Governo promete reduzir impactos da Linha 16 enquanto Metrô defende desapropriações da Linha 20
Declarações foram dadas em meio a críticas de moradores e empresas afetadas por novos projetos metroviários em estudo
Integrantes do governo de São Paulo adotaram discursos distintos diante da resistência gerada por novas linhas de metrô em estudo ou em fase de estruturação. Em entrevista ao jornal Valor Econômico, o diretor da Companhia Paulista de Parcerias (CPP), Augusto Almudin, afirmou que o Estado buscará alternativas para reduzir os impactos da implantação da Linha 16-Violeta. Já Luiz Carlos Cortez, gerente de Planejamento e Meio Ambiente do Metrô, defendeu a condução técnica das desapropriações previstas para a Linha 20-Rosa.
A Linha 16-Violeta, que passou por audiências e consulta públicas no fim de 2025 e deve ter edital publicado no segundo semestre, enfrenta resistência sobretudo na região da Mooca, onde está previsto um pátio de manobras. Empresários afirmam que dezenas de companhias poderão ser afetadas. Também há questionamentos em bairros como Jardim Paulista, onde moradores criticam o local escolhido para a estação Nove de Julho.
Augusto Almudin durante audiência pública das linhas 10 e 14 (GESP)
Segundo Almudin, o governo está revendo pontos do projeto. “A diretriz é impactar o menos possível as pessoas e atividades econômicas desenvolvidas na cidade”, afirmou ao Valor. De acordo com ele, o Estado analisa alternativas locacionais em trechos mais sensíveis, incluindo a Mooca, diante das manifestações apresentadas por moradores e empresas.
A posição do Metrô, no entanto, foi mais enfática em relação à Linha 20-Rosa, cujo traçado ainda está em elaboração. Cortez declarou ao jornal que as desapropriações são resultado de estudos aprofundados e não decisões superficiais. “Temos convicção da qualidade técnica do projeto”, disse, acrescentando que os estudos consideram aspectos construtivos, urbanísticos, ambientais e de preservação de patrimônio.
Antiga fábrica da Ford no Taboão onde ficará pátio da Linha 20-Rosa (iTechdrones)
A Linha 20 também tem gerado reações em regiões como Pinheiros, Vila Madalena e em São Bernardo do Campo, onde declarações de utilidade pública (DUPs) atingiram terrenos destinados a empreendimentos privados. No caso da antiga área da Ford, o Metrô afirma que a utilização prevista corresponde a pouco mais de 20% do terreno e que outras alternativas foram avaliadas antes da definição.
A despeito das previsões de licitação em 2026, ambos os projetos podem não sair do papel neste mandato. A prioridade da gestão Tarcísio de Freitas é leiloar o Trem Intercidades para Sorocaba e o Lote ABC-Guarulhos, que contempla as linhas 10-Turquesa e 14-Ônix da CPTM.
