A Linha 20-Rosa do Metrô teve sua primeira licitação lançada pelo governo do estado neste sábado, 6. Trata-se de um edital que prevê a realização do anteprojeto de engenharia, o projeto funcional e o estudo de impacto ambiental do ramal subterrâneo que originalmente ligaria a Lapa à Rudge Ramos, em São Bernardo do Campo.

É com esses projetos que o Metrô poderá definir com mais precisão o perfil da Linha 20, seja de localização de estações e traçado, seja do método construtivo e áreas a serem desapropriadas. A previsão é que as propostas sejam abertas em 21 de julho em sessão pública a ser realizada na sede da companhia, no centro de São Paulo.

Embora exista nos planos do Metrô há bastante tempo, a Linha 20 só teve algum destaque durante parte do governo Alckmin, quando foi incluída entre os projetos de PPP do estado. Porém, seu alto custo de implantação impediu que o projeto avançasse. A gestão Doria resgatou o ramal quando o utilizou como um dos motivos alegados para cancelar a Linha 18-Bronze, uma PPP assinada em 2014, mas que não saiu do papel porque o governo não conseguiu recursos para as desapropriações.

Desde então, ela tem sido usada como argumento eleitoral pelos prefeitos do ABC como se fosse algo palpável, o que, agora que a licitação foi publicada, fica bem claro que não é. Nada disso, no entanto, significa que a Linha 20 é um desperdício de tempo, pelo contrário. O ramal de traçado perimetral, ou seja, não segue no sentido central da região metropolitana, tem um potencial enorme de retirar veículos poluentes das ruas, reduzir tempos de deslocamentos e redistribuir de forma mais efetiva a mobilidade da Grande São Paulo.

Mapa de estações da Linha 20-Rosa

Mudanças de traçado e novas estações

A diretriz do Metrô prevê que a Linha 20-Rosa terá cerca de 31 km de extensão, uma das mais longas de São Paulo, e 24 estações que farão conexão com outras 10 linhas de metrô e da CPTM, além do malfadado “BRT” do ABC, que substituiu o projeto da Linha 18-Bronze.

As novidades do traçado provisório são a inclusão da estação Santa Marina, da Linha 6-Laranja, e a mudança do trecho após a futura estação Alfonsina, que agora seguirá em direção à estação Santo André, da Linha 10-Turquesa. Essas alterações são bem-vindas já que potencializam as possibilidades de trajeto para os passageiros ao incluir um ramal próximo à Lapa e na outra ponta liga o Corredor ABD e o centro de Santo André, em vez seguir para a estação Prefeito Saladino, como havia sido sugerido anteriormente.

Por cruzar duas das mais movimentadas rodovias que chegam à capital, a Linha 20 deverá prever uma conexão para que usuários da Via Anchieta e Rodovia dos Imigrantes possam acessar o ramal, evitando deslocamentos sobre pneus dentro da região central da metrópole.

A importância dessa linha pode ser medida pelo fato de que ela atenderá cerca de 1 milhão de pessoas por dia, mas também passa por um eixo onde também existe 1 milhão de empregos, ou seja, terá um carregamento máximo de 32 mil passageiros por hora sentido, mais baixo e que significa que muitos usuários embarcarão e desembarcarão pelo caminho. Em outras palavras, a linha perimetral é o oposto do que é a Linha 3-Vermelha, radial e pendular, e que mais causa dificuldades operacionais porque os passageiros permanecem por muitas estações a bordo dos trens.

Estação Santo André: novo terminal da Linha 20-Rosa do Metrô (Rodrigo Lopes/Wikimedia)

Projeto de longo prazo

O projeto contemplará também pátios e estacionamentos de trens pelo longo percurso além de prever o faseamento da implantação. Segundo a minuta do contrato, a empresa selecionada deverá apresentar alternativas de traçado, método de construção e localização de estações e outros prédios auxiliares ao Metrô que então fará a escolha da opção mais apropriada para que os estudos sejam aprofundados a partir dali.

A empresa contratada terá até 32 meses para entregar projetos e estudos a partir da ordem de serviço. Numa hipótese otimista, que preveja a assinatura do contrato no último trimestre deste ano, a Linha 20-Rosa teria todos esses projetos prontos no segundo semestre de 2023. Em tese, só então será possível pensar na licitação do projeto básico, que dá subsídios para a concessão do ramal à iniciativa privada, como já afirmou o governo Doria. A não ser que ele atropele fases, o que não é algo apropriado num empreendimento tão grande e complexo.

Daí se conclui que a Linha 20-Rosa está cerca de três anos atrás da Linha 19-Celeste, que se encontra justamente na fase de licitação do projeto básico neste ano. Ou seja, quando a gestão atual utilizou a Linha 20 como pretexto para cancelar a Linha 18-Bronze no ano passado, estava trocando uma obra pronta para começar por outra que só deverá começar a ser construída na segunda metade da década e ficar pronta, com sorte, por volta de 2030.

A ironia nisso tudo é que a Linha 18 poderia estar funcionando antes que o projeto funcional da Linha 20 ficasse pronto.