Leilão nesta terça-feira pode marcar o início do fim da CPTM

Concessão das linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda para a iniciativa privada é o primeiro passo do governo para reduzir custos com a companhia de transportes metropolitanos. Linha 7-Rubi deve ser a próxima e tendência é que demais ramais acabem fazendo parte de outros pacotes no futuro
Trem da Linha 9-Esmeralda: leilão nesta terça-feira deve marcar esvaziamento da CPTM (Jean Carlos/SP Sobre Trilhos)

Se não houver surpresas, o que não é incomum em se tratando de licitações públicas, nesta terça-feira, 20, as linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda da CPTM terão um “novo dono” pelos próximos 30 anos. O aguardado leilão de concessão dos dois ramais de trens metropolitanos para a iniciativa privada ocorrerá durante a tarde na Bolsa de Valores de São Paulo com a expectativa de grande disputa.

Se bem sucedida, a concessão das duas linhas deve acelerar um processo de esvaziamento da CPTM, companhia fundada em 1992 para assumir o espólio da CBTU. Nesses quase 30 anos, a empresa conseguiu transformar uma infraestrutura caótica e decadente num sistema bastante eficiente e capaz, a despeito de um certo preconceito e das reclamações ainda volumosas.

No entanto, isso não tem sido suficiente para dar conta da necessidade de modernização e sobretudo de reduzir os repasses do governo. Como mostrou o site ontem, a CPTM teve um enorme prejuízo de quase R$ 1 bilhão em 2020, ou quatro vezes o resultado negativo de 2019.

Pátio de Presidente Altino. (iTechdrones)

Ao repassar duas das linhas mais estruturadas da companhia, o governo espera arrecadar ao menos R$ 323 milhões em outorga além de reduzir seus custos para manter essa infraestrutura. De quebra, verá os ramais receberem cerca de R$ 3,2 bilhões em investimentos nos próximos anos.

Por isso o sucesso do leilão pode ser um divisor de águas para a companhia. Até hoje, o governo do estado repassou à iniciativa privada apenas novas linhas de metrô, cuja infraestrutura não exigiu tantos investimentos e que possuem uma demanda mais equilibrada.

A CPTM, ao contrário, possui um ramais muito longos e em condições variadas além de sistemas diferentes e menos modernos que os do Metrô. A exceção é a Linha 9-Esmeralda, considerada “nobre” entre as sete linhas da companhia por seu perfil menos pendular e região de alto poder aquisitivo por onde circula.

Histórico de demanda das linhas 8 e 9 (GESP)

Seis grupos interessados

A expectativa, entretanto, é positiva. Segundo o jornal Valor Econômico, seis grupos devem participar do leilão, o que já seria um número bem mais elevado que o das licitações das linhas 5 e 17 e 15-Prata, por exemplo.

Entre os nomes cotados a oferecerem lances estão as já anunciadas CCR, e consórcio Itapemirim-Odebrecht, além da Simpar, grupo Comporte, o fundo Pátria e a construtora espanhola Acciona, que assumiu a PPP da Linha 6-Laranja. Resta saber se o interesse permancerá até amanhã já que não é incomum que pretendentes mudem de ideia pouco tempo antes do leilão.

O consórcio que assumir os dois ramais terá a missão de melhorar o padrão de serviços, ampliar, reformar e até construtir novas estações além de investir em projetos que irão aumentar o potencial o comercial das linhas, incluindo até mesmo empreendimentos de grande porte na área sob sua gestão.

Trem da Linha 9 (GESP)

Mais concessões no futuro

O processo não vai parar aí: após o leilão das linhas 8 e 9 será a vez da Linha 7-Rubi entrar no radar do governo Doria. O projeto do Trem Intecidades entre São Paulo e Campinas (Americana numa segunda etapa) deve ser finalizado ainda em 2021 para ser lançado no mercado no ano que vem. E ele incluirá o ramal da CPTM como forma de tornar o pacote mais atraente.

Restarão então quatro linhas com a companhia e a maior parte delas também passível de ser incluída em outras fases do Trem Intercidades: a Linha 10-Turquesa no TIC para Santos e linhas 11 e 12 no trem regional para São José dos Campos. Seria de esperar que esse suposto pacote também incluísse a Linha 13-Jade, que nos próximos anos passará por uma integração maior com os ramais que atendem Brás e Luz.

Ou seja, não será de todo absurdo imaginar que a CPTM possa desaparecer do mapa durante esta década. Tudo vai depender de como o mercado enxergará o transporte sobre trilhos sob a ótica do seu potencial de gerar lucros.

Com a tendência de crescimento da malha metroferroviária nos próximos anos, as estações de trens e metrô tendem a ter seu papel cada vez mais valorizado na sociedade, algo que já pode ser percebido em algumas regiões de São Paulo graças aos inúmeros projetos imobiliários em suas imediações. Resta saber apenas quanto tempo isso levará. O leilão desta terça pode nos dar uma boa ideia.

Total
82
Shares
7 comments
  1. Como sempre, o governo dando de presente as empresas públicas, por valores ínfimos.
    Logo, logo, pode acabar como os trens do Rio de Janeiro. Privatizados e sucateados.
    A ainda tem gente que diz: privatiza que melhora.
    Se for pra privatizar, que comece pelas piores linhas “osso” e não pelas “filé”.
    E mais. Já sabemos quem vai ganhar: CCR. Como sempre.
    Jogo de cartas marcadas.

  2. Infelizmente a CPTM terá o mesmo fim que a extinta FEPASA teve no final dos anos 90 sendo privatizada no governo do mesmo partido que governa São Paulo a quase 30 anos e parece que as pessoas não se interessa nas consequências que isso vai causar que foi o abandono de muitas linhas que poderiam servir para cargas e o fim dos trens de passageiros de longo percurso que o estado de São Paulo tinha.

  3. Não se pode também entregar tudo pra uma empresa só. O fato da CCR pegar todas as linhas é algo preocupante. Deve-se haver concorrência pra malha ferroviária paulista não virar uma SuperVia.

  4. Entendo a questão financeira envolvida, mas acho isso uma baboseira pois na prática ninguém vai usar os nomes das marcas e nem consumir seus produtos, como ocorre com os naming rights de outras coisas, como estádios, por exemplo.

  5. finalmente, chega de péssimo serviço chega de péssimo atendimento com funcionários semianalfabetos, preguiçosos, brucutus , chega de greves, chega de estação imunda, sem sinalização, sem iluminação, comparar CCR com Supervia é um absurdo, CCR está em um nível muito superior

Comments are closed.

Previous Post
Cabine de comando da Série 8500

Governo anuncia vacinação contra Covid-19 para funcionários do Metrô e CPTM em maio

Next Post
Estação Aeroporto Guarulhos

CPTM fará estudo de “naming rights” de parte de suas estações

Related Posts