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Gestão Doria corta R$ 437 milhões em investimentos do Metrô de São Paulo

Redução do orçamento de 2020 para obras atingiu principalmente a Linha 17-Ouro. Apesar disso, apenas um terço dos recursos foi utilizado em sete meses
Estação da Linha 17: obra é a que mais teve corte no orçamento em 2020 (CMSP)

Confrontada com uma queda brutal na arrecadação, a gestão do governador João Doria promoveu profundos cortes no orçamento de obras e modernização do Metrô de São Paulo. De acordo com relatório da companhia, em julho os recursos foram cortados de R$ 2 bilhões para R$ 1,57 bilhão, redução de R$ 436,7 milhões – o equivalente a quase 22% do plano original.

O maior corte foi feito nas obras da Linha 17-Ouro, que perdeu 54% dos recursos – eram de R$ 532 milhões e agora passaram a ser de R$ 247 milhões. Embora o Metrô não detalhe as razões, esse contingenciamento certamente tem a ver com as licitações frustradas de obras civis e sistemas, que estão travadas na Justiça.

Outro projeto que ainda não atingiu um ritmo ideal, a extensão da Linha 2-Verde até Penha,  perdeu R$ 74 milhões dos R$ 346 milhões previstos, corte de 21%. A implantação do CBTC e portas de plataforma na Linha 3-Vermelha, por sua vez, praticamente parou em 2020: se antes havia R$ 60 milhões previstos para os projetos agora restam somente R$ 5,4 milhões.

Ligação do município de Guarulhos com a capital, a Linha 19-Celeste teve seus recursos reduzidos brutalmente, de R$ 48 milhões para somente R$ 8,4 milhões e mesmo o orçamento para outros projetos de expansão da rede como a Linha 20-Rosa têm agora apenas R$ 1,8 milhão disponível.

Estação Vila Sônia: mais recursos (CMSP)

Por outro lado, duas frentes de trabalho que estão avançando bem, as obras de expansão da Linha 15-Prata e a construção da estação Vila Sônia, da Linha 4-Amarela, tiveram seus orçamentos ampliados em R$ 11,7 milhões e R$ 16,8 milhões, respectivamente. As estações Jardim Colonial e Vila Sônia deverão ser concluídas no primeiro semestre de 2021.

Avanço lento

Mesmo com recursos menores, os projetos do Metrô continuam com avanço lento diante do estimado pela companhia. Apesar da redução do orçamento, apenas um terço do investimento foi de fato realizado, ou R$ 510 milhões. O maior avanço percentual é o de modernização da Linha 2-Verde, com 59%. A instalação de portas de plataforma na Linha 5-Lilás também apresenta uma porcentagem de realização mais elevada, de 38%, enquanto as obras da Linha 15 atingiram 36% do previsto em relação ao uso do recursos financeiros.

Os projetos que menos consumiram dinheiro até julho foram os relacionados à Linha 19-Celeste (R$ 326 mil) e modernização da Linha 3-Vermelha (R$ 1,662 milhão).

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About the author

Ricardo Meier

É um entusiasta do assunto mobilidade e sobretudo do impacto positivo que o transporte sobre trilhos pode promover nas grandes cidades brasileiras. Também escreve nos sites Airway (aviação) e AUTOO (automóveis).

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