CPTM Destaques Linha 13

Projeto que permitirá reduzir intervalos da Linha 13-Jade atrasa mais uma vez

Sistema de sinalização e controle dos trens do novo ramal da CPTM deveria ter sido entregue em setembro de 2018, mas deve ficar pronto apenas no segundo semestre
Trem da Série 900 na estação CECAP-Guarulhos: sistema de controle dos trens atrasou mais um pouco (CPTM)

Prestes a receber seu primeiro trem exclusivo, a Linha 13-Jade ainda carece do básico, um sistema de sinalização e controle de trens completamente funcional. Atualmente, o ramal que liga a região do Aeroporto de Guarulhos à estação Engenheiro Goulart fuciona de forma parcial, com intervalos elevados de no mínimo 20 minutos entre os trens. É um número alto até mesmo se comparado a trechos de menor demanda de suas linhas, mas já deveria ter como padrão um “headway” de 8 minutos, o que faria o serviço ser mais eficiente e previsível.

No entanto, o consórcio contratado para entregar esse sistema, o C.T.A. (Conexão Trem Aeroporto), formado pelas empresas Siemens e Ferreira Guedes, acaba de assinar um 4º aditivo com a CPTM e que estabelece uma nova prorrogação de sete meses. A atualização foi publicada no Diário Oficial desta quarta-feira, 30, mas seu teor ainda não foi disponibilizado. Apesar disso, baseado no terceiro aditivo, assinado em junho do ano passado, e que também havia prorrogado os prazos em sete meses, estima-se que agora a empresa deverá concluir seu trabalho no segundo semestre, quase dois anos depois do previsto.

Até então, o prazo informado no aditivo anterior era de concluir o sistema em dezembro passado, ou 14 meses após o prazo inicial do contrato, assinado em setembro de 2016 e que previa 24 meses de duração. O contrato com a C.T.A. custa à CPTM quase R$ 82 milhões e envolve dois sistemas, o STC (Sistema de Controle de Tráfego de Estações e Vias), que determina como o carrossel de trens opera na linha,  e o SCC (Sistema de Controle Centralizado), que em tese funciona no Centro de Controle Operacional da companhia ao lado da estação Brás.

No cronograma atualizado no ano passado, o serviço já demonstrava vários atrasos em serviços ligados ao software do CCO, testes e comissionamento e até mesmo nos itens que envolvem a segurança no trabalho e meio ambiente, mostra o documento. Nos aditivos, não houve acréscimo nos valores, porém, desconhe-se se a CPTM está multando o consórcio C.T.A pelo atraso. Sem que os dois sistemas estejam concluídos e seguros, é impossível inserir mais trens na linha a fim de baixar seu intervalo e reduzir o tempo de viagem, o que acaba afetando a utilidade do ramal para seus potenciais passageiros.

Vias da Linha 13-Jade: sistema de sinalização deveria ter sido entregue em 2018, mas deve atrasar quase dois anos (CPTM)

Cerca de 120 mil passageiros por dia

A Linha 13-Jade é a primeira construída e operada pela CPTM e foi inaugurada no final de março de 2018 mesmo com várias pendências técnicas. Em seus primeiros meses em serviço, os trens operavam de forma improvisada, em velocidades baixas de até 50 km/h (em vez de 80 km/h) e com apenas uma composição por via.

Atualmente, a CPTM estaria operando uma frota de três composições que se revezam nas viagens até Engenheiro Goulart, Brás e Luz. Desde o ano passado, o intervalo passou a ser de 20 minutos nos serviços principais (parador e Connect). O movimento tem crescido lentamente por conta das restrições de sinalização e de frota, com cerca de 15 mil passageiros utilizando o ramal diariamente – a previsão do projeto é de que a Linha 13 transporte 120 mil passageiros por dia útil, mesmo com seu intervalo projetado de 8 minutos.

Nos próximos dias, a Linha Jade passará a contar com trens próprios, a Série 2500, fabricada pelo consórcio Temoinsa-Sifang (CRRC). Os oito trens construídos da China já estão todos entregues à CPTM e o primeiro deles, prestes a entrar em serviço. Segundo declarou o secretário de Transportes Metropolitanos, Alexandre Baldy, em entrevista recente, isso deverá ocorrer até meados de fevereiro, embora em resposta numa rede social, ele tenha mantido esperança de contar com o novo trem ainda em janeiro.

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About the author

Ricardo Meier

É um entusiasta do assunto mobilidade e sobretudo do impacto positivo que o transporte sobre trilhos pode promover nas grandes cidades brasileiras. Também escreve nos sites Airway (aviação) e AUTOO (automóveis).

6 Comentários

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  • É muito interessante o quanto se fala de Gestão no Estado de São Paulo e o quanto se fala em atrasos nas entregas de estações de Metrô e Trem.
    É possível dizer dos Governadores do PSDB-Alckimin, Serra, Dória: todas as datas que eles passam revelam não 1 planejamento, administração e gestão do transporte público.
    Eles fazem apenas,
    Como a Tábata Amaral disse para o ex ministro da Educação,
    Eles fazem apenas uma Carta de Intenções.

  • Edson quando voce administrar alguma obra um dia voce vai sentir como e dificil se estipular uma data para o final da mesma obra ja diz sempre atraza e uma previsão aqui pelo menos se conclui e nos outros estados que nunca acaba

    • Diziam a mesma coisa da Linha 5 em 2002. Para que investir numa linha que “não transporta ninguém”? Se esse argumento tivesse vencido, a Linha 5 nunca teria sido ampliada.

  • A maior falha dessa linha é que é muito difícil chegar nela, muito degradante a quantidade de transferências, principalmente para viajar com malas, etc.

  • Utilizei essa linha pela primeira vez quando cheguei em SP de avião, pelo que vejo, a imprensa é muito exagerada e o povo preguiçoso, a estação fica bem próxima do aeroporto, sai de la e cheguei rapidinho, nada sacrificante como dizem, e, ainda tem a alternativa de um ônibus gratuito que para em todos os terminais, bom para quem esta com muitas bagagens, chegando la tem assistência a deficientes físicos e um trem bem confortável (nada de superlotação). Basicamente o que precisa melhorar é apenas o trajeto, pra chegar na Avenida Paulista por exemplo, precisei pegar 4 trens, com a linha indo até Chacara Klabin por exemplo, seria necessário pegar apenas 2, isso facilitaria também quem mora no ABC paulista, o que falta mesmo é apenas expandir a rede e permitir que ela atenda a grande maioria dos bairros da capital e região metropolitana

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