Em transporte, programa Pró SP é ‘requentado’ de projetos em andamento e promessas antigas
Pacote de investimentos anunciado pelo governo Doria nesta semana não traz qualquer novidade na expansão da malha sobre trilhos em São Paulo além do que já é conhecido há vários anos
Em sua “pré-campanha” para viabilizar a candidatura à presidência do Brasil nas eleições de 2022, o governador João Doria (PSDB) mobilizou a imprensa nesta semana para apresentar o programa “Pró SP”, um pacote de investimentos que atinge a cifra de R$ 47,5 bilhões até o final do seu mandato no ano que vem.
A área de transportes é a principal base para se chegar ao vultoso número apresentado pelo tucano. Apenas a obra da Linha 6-Laranja, citada como o maior projeto, tem previsão de investimento de R$ 15 bilhões, valor total da fase de implantação, mas que já teve uma boa parte utilizada e outra, prevista apenas para o período entre 2023 e 2025, ou seja, após a atual gestão.
O site do Pró SP traz vários projetos em fases distintas, mas não detalha os valores dos investimentos de forma clara. Numa apresentação disponibilizada pela área de comunicação, a mobilidade responde por R$ 6 bilhões dos R$ 25 bilhões previstos para 2022. Já neste ano, o valor não foi encontrado.
A lista de projetos de mobilidade, no entanto, não traz qualquer novidade ao que já se divulga há vários anos, inclusive na gestão passada.
Há obras como a conclusão da Linha 4-Amarela em Vila Sônia, que foi iniciada no meio da década anterior, assim como projetos bastante modestos como o novo túnel entre as estações Paulista e Consolação, cuja licitação foi anulada recentemente, ou a reforma da estação Vila Prudente, necessária após o Metrô rever a demanda de passageiros prevista para o local.

Retrocesso como “novidade”
Os monotrilhos da Linha 15 e 17, modais renegados pela atual gestão, constam também da lista, assim como a demorada obra da estação Varginha, da Linha 9-Esmeralda. Curiosamente, o governo esqueceu de um projeto importante, a expansão da Linha 13-Jade, da CPTM, até a estação Palmeiras-Barra Funda e os estudos para levá-la até Bonsucesso e que estão em curso.
Por outro lado, estão incluídas as linhas 19-Celeste e 20-Rosa, que encontram-se ainda num estágio bastante inicial de projetos e estudos e certamente não serão viabilizadas no atual mandato.
As retomadas da Linha 6-Laranja, grande mérito de Doria, e da extensão da Linha 2-Verde até Penha, são os empreendimentos mais vistosos, mas que foram iniciativa do seu antecessor, Geraldo Alckmin, ou seja, já constam como investimentos do estado há vários anos.

O único projeto novo é justamente um retrocesso em mobilidade, a troca da Linha 18-Bronze, um projeto já contratado e que integraria o ABC ao Metrô transportando mais de 340 mil pessoas por dia, pelo corredor de ônibus “BRT ABC”, com capacidade para apenas 115 mil usuários/dia e viagens “expressas” cerca de 55% mais lentas que o monotrilho. E que ainda está sob júdice na Justiça comum e no Tribunal de Contas do Estado.
