Destaques Linha 17 Linha 5

A um mês de assumir concessão, Via Mobilidade já participa da operação da Linha 5

Concessionária passará a operar a Linha Lilás no dia 4 de agosto em contrato com 20 anos de duração. Expectativa é que serviço seja semelhante ao da Via Quatro
Segurança da Via Mobilidade na estação Adolfo Pinheiro: presença já é sentida pelos passageiros

Daqui a exato um mês o logotipo do Metrô e seus funcionários começarão a sair de cena na Linha 5-Lilás, na Zona Sul de São Paulo. O ramal, aberto em 2002, passará então a ser operado pela Via Mobilidade no dia 4 de agosto, concessionária que venceu o leilão em janeiro e que é formada pelas empresas CCR e RUASinvest – as duas também controlam a ViaQuatro em conjunto com a Mitsui.

As semelhanças não devem parar por aí. Embora perante a lei precisem ser empresas separadas, as chamadas Sociedades de Propósito Específico, na prática os passageiros deverão notar muitas coisas em comum. Uma delas já é perceptível, a presença de funcionários da empresa com uniforme semelhante ao da Via Quatro. Eles já estão presentes nas estações e trens da linha, reduzindo inclusive o comércio ilegal, antes mais comum.

O pessoal da Via Mobilidade, cujo logo se assemelha ao da Via Quatro, também ajudam nos embarques e desembarques nos horários de pico, controlando o fluxo para evitar atrasos. E também já são vistos na cabine de comando das composições, em treinamento para assumir essa função no dia 4 próximo.

Em relação à Linha 4, no entanto, a Via Mobilidade encontrará algumas novidades. Uma delas é assumir uma frota mista de trens escolhida pelo Metrô – na linha Amarela ela mesmo comprou os trens da coreana Rotem. As frotas F e P têm alguns padrões diferentes além de idade avançada no caso da primeira. A empresa também gerenciará dois pátios de manutenção, o Capão Redondo e o novo Guido Caloi, ainda não operacional.

Embora o sistema CBTC seja semelhante ao que ela utiliza na Linha 4, o fabricante é diferente, o que significa um novo aprendizado. Enquanto na Linha 4 ele é fornecido pela Siemens na Linha 5 ele é projetado pela Bombardier. Além disso, a Via Mobilidade terá a incumbência de inaugurar o segundo monotrilho da cidade, da Linha 17-Ouro, mas isso em 2020 na melhor das hipóteses. E lá a situação é a mesma: trens, sistemas e até modal inédito.

Estação Campo Belo da Linha 17: operação ficará a cargo da Via Mobilidade

Aroma de pão de queijo

Uma coisa é certa: o panorama das estações da Linha 5 irá mudar. Em vez de um ambiente vazio nas novas estações deveremos encontrar vários quiosques de venda de produtos e alimentos conferindo ao ambiente o conhecido aroma de pão de queijo das estações da Linha 4. Mas na nova concessão haverá bem mais espaço para isso já que as estações têm um projeto mais amplo que as da linha Amarela.

Por outro lado, a empresa também ganhará duas novas integrações sobrecarregadas. Na futura estação Santa Cruz, que tem concepção semelhante à Pinheiros, o desafio será controlar o imenso fluxo entre a Linha 5 e Linha 1 embora o Metrô tenha desenhado a ligação entre elas com túneis separados. Já em Santo Amaro, a Via Mobilidade terá de agir: hoje a ligação com a Linha 9-Esmeralda da CPTM é bastante ruim por conta do caminho estreito para os passageiros. Segundo o edital, a concessionária precisará ampliar a estação Santo Amaro e modernizar a homônima da CPTM para melhorar a experiência do usuário.

Outro ‘abacaxi’ deixado pelo Metrô será a instalação das portas de plataforma (PSD). Elas deveriam ter sido concluídas juntamente com a expansão da linha, mas apenas duas estações possuem o equipamento, Adolfo Pinheiro e Brooklin, nesta última ainda sem funcionar. Ou seja, será preciso fazer esse serviço durante a operação normal, causando algum incômodo aos passageiros.

