A Acciona, proprietária da Linha Universidade, concessionária que assumiu a Linha 6-Laranja do Metrô, confirmou que os trens do novo ramal serão fornecidos pela Alstom. A informação foi revelada pela Revista Ferroviária nesta sexta-feira, 23.

Segundo o diretor da construtora no Brasil, André De Angelo, o contrato já foi assinado com a fabricante francesa e prevê que a produção será realizada nas instalações de Taubaté, no interior de São Paulo. Segundo o governo do estado, a Linha 6 deverá operar 22 composições, porém, a informação divulgada hoje fala em 23 unidades. O ramal de 15,3 km e 15 estações tem previsão de transportar cerca de 633 mil pessoas diariamente.

Assim como todos os projetos novos do Metrô, a Linha Laranja usará trens no padrão GoA4, ou seja, com o nível mais alto de automação e sem, portanto, presença de um operador ou cabine. Curiosamente, a mesma Alstom havia sido selecionada pela Move São Paulo, concessionária original da PPP. No entanto, De Angelo negou se tratar do mesmo contrato, que garantiu se tratar de uma nova negociação.

Cartel de trens

A Alstom está envolvida em projetos do Metrô há vários anos. A empresa forneceu os trens da Frota F da Linha 5 assim como participou da reforma das antigas composições da companhia. Além disso, a empresa está há anos à frente do contrato de instalação do sistema CBTC nas linhas 1, 2 e 3. Recentemente, a fabricante adquiriu a divisão ferroviária da Bombardier, que forneceu os trens de monotrilho da Linha 15-Prata.

Trem fabricado pela Alstom para a Linha 5 quando foi entregue em 2002: empresa foi punida pelo CADE (GESP)

O nome da empresa ficou notório após o escândalo do cartel dos trens, que envolveu vários grupos num esquema de cartas marcadas nas licitações de material e serviços ferroviários. A Alstom recebeu a segunda maior multa do CADE, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica, atrás apenas da CAF. O órgão também determinou que a empresa francesa fosse proibida de participar de licitações pública por cinco anos.

A Linha 6-Laranja, por ser uma Parceria Público-Privada, prevê que a aquisição de equipamentos e serviços seja feita diretamente pelo parceiro privado, ou seja, a Acciona pode contratar qualquer empresa que entender como mais indicada. No final da concessão, esses bens como os trens serão repassados ao estado.

Segundo o governo Doria, a Linha 6 deve ser aberta até 2025. Os trabalhos foram oficialmente retomados no dia 6 de outubro após quatro anos de suspensão.