No último dia 6 um contrato do Metrô completou nove anos de sua assinatura, o que prevê a implantação do sistema de sinalização CBTC e das portas de plataforma nas 17 estações da Linha 5-Lilás. A Bombardier, empresa que venceu a licitação, tinha até três anos para entregar as partes mais complexas do contrato, ou seja, em 2014, dependendo da emissão da ordem de serviço. Como se sabe, o trabalho da fabricante está atrasado vários anos e até hoje não concluiu a instalação das PSDs.

Nada disso impediu que a Bombardier recebesse seu 9º aditivo de contrato, assinado pelo Metrô na sexta-feira, 04. Segundo os itens atualizados, a empresa teve um acréscimo de R$ 1.134.231,01 no valor total, que passou a ser R$ 203.691.852,40. Na época da homologação do acordo, o valor citado pelo governo do estado para o projeto era de R$ 71.827.249,98, segundo informação do Diário Oficial, mas possívelmente só inclui os valores em real já que o contrato possuía montantes cotados em dólares e euros.

Além disso, a Bombardier terá mais 12 meses para concluir o serviço por conta “exclusivamente em razão da execução dos serviços adicionais de adequação no Sistema CBTC referente aos parâmetros de freios de emergência garantido dos trens das frotas F (Alstom) e P (CAF) da Linha 5 – Lilás“, explica o aditivo do Metrô.

A informação joga luz sobre alguns mistérios da Linha 5 como o fato de os trens da Frota F terem passado anos em testes para operarem com o sistema CBTC, algo que até hoje não ocorreu de fato. A Via Mobilidade tem realizado várias simulações de operação, mas ainda não liberou as composições para receber passageiros.

Quanto às portas de plataforma, o ritmo de instalação está bastante veloz, mas que não minimiza o fato de a Bombardier ter atrasado o processo de forma absurda. Em que pese o fato de que a obra civil também atrasou, e com isso a implantação das fachadas, mesmo assim esse trabalho deveria ter sido finalizado em abril de 2019, quando a estação Campo Belo foi aberta. A expectativa, no entanto, é que o serviço seja concluído no ano que vem.

É justamente essa postura dos fornecedores do Metrô que causa estranheza. Quando há uma mudança favorável à empresa privada, logo vemos aditivos corrigindo possíveis distorções, mas se a falha vem do outro lado, pouco se faz. Falam-se em multas, mas não são raras as vezes que liminares da Justiça impedem qualquer cobrança, como se viu na Linha 17.

É uma situação incômoda. Imagine você, leitor, contratar uma empresa para pintar sua casa e um dos funcionários faz uma aplicação errada, que vai precisar ser substituída. Em vez de a empresa arcar com o prejuízo ela repassa o custo para você e também o aumento do prazo de entrega. Fechar contratos com a administração pública é realmente um negócio da China.

Trem da Frota F em testes (Reprodução)