“Solução rápida e barata” para o lugar da Linha 18-Bronze de metrô, o projeto do corredor de ônibus expresso (BRT) que ligará o centro de São Bernardo do Campo à estação Tamanduateí do Metrô e CPTM, teve sua apresentação adiada pelo governo Doria. Antes previsto para ocorrer no dia 6 de agosto, a reunião em que o secretário Alexandre Baldy (Transportes Metropolitanos) daria mais detalhes sobre o sistema assim como da Linha 20-Rosa de metrô pesado foi postergada para setembro.

Durante a inauguração da estação Jardim Planalto do monotrilho da Linha 15-Prata, Baldy culpou a viagem à China no início de agosto para o atraso: “a ida à China causou esse atraso da apresentação com o consórcio (que reúne os prefeitos da região). A próxima reunião será em setembro, quando nós apresentaremos aos prefeitos e à sociedade o projeto do BRT”.

Após assumir em janeiro, o governador João Doria descumpriu promessa de campanha em que garantia que a Linha 18-Bronze seria implantada. Desde o final do primeiro trimestre, sua equipe e o próprio já davam indícios de que trocariam o monotrilho por um corredor BRT, mas o anúncio foi postergado sob o pretexto de um suposto “estudo” de viabilidade que nunca foi apresentado.

Em vez disso, foram citados dados sem embasamento sobre demanda (menor), custos (com valores genéricos) e prazos de implantação. Na prática, no entanto, o projeto do corredor de ônibus até agora permanece um mistério. Não há citação alguma no Diário Oficial e a gestão Doria até o momento parece não ter contratado qualquer empresa para prestar esse serviço.

Não se sabe ainda quem estará à frente do projeto já que o projeto do monotrilho foi gerido pelo Metrô e passou a ser coordenado pela Secretaria dos Transportes Metropolitanos quando foi transformado em uma PPP (Parceria Público-Privada). A tendência é que a responsabilidade do corredor de ônibus caiba à EMTU, que cuida das linhas de ônibus intermunicipais.

Projeção de uma das estações da Linha 18-Bronze: contrato será “extinto” pelo governo Doria (Fernandes Arquitetos)

De concreto até agora, apenas a mudança do Conselho Gestor do Programa Estadual de Parcerias Público-Privadas, cujos novos integrantes decidiram convenientemente pela extinção do contrato da PPP da Linha 18-Bronze com a empresa VEM ABC após cinco anos em que o governo do estado postergou a emissão da “Declaração de Início do Prazo de Vigência da Concessão” que daria início à contagem de 25 anos da concessão. Vale lembrar os conselhos anteriores, sob o governo de Geraldo Alckmin, sempre aprovaram de forma unânime a continuidade do contrato, um claro sinal de que essas reuniões não passam de mera formalidade para dar algum respaldo às decisões dos governadores em questão.

O ABC Paulista aguarda há

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uma solução de mobilidade rápida e de grande capacidade prometida pelo governador João Doria em 3 de julho de 2019.

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