CPTM homologa contrato para mapeamento aéreo de futuras ferrovias de passageiros em São Paulo

Empresa Solo Topografia fará levantamentos que poderão subsidiar estudos de novos corredores ferroviários regionais no estado

Contrato será dividido entre trens para longas e curtas distâncias pelo país.
Contrato será dividido entre trens para longas e curtas distâncias pelo país. (Divulgação Alstom)

A CPTM homologou a contratação da empresa Solo Topografia e Georreferenciamento para realizar levantamentos aerofotogramétricos destinados a estudos de expansão da malha ferroviária de passageiros no estado de São Paulo. A ata de registro de preços foi assinada em 18 de junho, tem valor de R$ 440 mil e vigência de 12 meses.

Publicado nesta quarta-feira, 24, no Diário Oficial do Estado, o contrato prevê a execução de serviços especializados de levantamento aerofotogramétrico planialtimétrico georreferenciado, um conjunto de técnicas que utiliza aeronaves, sensores de alta precisão e equipamentos de georreferenciamento para produzir mapas detalhados do terreno.

Embora a CPTM não tenha revelado quais trechos serão analisados, o trabalho deverá servir de base para estudos ferroviários futuros. Nos últimos anos, a companhia vem sendo encarregada pelo governo estadual de desenvolver análises para a retomada do transporte regional de passageiros, modalidade praticamente abandonada em São Paulo desde a segunda metade do século passado.

Entre os projetos já discutidos ou em estudo estão ligações entre Sorocaba e Campinas, Sorocaba e Bauru, Campinas e Ribeirão Preto e o corredor ferroviário entre Santos e Cajati. Em muitos desses trechos ainda existem ferrovias em operação para cargas ou remanescentes da infraestrutura que um dia transportou passageiros.

O escopo contratado é amplo. A documentação da licitação prevê cerca de 187 quilômetros quadrados de aerolevantamento, incluindo fotografias aéreas, perfilamento a laser (LiDAR), ortofotos e modelos digitais do terreno. Também estão previstos 56,1 quilômetros quadrados de restituição estereofotogramétrica, etapa que transforma as imagens coletadas em bases cartográficas utilizáveis por projetistas e engenheiros.

Ferrovias existentes e planejadas em São Paulo (CPTM)

Os levantamentos deverão gerar imagens com resolução de até 10 centímetros por pixel e nuvens de pontos obtidas por sensores LiDAR capazes de reproduzir com precisão relevo, edificações, vegetação, cursos d’água, rodovias e outras interferências existentes ao longo dos corredores analisados.

Durante a fase de esclarecimentos da licitação, uma empresa interessada estimou que a área prevista poderia corresponder a aproximadamente 935 quilômetros de diretrizes ferroviárias, considerando uma faixa média de 200 metros de largura para cada levantamento. A CPTM não confirmou essa extensão, mas informou que os serviços deverão atender múltiplos trechos distintos.

Em outra resposta aos participantes do certame, a estatal afirmou que estima utilizar a ata em cerca de três corredores ferroviários, embora esse número possa variar de acordo com as necessidades dos estudos que vierem a ser desenvolvidos ao longo da vigência do contrato.

Presidente da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), Michael Sotelo Cerqueira, durante atividades na sede da estatal em São Paulo ((MetrôCPTM))

Na prática, o trabalho permitirá registrar a situação atual de antigos corredores ferroviários e de áreas potencialmente aptas a receber novas ligações sobre trilhos. As informações coletadas costumam ser utilizadas nas etapas iniciais de planejamento, auxiliando na definição de traçados preliminares, identificação de obstáculos, estimativas de custos e avaliações de viabilidade técnica.

Em entrevista ao site, o presidente da CPTM, Michael Cerqueira, explicou que, diferentemente dos empreendimentos já em implantação, como o Trem Intercidades Eixo Norte entre São Paulo e Campinas, e os demais TICs, as ferrovias estudadas devem compartilhar vias para trens de passageiros e cargas como forma de viabilizar receita para as eventuais operadoras.