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Com concorrência privada, Metrô busca modernizar serviço

Companhia ligada ao governo do estado tem promovido mudanças em várias áreas e quer evoluir relação com seu público com ações que incluem até música ambiente nos trens
Metrô quer modernizar serviço com novas ações e parceiros (JCDecaux)

Em que pese todas as críticas que vem recebendo nos últimos anos, a maior parte delas em relação às constantes falhas que ocorrem praticamente em todos os dias, o Metrô ainda é uma empresa cuja imagem é positiva junto ao público. Basta ver o resultado de algumas pesquisas como a realizada pela Folha de São Paulo sobre as marcas mais reconhecidas e admiradas pelos leitores, o chamado Top of Mind.

No entanto, desde que a ViaQuatro estreou com a Linha 4-Amarela em 2010 uma espécie de concorrência informal tem existido na imprensa, críticos e no público. A gestão privada se beneficia de uma maior agilidade nas ações e também por operar uma linha mais moderna, a primeira a utilizar o sistema de controle de trens CBTC e as composições sem operadores, para citar dois exemplos. A empresa também tem investido em algumas inovações tecnológicas que causam boa impressão como informar os vagões mais vazios e o tempo de espera dos trens. Enquanto isso, o Metrô ainda mantinha algumas posturas um tanto antigas além de sofrer com a lentidão de seus projetos. Mas esse panorama tem mudado ultimamente.

A atual gestão tem buscado não só modernizar a empresa, que completou 50 anos em 2018, como também focar seu trabalho na operação em vez de assumir áreas em que não é especialista. Um exemplo disso é a publicidade a bordo dos trens e estações. Há décadas esse trabalho era feito por uma equipe interna, porém, há alguns meses a empresa francesa JCDecaux, famosa pela publicidade externa em várias cidades do mundo, assumiu essa área. Mais presente no meio publicitário, a JCDecaux deve trazer mais receita para a área, que beneficiará também o Metrô. Além disso, está investindo em novos e mais modernos formatos como totens de vídeos em várias estações.

Por falar em receita acessória, o Metrô também decidiu conceder vários terminais de ônibus em estações importantes e que até então dependiam da sua manutenção. Agora esses espaços devem receber novos edifícios comerciais e serviços que beneficiarão os usuários. E de quebra a companhia deixará de ter custo com eles.

Mas as ações não estão apenas voltadas a esses serviços paralelos. O Metrô também tem buscado melhorar a prestação de serviço para os passageiros. Um sinal discreto disso foi notado há algumas semanas quando os trens passaram a divulgar mensagens em inglês, prática que só havia sido adotada em curtos períodos como na Copa do Mundo em 2014.

Música a bordo

Já a mais recente novidade está causando polêmica, a música ambiente em trens e estações. Com o intuito de tornar a viagem mais agradável, o serviço não é inédito – a CPTM já tocava música clássica nos trens da Linha 9 há anos, mas sem sucesso. Agora, a iniciativa tem encontrado admiradores e detratores, pelo que se vê na imprensa. Houve acusações de que o custo de R$ 40 mil mensais pela gestão da seleção de músicas não tinha sido objeto de licitação e questionamentos a respeito de uma lei municipal que proíbe música a bordo do transporte público em São Paulo.

O Metrô se defendeu afirmando que “O Metrô+Música é um projeto de sonorização das 55 estações das Linhas 1–Azul, 2–Verde e 3–Vermelha e seus respectivos trens (142). O objetivo é proporcionar ao usuário uma viagem mais agradável e musical.  Para operacionalizar o sistema, o Metrô utilizou infraestrutura já existente de autofalantes e paga, portanto, apenas a manutenção e o recolhimento dos direitos autorais das músicas, que é feito pela ICULT (Instituto de Cultura e Cidadania). Esses pagamentos são de R$ 39 mil/mês; os direitos autorais são devidos em aproximadamente 30% das músicas da playlist e as demais são de execução livre. O Instituto de Cultura e Cidadania (ICULT) é contratada da Agência de Publicidade CCEP (Companhia de Comunicação e Publicidade), que presta serviços para o Metrô”.

Já sobre a proibição, a empresa esclarece que “a legislação mencionada é dirigida aos usuários e não ao operador do transporte, portanto não há ilegalidade na conduta do Metrô”.

Se o projeto terá ou não futuro não se sabe. É importante verificar se os usuários aprovam a iniciativa, mas isso exige um pouco mais de tempo. Fato é que as ações do Metrô são positivas por demonstrarem que a empresa não quer ficar atrás das suas “concorrentes privadas” que devem assumir várias linhas como a 5-Lilás em agosto.

Se os planos do governo atual forem mantido pela próxima gestão, o Metrô deve permanecer apenas com três linhas, a 1-Azul, 3-Vermelha e parte da 2-Verde, cuja extensão pode ser repassada para a iniciativa privada. Para os usuários o ideal é que o serviço como um todo, e aí se inclui a CPTM também, tenha um padrão semelhante, com diferenças de estilo, mas qualidade alta. É o que todos esperam.

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About the author

Ricardo Meier

É um entusiasta do assunto mobilidade e sobretudo do impacto positivo que o transporte sobre trilhos pode promover nas grandes cidades brasileiras. Também escreve nos sites Airway (aviação) e AUTOO (automóveis).

4 Comentários

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  • Alguém saberia dizer o valor do subsídio pago pelo governo de São Paulo, por usuário transportado pela Via Quatro?
    Qual valor é repassado a Via Quatro por usuário nas transferências da CPTM e Metrô?
    O fato da Via Quatro ser mais eficiente na gestão, e ter altos ganhos com propaganda e locação dos espaços públicos, a passagem não deveria ser mais barata?

  • Desculpinha esfarrapada dizer que a lei municipal se refere ao público e não ao operador do sistema,a verdade é que incomoda do mesmo jeito.Quem quer escutar música tem seu próprio smartphone e fone de ouvido.

  • Não vi ainda uma modernização real dos serviços do Metrô, mas sim uma modernização publicitária (Linha 4 com forte apelo publicitário e agora outras linhas com a JCDecaux) e uma maquiagem aplicada pelo Metrô (como por exemplo esse projeto “Música+Metrô”).

    O Metrô é sim um nome que está aliado à uma boa imagem, mas o meio publicitário nunca vem apenas para mostrar ao consumidor opções de compra. Normalmente a publicidade vem com uma carreta de artifícios pra induzir o consumidor a comprar não importa o quê nem por quê. Isso, para quem não é consumista, se torna chato e irritante não poder ficar momentos em paz no transporte coletivo com aquele número imenso de propagandas.

    Isso é aplicado no mundo todo, o que não significa que é bom. Se parte do valor é revertido ao sistema para melhorias, ótimo. Mas deve haver bom senso ao forçar publicidade aos usuários, coisa que a Linha 4-Amarelo nem sempre tem, por exemplo.

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