Depois de ter sido usada como cortina de fumaça para o cancelamento da Linha 18-Bronze em julho, a Linha 20-Rosa, de metrô pesado, começa a “cair na real” dos planos do governo Doria. Sem ter avançado além de estudos iniciais desde que foi concebido pelo Metrô, o ramal depende da contratação de seus projetos para definir diversos aspectos da obra.

E é nesse sentido que uma emenda apresentada pela deputada estadual Carla Morando (PSDB) quer garantir uma verba para que o projeto funcional saia do papel. Segundo o jornal Diário do Grande ABC, a deputada incluiu a proposta da Linha 20-Rosa no Plano Plurianual (PPA) 2020-2023 do governo do estado que na prática “obriga” a gestão a avançar com os estudos do ramal.

Para viabilizar o projeto funcional, primeira fase desses estudos aprofundados, o governo teria reservado R$ 20 milhões em 2020. Com ele pronto, serão definidos detalhes como traçado, quantidade de estações e aspectos como demanda, pátio de manutenção e métodos de construção, por exemplo, além de áreas passíveis de desapropriação.

Não por acaso, Carla Morando é esposa do prefeito de São Bernardo do Campo, Orlando Morando, que tão logo houve a promessa do governador, postou nas redes sociais da prefeitura uma imagem de um trem com o munícipio ao fundo, como se a Linha 20 fosse algo consumado.

Ainda assim, parece otimista esperar que o projeto funcional seja concluído em 2020. A licitação nesse sentido ainda não foi lançada e o processo geralmente leva alguns meses até que seja assinado um contrato. O caminho, no entanto, é bem mais longo: após o projeto funcional é preciso pensar no projeto básico, condição para que a linha de metrô seja objeto de uma licitação de concessão cujos detalhes de modelagem ainda não são conhecidos – apenas que Doria planeja oferecê-la à iniciativa privada, como mostram suas apresentações no exterior.

O percurso estimado da Linha 20-Rosa

De Rudge Ramos à Lapa

A Linha 20-Rosa é um projeto de metrô subterrâneo de alta capacidade cujo traçado original liga à região de Rudge Ramos, em São Bernardo, até a Lapa, passando pelo Taboão, Indianópolis, Moema, o eixo da avenida Faria Lima, Pinheiros e Lapa. Na concepção da gestão anterior, a primeira fase iria da Lapa até Moema, criando novas conexões na rede metroferroviária e levando os trilhos para importantes regiões com concentração de empregos. Essa fase tem um enorme potencial de retirar veículos de circulação, além de melhorar significativamente a capilaridade do sistema.

A segunda fase levaria o ramal até São Bernardo, criando uma ligação rápida para o ABC capaz de atrair uma demanda pendular bastante grande. Com o anúncio de Doria, não se sabe se haverá uma inversão de prioridades, com o trecho ABC-Zona Sul de São Paulo sendo construído em um primeiro momento, ou se a atual gestão pretende que o vencedor da licitação implante o projeto como um todo. Entre as dificuldades do projeto estão o alto valor de investimento, de pelo menos R$ 20 bilhões, e as desapropriações em regiões valorizadas da capital.

Como o site afirmou, o horizonte da Linha 20-Rosa está muito distante, e certamente não haverá como inaugurá-la na próxima década, mas é importante saber que alguma coisa começou a ser feita para torná-la realidade.

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