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CPTM conclui restauração da fachada histórica da estação Brás

Trabalhos na estação, construída em 1867 e hoje integrada à antiga estação Roosevelt, foram bancados pela iniciativa privada
Estação Brás: 153 anos de história (Pedro Moro)

A CPTM concluiu nos últimos dias o restauro da fachada histórica da estação Brás. Bancado pela iniciativa privada, os trabalhos começaram no ano passado e recuperaram a fachada de 110 metros de extensão e 8,5 metros de altura e que estava depredada e pichada. Além disso, a companhia recuperou duas marquises, uma metálica e outra de madeira. A recuperação do local, no entanto, não teve a empresa revelada, embora na mesma rua, a Domingos Paiva, exista hoje um grande condomínio residencial.

A importância histórica da fachada, aliás, é enorme. Inaugurada em 1867 como estação ‘Braz’, a parada fazia parte da ferrovia construída pela São Paulo Railway Company. Oito anos mais tarde, outra empresa, a Estrada de Ferro do Norte, decidiu construir outra estação ao lado, a Estação do Norte, que na década de 40 foi rebatizada como Roosevelt, em homenagem ao presidente dos EUA.

Ao contrário de Brás, que era uma estação de passagem, Roosevelt era o terminal dos trens que seguiam em direção ao Vale do Paraíba e ao Rio de Janeiro e por isso ganhou um edifício maior em art decó. Já a estação Brás da SPR possuía duas plataformas, conectadas por uma passarela. A plataforma principal, com destino a Santos, possuía um edifício térreo, onde funcionavam os escritórios e serviços da Estação, apresentava arquitetura similar às demais estações construídas pela SPR e se prolongava por toda a extensão da plataforma. A SPR dividia suas estações em classes (primeira, segunda e terceira classe) e a Estação Brás era um exemplar de segunda classe, assim como a Estação Jundiaí. A Estação do Norte foi construída em frente ao prédio da Estação inglesa. Em 1978, a RFFSA demoliu o edifício da Estação Brás e a plataforma sentido Santos para conectar as duas estações (Brás e Roosevelt). A fachada agora restaurada era o acesso secundário da Estação Brás inglesa.

Em 1979, com a inauguração da estação Brás do Metrô, a cerca de 400 metros da original, as três passaram a ser integradas, com entradas independentes servindo para acessar qualquer ponto delas. Em 1994, a então novata CPTM reformou o local e instalou uma ampla cobertura metálica sobre a maior parte das plataformas, permanecendo a antiga estação apenas como uma entrada ao nível da rua com uma plataforma que hoje é usada pela Linha 10-Turquesa da CPTM.

Espera-se que o local permaneça conservado nos próximos anos, algo que é bastante possível diante do crescimento da região. Vários empreendimentos imobiliários têm mudado o perfil do bairro, antes voltado para o comércio popular. A estação Brás também é alvo de ações para ampliar seu potencial comercial e não será surpresa se novos projetos do governo explorem esse aspecto no futuro.

Com cinco das sete linhas da CPTM passando por Brás, o fato de um pedaço da história do transporte ferroviário ainda sobreviver e ser útil é uma imensa vitória, sem dúvida.

A entrada da estação Brás original (Dornicke)
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Ricardo Meier

É um entusiasta do assunto mobilidade e sobretudo do impacto positivo que o transporte sobre trilhos pode promover nas grandes cidades brasileiras. Também escreve nos sites Airway (aviação) e AUTOO (automóveis).

2 Comentários

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  • Oi! Parabéns pelo texto! Sou arquiteto, trabalho na empresa de restauração que executou a obra e fiz o acompanhamento da mesma. A fotografia 01 de 03, com legenda “fachada tem 110 metros de extensão”, exposta na reportagem, é de minha autoria e, embora tenha sido fornecida a vocês pela CPTM, gostaria que a imagem recebesse meus créditos. Não fui consultado pela CPTM sobre a divulgação da fotografia, mas não me oponho, podem usá-la, apenas peço o ajuste de crédito da imagem.

    Deixo também uma correção para o texto: no trecho “Por essa razão, a estação pioneira consistia apenas de uma entrada ao nível da rua com uma plataforma modesta e que hoje é usada pela Linha 10-Turquesa da CPTM”, a Estação Brás da SPR possuía duas plataformas, conectadas por uma passarela. A plataforma principal, com destino a Santos, possuía um edifício térreo, onde funcionavam os escritórios e serviços da Estação, apresentava arquitetura similar às demais estações construídas pela SPR e se prolongava por toda a extensão da plataforma. A SPR dividia suas estações em classes (primeira, segunda e terceira classe) e a Estação Brás era um exemplar de segunda classe, assim como a Estação Jundiaí. A Estação do Norte foi construída em frente ao prédio da Estação inglesa. Em 1978, a RFFSA demoliu o edifício da Estação Brás e a plataforma sentido Santos para conectar as duas estações (Brás e Roosevelt). A fachada agora restaurada era o acesso secundário da Estação Brás inglesa. No site estacoesferroviarias.com.br você encontra fotografias da parte demolida da Estação Brás.

    Obrigado!

    • Olá, Gustavo, antes de mais nada, lhe pedir desculpas pelo crédito errado. Creio que a CPTM enviou o material do presidente e acabou anexando o seu por engano. Segundo que sua explicação foi muito proveitosa e inseri como complemento na matéria. Por fim, parabéns pelo trabalho, deve ter sido muito gratificante recuperar um pedaço da história de São Paulo!

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