As estações de interligação de ramais metroferroviários estão entre os projetos mais delicados a serem executados. A razão é simples: uma conexão bem pensada significa minutos de economia de tempo para os passageiros, muitas vezes o suficiente para justificar uma mudança de trajeto. Para conseguir um bom compromisso em agilidade, segurança e conforto, no entanto, a tarefa é hérculea.

Nem sempre uma linha se conecta à outra de forma planejada, como é o caso da estação Santa Cruz, da Linha 5-Lilás. Embora o projeto tenha se saído bem em distribuir o fluxo de usuários com a Linha 1-Azul, é sabido que a diferença de profundidade e o fato de o primeiro ramal de metrô da cidade não ter previsto essa conexão ajudou a tornar o projeto complexo. Já a estação Chácara Klabin, que liga as linhas 2 e 5, é um exemplo positivo de planejamento e execução: com apenas dois lances de escadas e poucos metros de caminhada, os passageiros vão de um a outro ramal facilmente.

Por isso, a mudança no projeto da estação Morumbi, da Linha 17-Ouro, tem chamado a atenção. Originalmente, a ideia era construir a estação paralela à homônima da Linha 9-Esmeralda da CPTM. Até mesmo o único acesso seria compartilhado assim como o pequeno mezanino que levaria ao piso superior das plataformas do monotrilho. Felizmente, no entanto, o Metrô reviu os planos diante da crescente demanda que utilizaria as duas linhas e o projeto foi refeito.

É essa nova estação Morumbi que está tomando forma nos últimos meses e que nas próximas semanas ganhará mais um componente importante, a estrutura metálica de interligação entre o mezanino da Linha 17 e a plataforma sul da Linha 9. O Metrô está desde sábado interditando novamente a Marginal Pinheiros aos fins de semana enquanto a CPTM interromperá a operação no trecho para permitir a construção da nova estrutura até meados de fevereiro.

A estrutura metálica de interligação entre as duas estações: fluxo de passageiros mais organizado (GESP)

Imagens divulgadas pelo governo ilustram como será essa ligação. Para permitir que os passageiros que farão a futura conexão possam evitar o choque com usuários que descem ou embarcam na Linha 9, o Metrô posicionará três lances de escadas (duas rolantes e uma fixa) na parte sul da plataforma. De lá, essas pessoas terão acesso a um corredor que está sendo erguido nessas semanas e que levará até o mezanino lateral da estação da Linha 17 onde estarão os bloqueios e também a passarela do segundo acesso.

Com essa solução, o Metrô evitará que o fluxo de passageiros se concentre no atual acesso e mezanino e que também servirá para acessar o monotrilho, embora seja natural que o público opte pelo novo acesso, em frente ao edifício WTorre Morumbi.

Para permitir esse layout, a Camargo Côrrea, responsável pela obra, estendeu a plataforma da estação da CPTM em direção ao norte, liberando espaço para que o trecho sul recebesse reforços para sustentar a nova estrutura. Segundo a página da construtora, os trabalhos haviam atingido 71% em dezembro, com previsão de conclusão em julho deste ano. Até lá provavelmente a Constran, que acaba de ser contratada para realizar as obras remanescentes da Linha 17, já terá retomado o lançamento de vigas-trilho, permitindo que a nova estação seja finalizada.

A estação Morumbi da Linha 17 tem prazo de conclusão em julho de 2020 (GESP)

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