Destaques Linha 2 Metrô de São Paulo

Metrô de São Paulo planeja ampliar receitas financeiras que não venham do valor da passagem

Em entrevista ao jornal Valor Econômico, presidente da companhia afirma que é possível ter 40% do faturamento advindo de receitas não-tarifárias
Estação Tamanduateí: Metrô quer ampliar concessões de espaços na Linha 2 (Corretor Carvalho/Wikimedia)

Chegar aos 50 anos de existência não tem sido apenas uma marca simbólica para o Metrô de São Paulo. A companhia, que hoje opera quatro das seis linhas metroviárias da cidade além de ser responsável pelo planejamento e supervisão da expansão de outros ramais, ganhou um novo perfil neste ano que visa a busca por lucratividade.

Essa mudança de mentalidade, que já era notada há alguns anos, com a terceirização da exploração de publicidade, por exemplo, ganhou força na atual gestão. No primeiro semestre, talvez o passo mais decisivo nessa direção foi tomado pelo governo ao alterar o seu estatuto social a fim de permitir que a empresa possa prestar serviços para outras cidades no Brasil e no mundo.

É uma medida sensata e natural, mas que demorou muito para ser tomada. O Metrô paulistano, pioneiro no Brasil, tem ajudado outros sistemas há anos sem que isso se convertesse em receita para a empresa. A situação, inclusive, é exatamente oposta: a companhia lida com prejuízos nos últimos por conta do valor das tarifas desatualizado e o aumento de custos.

Mas as ações no sentido de depender menos do governo são mais amplas e incluem aproveitar oportunidades hoje desperdiçadas como a exploração comercial de estações. Um exemplo dessa proposta é a intenção de conceder a estação Palmeiras-Barra Funda para a iniciativa privada. Com mais de 350 mil passageiros diários apenas nas três linhas que passam por ela, a estação deve ser alvo de uma concessão bastante ampla e que prevê a reforma e construção de diversos edifícios nos moldes do que é feito no exterior.

Com isso em mente, o atual presidente do Metrô, Silvani Pereira, acredita que será possível que nada menos que 40% do faturamento da empresa venha das chamadas receitas não-tarifárias. Hoje essa participação é de 11% e deve chegar a 15% até o final do ano.

Em entrevista ao jornal Valor Econômico, Pereira confirmou a intenção de conceder também a estação Brás, uma das maiores da rede, assim como todas as estações da Linha 2-Verde. A ideia é que o ente privado mantenha esses espaços mediante a potencialização da área comercial das 14 estações do ramal e que inclui também terminais de ônibus como o da Vila Madalena ou de Tamanduateí.

Como fez com 13 terminais de ônibus recentemente, o Metrô possivelmente terá uma parcela da receita desses estabelecimentos, além do valor obtido no leilão. E, de quebra, deixa de gastar com a manutenção desses espaços.

Trem do Metrô do Distrito Federal: Metrô de São Paulo diz ter interesse em assumir operação do sistema (Foto: Tony Winston/Agência Brasília.)

Geradora de energia

Na nova divisão que prevê a consultoria para terceiros, o Metrô está participando das manifestações de interesse público convocadas pelo Metrô de Brasília, que deve ser concedido à iniciativa privada. Embora não esteja nos planos imediatos, hoje já é possível que a companhia seja parceira em uma Sociedade de Propósito Específico para operar um sistema ou linha em outro local. Seria uma situação curiosa, no entanto. Ao mesmo passo que assumiria uma linha fora de São Paulo, o Metrô hoje repassou parte das suas próprias linhas para a iniciativa privada.

Na opinião de Silvani Pereira, há mais ainda a ser explorado e uma das modalidades é bastante interessante, a geração de energia elétrica. Atualmente, o Metrô precisa participar de leilões com geradoras para obter energia elétrica para suas linhas e que é um dos maiores custos da empresa – quase R$ 200 milhões no ano passado.

A ideia aqui seria lançar uma parceria com a iniciativa privada para gerar energia elétrica a partir de suas instalações como estações, saídas de ventilação e pátios de manutenção. A parceira ficaria responsável por instalar paineis fotovoltaicos que forneceriam parte do que é gasto no sistema.

Com todas essas medidas, o Metrô poderia reduzir significativamente seus custos ao mesmo tempo em que amplia receitas, criando um quadro bem mais sustentável do que o atual. É um passo na direção certa, mas ele não exime o governo do estado de investir na ampliação das linhas, uma prioridade em qualquer situação.

Estação de metrô Suwon, em Seul (Coréia do Sul): potencial comercial bem explorado  (Jpbarrass/Wikimedia)

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Ricardo Meier

É um entusiasta do assunto mobilidade e sobretudo do impacto positivo que o transporte sobre trilhos pode promover nas grandes cidades brasileiras. Também escreve nos sites Airway (aviação) e AUTOO (automóveis).

2 Comentários

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  • A ideia é sempre bem vinda, de forma a aprimorar e melhorar a qualidade do serviço. Seria interessante, uma vez que o governo tem a pretensão de melhorar a qualidade da CPTM e buscar o tanto dito “padrão Metrô” aproveitar a deixa e colocar em prática o plano de expansão e melhoria das estações:

    https://www.ferroviando.com.br/o-futuro-da-cptm-em-imagens-e-promessa-de-psd/#comments

    Seria um salto e tanto para a melhora da qualidade do serviço!

  • Essa ideia liberal de privatizar tudo é burrice. Por que privatizar estações para empresas privadas afim de receber uma parte da receita se o próprio Metrô poderia fazer isso? Poderia ampliar áreas de exploração comercial e lucrar exclusivamente com isso, ao invés de ficar com uma pequena parcela apenas. E o site aplaude. Segue a mesma lógica da Linha 4. Paga-se uma empresa privada para operar a linha ao invés de o próprio Metrô o fazer. Gastou-se mensalmente com indenizações por estações nao entregues à CCR por anos e com subsídio das passagens quando todo o dinheiro que virou lucro pra acionistas poderia ter sido reinvestido em todo o sistema metroferroviário. Lógica liberal de beneficiar empresas privadas e dar troco ao lado público quando todo o superávit econômico poderia ser do estado. Sai perdendo usuários e bem público em prol de poucos que não dividem lucros. Perde-se, inclusive, bem estar social. Vê-se a estação Pinheiros na passarela de integração. Aquele corredor poderia ter iluminação natural, mas é tapado de ponta a ponta por propagandas de desodorante. Alienação que gera uma receita mínima ao estado. Só quem ganha é o empresário.

Airway