Vias abandonadas pela CPTM são cedidas à Prefeitura de São Roque

Município ficará responsável pelos cuidados do trecho entre Amador Bueno e Mairinque, juntamente com suas adjacências. Administração local pretende dar seguimento ao projeto do trem turístico local
Terrenos cedidos poderão viabilizar projetos turísticos da prefeitura (Jean Carlos)

Após anos de negligência e abandono, o trecho entre Amador Bueno e Mairinque agora terá um novo responsável. No mês de março foi assinado o termo de cessão de uso de imóveis que concede à Prefeitura de São Roque os direitos de zeladoria e guarda das vias férreas, assim como dos terrenos anexos à antiga ferrovia.

O trecho entre Amador Bueno e Mairinque foi desativado pela CPTM no dia 08 de agosto de 1997. A linha havia sido herdada a pouco mais de um ano pela empresa antecessora, a Fepasa, após seu processo de privatização.

Apesar das linhas férreas, imóveis e estações ainda fazerem parte do patrimônio da CPTM, boa parte desta estrutura foi delegada para a operação de empresas de carga ou deixada ao relento, como é o caso da estação Gabriel Piza que se encontra em estado irrecuperável.

Após oito anos sem a passagem de trens pelo trecho, a CPTM resolveu tomar providências para, ao menos, evitar a total dilapidação desse patrimônio. A cessão das áreas para a prefeitura de São Roque não só é benéfica sob o aspecto de recuperação das áreas como também da sua correta exploração comercial, como o turismo, por exemplo.

Vias férreas abandonadas (Jean Carlos)

Há alguns anos a estatal planejava utilizar o trecho desativado até São Roque para implantar uma das rotas do Expresso Turístico, serviço bem sucedido e que atrai milhares de pessoas todos os anos em roteiros para as localidades de Mogi das Cruzes, Jundiaí e Paranapiacaba.

O Trem do Vinho seria um percurso que partiria da estação da Luz até a estação de São Roque. O projeto não chegou a ser implantado por uma série de questões como as diferenças de bitola ao longo do percurso e a perda dos trens que seriam utilizados devido a incêndios no pátio de Presidente Altino.

Estação São Roque e carros do trem turistico (Jean Carlos)

A prefeitura de São Roque visa, através da cessão de terrenos, abrir espaço para projetos como o Parque da Pedreira, além da própria ativação do trem turístico que deverá passar por pontos importantes da cidade como os distritos de São João Novo e Maylasky. 

Nesses locais ainda existem estações que ainda resistem ao tempo. Enquanto a estação São João Novo, ironicamente, abriga um velório, Maylasky conta com o apoio da própria comunidade local que realiza a zeladoria e manutenção do prédio histórico.

Estação Maylasky (Jean Carlos)

Retorno dos trens de passageiros para São Roque e região

Apesar da boa notícia para os moradores da região de São Roque, dificilmente isso poderá atrair de volta os mesmos trens de passageiros que foram desativados no final dos anos 90. 

O investimento para a recuperação das estruturas que foram tomadas por densa vegetação e degradadas pela ação do tempo exigirá um grande esforço por parte da prefeitura. O mais provável é que apenas uma das duas vias seja recuperada.

Vias férreas na região da estação São Roque (Jean Carlos)

No contrato de concessão firmado com a ViaMobilidade, operadora das Linhas 8 e 9 de trens metropolitanos, existe uma cláusula que permite a exploração dos serviços de passageiros até Sorocaba. O site fez uma matéria sobre as dificuldades de se implantar este serviço, desafio que se mantém mesmo com a expectativa de recuperação das vias por parte da prefeitura de São Roque.

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  1. É depois que abandona joga a responsabilidade para os municípios.isso é uma coisa normal entre os governos uma vergonha,desde de reativar girar emprego, economia.agora imagina o que vão fazer com as estações que estão abandonas no resto do interior São Paulo principalmente aqui no noroeste é triste isso.Mais eles fazem isso por que não é eles que tem necessidade de uso

  2. Até que enfim a CPTM deixou de ser negligente com esse trecho. Vamos ver se a prefeitura local terá recursos para uma obra ali.

    Esse trecho não possui demanda de passageiros ou cargas para justificar a mera manutenção da via dupla. O ideal seria a construção de uma avenida com um canteiro central onde ficaria apenas uma via férrea para ser utilizada pelo pretenso trem turístico. Assim todos ganhariam.

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