Operador de trem do Metrô ao lado de funcionário da Via Mobilidade: em um mês a passagem do bastão

Sem nada a declarar

Por fim, a Via Mobilidade ganhará quatro novas estações para operar logo de início. As paradas AACD-Servidor, Hospital São Paulo, Santa Cruz e Chácara Klabin estão na reta final de acabamento e devem ficar prontas apenas quando a Linha 5 mudar de mãos – o Metrô precisaria ter de deslocar mão de obra para abri-las e operá-las apenas por algumas semanas caso resolvesse inaugurá-las neste mês como previsto.

O site tentou contato com a Via Mobilidade para saber um pouco mais sobre seus planos e estratégias, porém, a empresa se limitou a responder que “destaca a importância da parceria entre a iniciativa privada e o Estado para o desenvolvimento do setor de infraestrutura do País, sobretudo no segmento de mobilidade urbana. A concessionária aposta na atividade empresarial de vanguarda, sustentada na ousadia da proatividade, na segurança da previsibilidade, na confiabilidade das informações e na seriedade das negociações. Além disso, a empresa destaca que tem como premissa a prestação de serviços públicos de excelência, voltados para as necessidades dos cidadãos, como fundamento da perpetuidade do negócio. Junta-se a isso, a busca pela capacidade criativa, realizadora e transformadora do ser humano, no trabalho em equipe com mentalidade empresarial, para levar a organização a superar desafios e limites“.

Em suma, seus dirigentes, embora à frente de uma concessão pública, preferem manter uma postura de silêncio, algo que o site já notou também em relação à Via Quatro. Uma pergunta sobre a quantidade de funcionários da empresa feita no ano passado até hoje não foi respondida. É uma pena porque a empresa tem em geral causado uma boa impressão em muitos passageiros com seu foco em inovações tecnológicas como o aviso de tempo de chegada do próximo trem, a lotação dos vagões e seu sistema de operação sem condutor presente no trem que encanta adultos e crianças até hoje. Esperemos que sob esse aspecto a concessão da Linha 5 e 17 siga pelo mesmo caminho.

Atualizado às 19h36: a assessoria de imprensa da ViaMobilidade contatou o site para corrigir um dado da matéria e informar que responderá a questionamentos sobre a concessão a partir de agosto quando assumir a linha de fato.

Veja também: Leilão de concessão da Linha 15 é adiado novamente para novembro

Trem da Linha 5 Lilás: menos ambulantes

 

About the author

Ricardo Meier

É um entusiasta do assunto mobilidade e sobretudo do impacto positivo que o transporte sobre trilhos pode promover nas grandes cidades brasileiras. Também escreve nos sites Airway (aviação) e AUTOO (automóveis).

11 Comentários

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  • Era a copa de 2014, depois passou para 2017, depois para fev de 2018, depois para abril, depois para junho (veio a copa de novo), depois para julho!

    Estamos em JULHO! E cadê as quatro novas estações?!?!?!?

    triste….

    • pelo jeito agora só metade de agosto, pelo menos as estações agora estao praticamente prontas, com trocentos atrasos, mas pelo jeito agora vai

  • “A concessionária aposta na atividade empresarial de vanguarda, sustentada na ousadia da proatividade, na segurança da previsibilidade, na confiabilidade das informações e na seriedade das negociações” visando tirar vantagens estratosféricas nos seus lucros encima do patrimônio público. Porque não ofertaram o valor justo no leilão sabendo que eram os únicos que preenchiam os pré requisitos do edital de licitação?

  • É incrível a melhora no funcionamento, ao menos nesses últimos dias, as coisas estão funcionando perfeitamente. O que da a entender quer as falhas que ocorriam diariamente eram propositais!

  • Cada vez mais fica visível o ódio do site ao Metrô e a beatificação da iniciativa privada. É uma pena a falta de visão em vários aspectos, principalmente o financeiro, sobre esses contratos extremamente danosos ao bolso do Estado. “Tudo é uma maravilha na Quatro enquanto o Metrô é um monstro a ser destruído”. Uma pena ver um site com tanto potencial ir por esses caminhos.

