aparentemente fora de questão no momento.

Leitor do bloqueio do metrô londrino: é possível usar o cartão Oyster e também cartões de crédito e sistemas de smartphones como o Apple Pay