Nos estudos originais da CPTM, a Linha 13-Jade seria um ramal bastante diferente do restante da sua malha. Além da função de servir como meio de transporte para os passageiros que utilizam o Aeroporto de Guarulhos, a linha seguiria até os limites da região metropolitana, em Bonsucesso. Na outra ponta, no entanto, é que estaria a grande novidade, um longo trecho subterrâneo que cruzaria a Zona Leste e terminaria na estação Chácara Klabin, onde hoje se encontram as linhas 2-Verde e 5-Lilás.

Esse cenário evitaria que os usuários acessassem a Linha 3-Vermelha, mas criaria conexões interessantes com as linhas 10-Turquesa e 6-Laranja (hoje a Linha 16-Violeta) na futura estação Parque da Mooca ou São Carlos, onde havia a previsão de um trem regional para Santos. Seria uma alternativa rápida para se chegar ao sul da capital e também a outro aeroporto, Congonhas, com apenas duas baldeações, porém, a gestão Doria mudou de ideia.

Embora tenha mantido praticamente intacto o trecho pós estação Aeroporto Guarulhos, agora a CPTM pretende levar a Linha 13-Jade para o centro. A informação consta do Plano de Negócios da companhia para o período de 2020 a 2025 e disponibilizado juntamente com o Relatório Integrado de 2019. A citação, no entanto, é bastante genérica, apenas afirmando que “a extensão da Linha 13 – Trecho Aeroporto até a região central” faz parte dos empreendimentos em preparação, assim como sua porção leste.

Embora essa intenção já seja conhecida há algum tempo, parecia se tratar de uma solução provisória enquanto não havia recursos para implantar o trecho sudoeste. Desta vez, no entanto, o plano soa como uma ação definitiva, que deverá aproveitar as vias da Linha 12-Safira de forma constante e não em períodos limitados, como ocorre hoje com o serviço Connect. Para isso, a CPTM está contratando serviços para reduzir o intervalo dos trens entre Brás e Engenheiro Goulart para três minutos, o que permitiria serviços alternados entre os dois ramais, por exemplo.

Na prática, seria como tornar-se uma “extensão da Linha 12”, com destino diferente. Como já abordado neste site, linhas metroferroviárias com serviços variados são comuns no exterior e mesmo no Brasil, como no Metrô do Rio. Não há nenhum impedimento técnico em operar trens com destinos finais diferentes desde que se tenha um sistema de sinalização eficiente.

O metrô de Londres, o mais famoso do mundo, exemplifica como nenhum outro essa possibilidade. Em um dos seus trechos mais antigos, nada menos que três linhas compartilham os mesmos trilhos e uma delas com quatro serviços diferentes. Para espanto geral, a sinalização desses ramais é bastante arcaica e que está sendo substituída apenas agora pelo CBTC. Nem por isso, o sistema deixa de funcionar com boa capacidade e regularidade.

Proposta mais barata e rápida para levar a Linha 13 mais perto das principais regiões de SP (clique para ampliar)

Custo menor

A opção por direcionar a Linha 13-Jade para o centro é sobretudo de ordem econômica. Com vias disponíveis, esse trajeto é muito mais simples e barato de ser implementado do que lançar uma obra subterrânea de cerca de 11 km de extensão e que exigiria escavações com tuneladoras de diâmetro mais largo, afinal os trens com catenária da CPTM exigiriam mais espaço. As oito estações dessa etapa também exigiriam plataformas longas, com pouco mais de 200 metros de extensão, que implicariam em construções volumosas.

Ou seja, um custo que facilmente passaria dos R$ 10 bilhões apenas nesse trecho, sem falar no restante da linha e na modernização e capacitação do ramal, que certamente teria que operar com intervalos menores do que os projetados hoje, de elevados 8 minutos (mas que na prática ainda são de 20 minutos).

Para os usuários, no entanto, a Linha 13 permanecerá oferecendo conexões complicadas para outras regiões da cidade, com exceção da futura estação Tiquatira, onde será possível acessar a Linha 2-Verde e com isso chegar a regiões como a avenida Paulista com apenas uma baldeação. Também deverá ser comum chegar à Linha 3-Vermelha em Tatuapé e assim atingir o centro antigo da capital, mas a partir dali algumas viagens exigirão várias baldeações e de curta duração.

Por outro lado, será mais simples ver o ramal chegar com mais trens até Brás num horizonte próximo. Em tese, a CPTM já possui quase todas as vias para isso, restando a modernização da infraestrutura e inserção de mais composições. Certamente à essa altura, a Linha 13-Jade será bem mais atraente que hoje, quando circulam diariamente menos de 20 mil pessoas por ela.

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