    • Desculpe, Kaio, mas essa sua visão não tem respaldo no conteúdo que já produzimos. Basta pesquisar um pouco em nossos artigos para constatar que não tomamos partido, apenas desejamos um serviço decente e uma expansão mais veloz da malha. Não, não achamos a iniciativa privada uma maravilha e se hoje ela tem sido a saída para gestão pública é porque o trabalho do setor público está muito ruim. O ideal é que não houvesse nenhum tipo de lucro com esse tipo de serviço. Agora, infelizmente, a CMSP e CPTM são usadas politicamente por vários partidos e correntes políticas em vez de serem empresas independentes, com recursos garantidos e com metas a atingir. Não existe vilão e mocinho nesse assunto, ambos os lados têm virtudes e defeitos. Agora, o que você alega (concessão privada causa mais danos ao bolso do estado do que uma empresa mista como o Metrô) até hoje não foi comprovado nem pelos que defendem essa tese nem por quem discorda. É uma pauta que está na nossa lista, vamos ver se conseguimos destrinchar essa caixa preta em breve.

  • Uma coisa que vejo pouco sendo falado, e que foi ressaltado em parte no artigo, é a falta de transparência de dados sobre a operação da linha 4, que provavelmente se repetirá com a linha 5. Dados de fluxo total de usuários, demanda diária etc, ficam acessíveis somente através de solicitação pela lei de transparência à STM, e as vezes de forma incompleta dependendo do que se solicitar. O Metrô inaugurou um site de transparência ano passado, que tem bastante informação, mas fica faltando da linha 4. Se a tendência é termos mais operadores privados no sistema, a príncipio será cada vez mais trabalhoso ter uma visão global do sistema metroviário de SP, a exemplo das concessões de coletivos urbanos municipais.

  • Talvez com a Via Mobilidade atuando as coisas andem mais. Infelizmente nesse país as coisas só avançam com o interesse do poder privado. Uma pena. Mas, vamos lá. Esperar ver AACD-Servidor, Hospital São Paulo, Santa Cruz e Chácara Klabin funcionando logo.

  • Olá, Ricardo, obrigado e parabéns por mais este artigo!
    Aparentemente a Via Mobilidade e seus agentes tem feito um bom trabalho inicial na administração da linha 5 Lilás do Metrô, especialmente na estação Santo Amaro! Vamos torcer que essa transição e passagem de bastão entre o Metrô e a Via Mobilidade aconteça tranquilamente, e que a qualidade do serviço melhore cada vez mais para o bem de todos os usuários que utilizam este importante meio de transporte!

  • Alguém sabe dizer se aquele terreno com pedra brita e cercado que está sendo usado como estacionamento faz parte original do projeto da estação Eucailptos? É um terreno bem no cruzamento da Av Ibirapuera e Rua Eucaliptos e aparentemente é um improviso do metro. Se não faz parte do projeto, não deveria estar lá. Não é esteticamente bonito, aparentemente é irregular e a área deveria ser usada para benefício da população em geral, e não para um grupo seleto de pessoas que têm acesso àquele estacionamento. Tenho fotos, caso queiram visualizar.

  • Contrato com fraude; Pessoas concursadas de salário de 3 mil trocadas por pessoas ganhando 1700 e sem concurso (isso sem dizer que reduziram as vagas de emprego. Menos emprego e menos salário = mais desigualdade); Treinamento de operador de trem reduzido de 3 meses para menos de um mês; Lucro garantido num local que já não tem nem concorrência; Pessoas reclamando que os ambulantes vendem mesmo com os seguranças da Via Mobilidade dentro do trem; As obras da amarela, ouro e lilás continuam extremamente atrasadas, e a da ouro é a única nao inaugurada pq será uma linha deficitária. Só por aí já acabou a argumentação. Que um dia os culpados acabem na cadeia por este crime cometido.

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