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Move São Paulo suspende obra da Linha 6-Laranja

Concessionária, que tem como sócios a Odebrecht, responsabilizou a dificuldade em obter financiamentos de longo prazo
O primeiro tatuzão da Linha 6 é apresentado na China
O primeiro tatuzão da Linha 6 é apresentado na China
O primeiro tatuzão da Linha 6 é apresentado na China
Tatuzão da Linha 6 deveria iniciar escavações em 2017

Após quase três anos da licitação e 2,7 bilhões de reais investidos, a concessionária Move São Paulo, vencedora da licitação para construção e operação da Linha 6-Laranja, do Metrô, anunciou nesta segunda-feira (05) a suspensão das obras. O motivo, segundo a empresa, é a impossibilidade de obter financiamentos de longo prazo para tocar o empreendimento, cujo prazo de entrega era previsto para 2021.

O consórcio, formado pelas empresas Odebrecht Transport, Queiroz Galvão, UTC Engenharia e o fundo Eco Realty, diz estar negociando com o BNDES e o governo do Estado de São Paulo “alternativas para o reequilíbrio da PPP (Parceria Público Privada). A Move São Paulo garantiu que as desapropriações, bem como o atendimento à comunidade e o recebimento dos dois tatuzões vindos da China seguirão  mantidos.

A Move também enumerou vários fatos ocorridos até aqui:

  • Diz ter investido R$ 2,7 bilhões na obra, juntamente com o governo;
  • Ter atualmente 2,4 mil de 9 mil funcionários previstos para o todo o empreendimento;
  • Contratos firmados para as obras civis, sistemas e trens;
  • Licença ambiental para toda a obra;
  • 26 de 34 frentes de trabalho iniciadas, nove delas com obras civis;
  • 1.091 anéis de túneis fabricados;
  • Um dos tatuzões já entregue e o segundo previsto para chegar até o final do ano

Operação Lava-Jato

O anúncio da Move São Paulo não chega a surpreender. O consórcio já vinha dando sinais de que a situação era grave ao reclamar publicamente da falta de recursos do BNDES. Embora seja uma entidade separada, a operação Lava Jato complicou a vida de parte de suas sócias, o que refletiu na dificuldade de conseguir financiamento a um custo mais baixo. A empresa tinha dito que não seria possível tocar a obra com empréstimos comuns.

Agora, com a decisão, a Move São Paulo pressiona tanto o governo Alckmin como a União a liberar recursos para que o projeto não fique parado por muito tempo. A Linha 6-Laranja é a “menina dos olhos” do governador, que direcionou a estratégia de expansão da rede metroferroviária para PPPs e concessões à iniciativa privada.

O blog já vinha alertando há tempos que na prática a linha, mesmo de responsabilidade do parceiro privado, ainda não estava na velocidade que se esperava sem as amarras burocráticas de obras com estrutura tradicional. Os problemas que a atingem são praticamente os mesmos de qualquer outro projeto público: dificuldades com a legislação ambiental, despropriações questionadas na Justiça e problemas de caixa das construtoras.

Quando pronta, a Linha 6-Laranja percorrerá 15 km entre a região da Brasilândia, no noroeste da cidade, e São Joaquim, interligando-se com duas linhas de metrô e duas da CPTM. Ela deve transportar diariamente cerca de 633 mil pessoas quando estiver completa.

About the author

Ricardo Meier

É um entusiasta do assunto mobilidade e sobretudo do impacto positivo que o transporte sobre trilhos pode promover nas grandes cidades brasileiras. Também escreve nos sites Airway (aviação) e AUTOO (automóveis).

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