ViaMobilidade vira alvo de processo da ARTESP após morte na Linha 5

Passageiro ficou preso entre portas de plataforma e composição antes de acidente fatal

Portas de plataforma da estação Campo Limpo
Portas de plataforma da estação Campo Limpo (Jean Carlos)

Nesta quarta-feira, 20, a Agência de Transportes do Estado de São Paulo (ARTESP) publicou a abertura de um processo sancionatório aplicável à ViaMobilidade/Motiva.

Segundo o documento, a empresa concessionária foi notificada e tem o prazo de sete dias corridos para apresentar suas alegações finais, antes da decisão final.

O processo foi iniciado em 7 de maio de 2025, um dia após o acidente fatal com um passageiro na estação Campo Limpo da Linha 5-Lilás, em que a vítima ficou presa no espaço entre as portas de plataforma e o trem.

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A publicação, no entanto, não especifica qual seria a sanção e ou se a mesma se trata de multa financeira ou outro tipo de penalidade.

Na ocasião, de acordo com documentos obtidos pelo jornal SP2, a ViaMobilidade pretendia instalar borrachões no vão entre o trem e as fachadas para impedir que usuários pudessem permanecer ali sem serem detectados, enviando ao Metrô autorização para levar à frente o projeto, mas a estatal, que projetou o ramal e também contratou os fornecedores das portas, teria preferido resolver o assunto internamente.

As portas de plataforma foram fabricadas e instaladas dentro de um contrato assinado com a empresa canadense Bombardier que também inclui o sistema de sinalização CBTC. 

Portas de Plataforma da Linha
5-Lilás (Jean Carlos)

O projeto, no entanto, levou muitos anos para ser implementado, em meio a diversos problemas, incluindo o afastamento de empresas terceirizadas contratadas pela Bombardier – a divisão ferroviária foi vendida para a Alstom anos atrás.

Ainda de acordo com a reportagem, a ViaMobilidade chegou a realizar um teste com as barras de borracha na estação Capão Redondo e houve uma reunião em novembro de 2024 para decidir pelo avanço do projeto, mas o Metrô não compareceu.

A Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI), que assumiu as concessões do estado na época, teria demonstrado preocupação com ‘a morosidade do Metrô’ e com a ‘inércia em apresentar ações possíveis’.

A concessionária, por sua vez, tentou assumir a responsabilidade pelo trabalho considerando um abatimento nos valores da concessão, porém, o Metrô preferiu estudar uma solução junto à fornecedora.

Foto: Divulgação ViaMobilidade

Após o acidente, medidas de segurança adicionais foram implantadas nas portas da linha 5, como um dispositivo em cada fachada, para eliminar o vão entre as estruturas para impedir que pessoas fiquem presas.

A ARTESP, Metrô de São Paulo e a Motiva, foram procurados por este site, e de acordo com a operadora em nota, prestará todos esclarecimentos para o Governo e ARTESP. Leia a seguir.

“A ViaMobilidade informa que prestará todos os esclarecimentos solicitados pela ARTESP.”